Galeria de arte a céu aberto

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Quem anda pelas ruas do Rio de Janeiro já deve ter notado algumas intervenções artísticas interessantes nos muros da cidade.

POR Redação SRzd11/07/2006|4 min de leitura

Galeria de arte a céu aberto
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Quem anda pelas ruas do Rio de Janeiro já deve ter tido a atenção chamada para algumas intervenções artísticas interessantes feitas nos muros da cidade e que diferem da mera pichação. A mera pichação é uma forma oca de estética e que dizem servir de veículo para expressão dos sentimentos subjetivos de adolescentes, típicos rebeldes sem causa.

São verdadeiras criações artísticas que contribuem para arrefecer o tom cinzento e agressivo das grandes cidades, transformando as ruas das metrópoles em imensa galeria.

Dá o que pensar o fato de moças e rapazes gastarem o tempo e o rico dinheirinho deles ‘ mesadas ‘ com tintas, pincéis e outros apetrechos, a fim de tornarem a cidade mais agradável ao mero transeunte.

O movimento não começou agora nem aqui, no Rio de Janeiro, visto que o desejo do homem de se fazer representar através da escrita e dos desenhos remonta ao tempo das cavernas. Entretanto, o grafite é típico das megalópoles e é a forma de arte mais democrática, pois é gratuita.

Há quem seja contra a expressão desses artistas, por não diferir os grafites das pichações tradicionais. Mas quem passa pela Av. Radial Oeste, no Maracanã, e olha o muro ao longo das linhas da Supervia, há de convir que cada um daqueles trabalhos faz pensar. Ainda mais se um sem-teto estiver passando por lá ou então tomando banho em algum dos vazamentos de água que já se tornaram constantes naquela via.

Outra intervenção que tem suavizado o caminhar do assustado carioca ‘ não cabe aqui o porquê de andarmos com tanto medo pelas ruas da nossa cidade, basta folhear

os jornais para constatar a razão disto ‘ são as flores. Geralmente azuis ou brancas que brotam do que os urbanistas costumam chamar de móveis urbanos, mas que são verdadeiros trambolhos a tomar o já estreito espaço das calçadas. Acompanhadas por prosa suave, essas flores são criação de um artista, de codinome Flô, que, guardadas as devidas proporções, remetem ao trabalho dos dois maiores artistas urbanos que o Rio já teve: Gentileza e Gilson. O primeiro, eternizado em uma belíssima canção na voz de Marisa Monte, teve preservado alguns dos murais com os ensinamentos que escreveu nas pilastras de sustentação das pistas de rolamento do elevado da Perimetral, na região do entrocamento das avenidas Brasil, Francisco Bicalho e Rodrigues Alves; e o último se notabilizou, nos anos 80, pelos poemas e desenhos que fazia, com giz branco, sempre nos tapumes das obras que ajudaram na modernização urbana do Centro do Rio.

Embora pesquisadores da equipe do antropólogo Gilberto Velho, do Museu Nacional, especialistas no funcionamento das chamadas sociedades complexas, tenham dissertado sobre o que leva adolescentes ‘ a maioria rapazes ‘ a picharem os muros com suas marcas, geralmente rubricas e nomes de guerra, dá o que pensar o fato de outros

adolescentes se distinguirem dos primeiros ao transformarem os muros e os tais móveis urbanos em galeria para expressar sua arte.

Conversei com alguns desses rapazes e moças e eles garantiram que usar as paredes da cidade é também uma forma de protestar contra o esquema tradicional dos artistas que fazem opção pelo mercado e têm nas galerias comerciais local para exibir e vender seus trabalhos.

Como tudo muda e vários grafiteiros, cujos nomes eram muito conhecidos dos nova-iorquinos nas décadas de 70 e 80, acabam de ter seus trabalhos reunidos em uma mostra de sucesso e alguma polêmica no Brooklyn Museum, em Nova York, será que um dia no futuro, Flô, Pivvo, Petitepoupee e outros grafiteiros estarão expondo as criações deles no Museu de Arte Moderna?

