ARTIGO: Morte lenta

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Com a ajuda dos bancos e das agências de publicidade, o governo descobriu uma maneira brilhante para acabar com a extensa folha de pagamento dos aposentados.

POR Redação SRzd 18/6/2006| 3 min de leitura

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Com a ajuda dos bancos e das agências de publicidade, o governo descobriu uma maneira brilhante para acabar com a extensa folha de pagamento dos aposentados.

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Com a ajuda dos bancos e das agências de publicidade, o governo descobriu uma maneira brilhante para acabar com a extensa folha de pagamento dos aposentados. E nem foi preciso exterminar os beneficiários colocando-os numa câmara de gás como fizeram os nazistas de Hitler com os judeus. Também não foi necessário usar a mesma técnica que eliminou os mendigos que superlotavam a antiga Guanabara, há décadas: jogá-los ao mar para que se afogassem e, assim, deixassem de incomodar uma determinada elite da época.

Não, a fórmula mágica não é um assassinato tão frio e cruel assim. Pelo menos, aparentemente. A estratégia escolhida é tão eficaz que, além de acabar com a folha de pagamentos dos aposentados, vai gerar lucros, com juros extras.

Trata-se, na realidade, de uma oferta de crédito para os aposentados do INSS a juros abaixo dos do mercado, com prestações mensais a serem pagas a perder de vista.

Está confuso? Explico: primeiro, o aposentado sofre um verdadeiro bombardeio sedutor de anúncios na televisão, em ‘outdoorsâ?, nas revistas e nos jornais, com promessas de crédito, através de financiamento de longo prazo. Isso faz com que o aposentado comece a sonhar em ter possibilidades quase infinitas de consumo.

A falta de dinheiro, aliada a ofertas tão sedutoras, leva o aposentado nesse País – em sua maioria, ignorante nas questões financeiras ‘ a ser uma presa fácil e, pior, a não refletir sobre as conseqüências. Geralmente, são pessoas que recebem um salário mínimo, quase sempre destinado a custear remédios. Eventualmente, usam seu dinheiro para saldar dívidas contraídas pelos filhos ou ajudar a criar os netos.

Como a coisa se processa? Entre as promessas, fala-se de juros muito inferiores aos aplicados em financiamentos comuns ‘ e os bancos, sob a aparência de ‘bonzinhos e generososâ? projetada pelas agências de publicidade, vendem a falsa idéia de felicidade e facilidade de crádito para o aposentado. Ele é levado a pensar que, ao optar pelo financiamento como solução de curto prazo, além de obter crédito fácil com muitos meses para pagar, poderá pagar o dinheiro emprestado de maneira segura e confortável, com desconto no seu contracheque do INSS.

É aí que o “assassinato” se consuma: melhor dizendo, o aposentado inicia seu “suicídio” financeiro. Ele não só descobre que não tem mais nada a receber – com o saldo devedor sendo mensalmente descontado em seu contracheque – como ainda vai ter que pagar aqueles juros ditos ‘baratinhosâ?. E ele não tem nem chance de dar um calote ou renegociar sua dívida, já que as parcelas, acrescidas de juros, são debitadas diretamente da fonte. Se não pagar, corre o risco de ser processado e ainda ter que constituir advogado para sua defesa.

Ato contínuo, caracterizada pelo êxito total da operação do governo, processa-se então o extermínio disfarçado dos aposentados, com a grande ajuda dos bancos e das agências de publicidade.

Tudo na legalidade!

Marilene Lopes é jornalista, professora universitária e autora dos livros ‘Quem Tem Medo de Ser Notícia ‘ a mídia formando ou ‘deformandoâ? imagensâ?; e ‘Antes que seja Tarde ‘ executiva workaholic narra o diário do seu AVCâ?

Com a ajuda dos bancos e das agências de publicidade, o governo descobriu uma maneira brilhante para acabar com a extensa folha de pagamento dos aposentados. E nem foi preciso exterminar os beneficiários colocando-os numa câmara de gás como fizeram os nazistas de Hitler com os judeus. Também não foi necessário usar a mesma técnica que eliminou os mendigos que superlotavam a antiga Guanabara, há décadas: jogá-los ao mar para que se afogassem e, assim, deixassem de incomodar uma determinada elite da época.

Não, a fórmula mágica não é um assassinato tão frio e cruel assim. Pelo menos, aparentemente. A estratégia escolhida é tão eficaz que, além de acabar com a folha de pagamentos dos aposentados, vai gerar lucros, com juros extras.

Trata-se, na realidade, de uma oferta de crédito para os aposentados do INSS a juros abaixo dos do mercado, com prestações mensais a serem pagas a perder de vista.

Está confuso? Explico: primeiro, o aposentado sofre um verdadeiro bombardeio sedutor de anúncios na televisão, em ‘outdoorsâ?, nas revistas e nos jornais, com promessas de crédito, através de financiamento de longo prazo. Isso faz com que o aposentado comece a sonhar em ter possibilidades quase infinitas de consumo.

A falta de dinheiro, aliada a ofertas tão sedutoras, leva o aposentado nesse País – em sua maioria, ignorante nas questões financeiras ‘ a ser uma presa fácil e, pior, a não refletir sobre as conseqüências. Geralmente, são pessoas que recebem um salário mínimo, quase sempre destinado a custear remédios. Eventualmente, usam seu dinheiro para saldar dívidas contraídas pelos filhos ou ajudar a criar os netos.

Como a coisa se processa? Entre as promessas, fala-se de juros muito inferiores aos aplicados em financiamentos comuns ‘ e os bancos, sob a aparência de ‘bonzinhos e generososâ? projetada pelas agências de publicidade, vendem a falsa idéia de felicidade e facilidade de crádito para o aposentado. Ele é levado a pensar que, ao optar pelo financiamento como solução de curto prazo, além de obter crédito fácil com muitos meses para pagar, poderá pagar o dinheiro emprestado de maneira segura e confortável, com desconto no seu contracheque do INSS.

É aí que o “assassinato” se consuma: melhor dizendo, o aposentado inicia seu “suicídio” financeiro. Ele não só descobre que não tem mais nada a receber – com o saldo devedor sendo mensalmente descontado em seu contracheque – como ainda vai ter que pagar aqueles juros ditos ‘baratinhosâ?. E ele não tem nem chance de dar um calote ou renegociar sua dívida, já que as parcelas, acrescidas de juros, são debitadas diretamente da fonte. Se não pagar, corre o risco de ser processado e ainda ter que constituir advogado para sua defesa.

Ato contínuo, caracterizada pelo êxito total da operação do governo, processa-se então o extermínio disfarçado dos aposentados, com a grande ajuda dos bancos e das agências de publicidade.

Tudo na legalidade!

Marilene Lopes é jornalista, professora universitária e autora dos livros ‘Quem Tem Medo de Ser Notícia ‘ a mídia formando ou ‘deformandoâ? imagensâ?; e ‘Antes que seja Tarde ‘ executiva workaholic narra o diário do seu AVCâ?

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