Feminicídio expõe ponta extrema da violência e especialista alerta para prisão emocional que começa antes da agressão física

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Violência. O Brasil registra uma média de quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero. Em 2023, 1.463 feminicídios foram registrados no país, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao mesmo tempo, a Justiça concedeu mais de 245 mil medidas protetivas de urgência, o equivalente a uma medida concedida a cada dois minutos. […]

POR Redação SRzd 18/3/2026| 3 min de leitura

Feminicidio. Foto: Internet

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Violência. O Brasil registra uma média de quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero. Em 2023, 1.463 feminicídios foram registrados no país, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao mesmo tempo, a Justiça concedeu mais de 245 mil medidas protetivas de urgência, o equivalente a uma medida concedida a cada dois minutos.

Os números expõem a dimensão da violência contra a mulher no país, mas especialistas alertam que o fenômeno costuma começar muito antes da agressão física. Pesquisa do Instituto DataSenado mostra que 37% das mulheres brasileiras relatam já ter sofrido violência psicológica ou moral. Esse tipo de agressão inclui humilhação, manipulação emocional, isolamento e controle da vida da vítima.

Para a psicanalista Ana Lisboa, esse é um dos pontos menos compreendidos no debate público sobre violência contra a mulher. “A agressão física costuma ser o momento em que a violência se torna visível para todos. Só que, na maioria das vezes, a mulher já está vivendo um processo de desgaste emocional muito anterior. A prisão começa na mente, quando a mulher passa a duvidar da própria percepção e da própria capacidade de sair daquela situação.”

Segundo a especialista, a violência psicológica atua de forma gradual e silenciosa. “A autoestima vai sendo corroída aos poucos. A mulher aprende a minimizar o que está acontecendo, a justificar o comportamento do parceiro e a acreditar que precisa se adaptar para manter a relação.”

Esse cenário também se conecta ao impacto na saúde mental feminina. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que mulheres têm quase o dobro de probabilidade de desenvolver depressão ao longo da vida em comparação com homens.

Para Ana Lisboa, compreender esses processos ajuda a explicar por que muitas mulheres permanecem em relações abusivas mesmo quando o sofrimento já é evidente. “A violência emocional altera a forma como a mulher se enxerga. Quando ela perde a confiança em si mesma, perde também a referência de que merece uma vida diferente.”

A discussão aparece no livro ‘O direito de ser eu’, em que a autora propõe um diálogo entre psicanálise e direito para refletir sobre um tema central na vida de muitas mulheres: o desafio de ocupar o próprio lugar na própria história. “A sociedade discute o direito das mulheres em muitas dimensões. O que ainda precisa avançar é o entendimento de que muitas mulheres ainda lutam para exercer o direito mais básico, que é existir de forma inteira na própria própria vida”, afirma.

Ana Lisboa é psicanalista, escritora e empresária com atuação internacional no campo do desenvolvimento humano e da saúde mental feminina. Criadora do método Feminino Moderno, já impactou mais de 100 mil mulheres em 72 países com programas voltados à autonomia emocional, reconexão com o corpo e liberdade identitária. Com mais de uma década dedicada ao estudo das dinâmicas sistêmicas, mentalidade e integração emocional, desenvolveu a Integração Sistêmica, abordagem própria que integra psicanálise, neurociência e saberes terapêuticos contemporâneos aplicados ao desenvolvimento pessoal e às relações humanas. Seu livro mais recente, Direito de Ser Eu, já figura entre os best-sellers e apresenta os fundamentos do seu trabalho e reflexões sobre identidade, autonomia e saúde emocional feminina.

Rodapé - brasil

Violência. O Brasil registra uma média de quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero. Em 2023, 1.463 feminicídios foram registrados no país, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao mesmo tempo, a Justiça concedeu mais de 245 mil medidas protetivas de urgência, o equivalente a uma medida concedida a cada dois minutos.

Os números expõem a dimensão da violência contra a mulher no país, mas especialistas alertam que o fenômeno costuma começar muito antes da agressão física. Pesquisa do Instituto DataSenado mostra que 37% das mulheres brasileiras relatam já ter sofrido violência psicológica ou moral. Esse tipo de agressão inclui humilhação, manipulação emocional, isolamento e controle da vida da vítima.

Para a psicanalista Ana Lisboa, esse é um dos pontos menos compreendidos no debate público sobre violência contra a mulher. “A agressão física costuma ser o momento em que a violência se torna visível para todos. Só que, na maioria das vezes, a mulher já está vivendo um processo de desgaste emocional muito anterior. A prisão começa na mente, quando a mulher passa a duvidar da própria percepção e da própria capacidade de sair daquela situação.”

Segundo a especialista, a violência psicológica atua de forma gradual e silenciosa. “A autoestima vai sendo corroída aos poucos. A mulher aprende a minimizar o que está acontecendo, a justificar o comportamento do parceiro e a acreditar que precisa se adaptar para manter a relação.”

Esse cenário também se conecta ao impacto na saúde mental feminina. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que mulheres têm quase o dobro de probabilidade de desenvolver depressão ao longo da vida em comparação com homens.

Para Ana Lisboa, compreender esses processos ajuda a explicar por que muitas mulheres permanecem em relações abusivas mesmo quando o sofrimento já é evidente. “A violência emocional altera a forma como a mulher se enxerga. Quando ela perde a confiança em si mesma, perde também a referência de que merece uma vida diferente.”

A discussão aparece no livro ‘O direito de ser eu’, em que a autora propõe um diálogo entre psicanálise e direito para refletir sobre um tema central na vida de muitas mulheres: o desafio de ocupar o próprio lugar na própria história. “A sociedade discute o direito das mulheres em muitas dimensões. O que ainda precisa avançar é o entendimento de que muitas mulheres ainda lutam para exercer o direito mais básico, que é existir de forma inteira na própria própria vida”, afirma.

Ana Lisboa é psicanalista, escritora e empresária com atuação internacional no campo do desenvolvimento humano e da saúde mental feminina. Criadora do método Feminino Moderno, já impactou mais de 100 mil mulheres em 72 países com programas voltados à autonomia emocional, reconexão com o corpo e liberdade identitária. Com mais de uma década dedicada ao estudo das dinâmicas sistêmicas, mentalidade e integração emocional, desenvolveu a Integração Sistêmica, abordagem própria que integra psicanálise, neurociência e saberes terapêuticos contemporâneos aplicados ao desenvolvimento pessoal e às relações humanas. Seu livro mais recente, Direito de Ser Eu, já figura entre os best-sellers e apresenta os fundamentos do seu trabalho e reflexões sobre identidade, autonomia e saúde emocional feminina.

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