Tudo indica que sim. É esperar para ver! E enquanto o futuro não chega, vale a pena ficar ligado na arte que essa moçada continua a expor no museu aberto das nossas ruas.

Quem anda pelas ruas do Rio de Janeiro já deve ter tido a atenção chamada para algumas intervenções artísticas interessantes feitas nos muros da cidade e que diferem da mera pichação. A mera pichação é uma forma oca de estética e que dizem servir de veículo para expressão dos sentimentos subjetivos de adolescentes, típicos rebeldes sem causa.

São verdadeiras criações artísticas que contribuem para arrefecer o tom cinzento e agressivo das grandes cidades, transformando as ruas das metrópoles em imensa galeria.

Dá o que pensar o fato de moças e rapazes gastarem o tempo e o rico dinheirinho deles ‘ mesadas ‘ com tintas, pincéis e outros apetrechos, a fim de tornarem a cidade mais agradável ao mero transeunte.

O movimento não começou agora nem aqui, no Rio de Janeiro, visto que o desejo do homem de se fazer representar através da escrita e dos desenhos remonta ao tempo das cavernas. Entretanto, o grafite é típico das megalópoles e é a forma de arte mais democrática, pois é gratuita.

Há quem seja contra a expressão desses artistas, por não diferir os grafites das pichações tradicionais. Mas quem passa pela Av. Radial Oeste, no Maracanã, e olha o muro ao longo das linhas da Supervia, há de convir que cada um daqueles trabalhos faz pensar. Ainda mais se um sem-teto estiver passando por lá ou então tomando banho em algum dos vazamentos de água que já se tornaram constantes naquela via.

Outra intervenção que tem suavizado o caminhar do assustado carioca ‘ não cabe aqui o porquê de andarmos com tanto medo pelas ruas da nossa cidade, basta folhear

os jornais para constatar a razão disto ‘ são as flores. Geralmente azuis ou brancas que brotam do que os urbanistas costumam chamar de móveis urbanos, mas que são verdadeiros trambolhos a tomar o já estreito espaço das calçadas. Acompanhadas por prosa suave, essas flores são criação de um artista, de codinome Flô, que, guardadas as devidas proporções, remetem ao trabalho dos dois maiores artistas urbanos que o Rio já teve: Gentileza e Gilson. O primeiro, eternizado em uma belíssima canção na voz de Marisa Monte, teve preservado alguns dos murais com os ensinamentos que escreveu nas pilastras de sustentação das pistas de rolamento do elevado da Perimetral, na região do entrocamento das avenidas Brasil, Francisco Bicalho e Rodrigues Alves; e o último se notabilizou, nos anos 80, pelos poemas e desenhos que fazia, com giz branco, sempre nos tapumes das obras que ajudaram na modernização urbana do Centro do Rio.

Embora pesquisadores da equipe do antropólogo Gilberto Velho, do Museu Nacional, especialistas no funcionamento das chamadas sociedades complexas, tenham dissertado sobre o que leva adolescentes ‘ a maioria rapazes ‘ a picharem os muros com suas marcas, geralmente rubricas e nomes de guerra, dá o que pensar o fato de outros

adolescentes se distinguirem dos primeiros ao transformarem os muros e os tais móveis urbanos em galeria para expressar sua arte.

Conversei com alguns desses rapazes e moças e eles garantiram que usar as paredes da cidade é também uma forma de protestar contra o esquema tradicional dos artistas que fazem opção pelo mercado e têm nas galerias comerciais local para exibir e vender seus trabalhos.

Como tudo muda e vários grafiteiros, cujos nomes eram muito conhecidos dos nova-iorquinos nas décadas de 70 e 80, acabam de ter seus trabalhos reunidos em uma mostra de sucesso e alguma polêmica no Brooklyn Museum, em Nova York, será que um dia no futuro, Flô, Pivvo, Petitepoupee e outros grafiteiros estarão expondo as criações deles no Museu de Arte Moderna?

Tudo indica que sim. É esperar para ver! E enquanto o futuro não chega, vale a pena ficar ligado na arte que essa moçada continua a expor no museu aberto das nossas ruas.

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