Quem arma o crime?

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Cidades. As armas que estão nas ruas hoje são diferentes daquelas de 2018. Pistolas semiautomáticas com calibres de alta potência substituíram revólveres antigos. Fuzis de guerra, antes restritos às forças de segurança, agora aparecem com frequência nas apreensões. Essa transformação não foi acidental, é consequência direta dos decretos que afrouxaram o controle de armas a […]

POR Redação SRzd 22/12/2025| 3 min de leitura

Arma apreendida com o menor, suspeito de efetuar os disparos. Foto: Reprodução/PMDF

Arma apreendida com o menor, suspeito de efetuar os disparos. Foto: Reprodução/PMDF

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Cidades. As armas que estão nas ruas hoje são diferentes daquelas de 2018. Pistolas semiautomáticas com calibres de alta potência substituíram revólveres antigos. Fuzis de guerra, antes restritos às forças de segurança, agora aparecem com frequência nas apreensões. Essa transformação não foi acidental, é consequência direta dos decretos que afrouxaram o controle de armas a partir de 2019.

Essas são conclusões da pesquisa “Arsenal do Crime: Análise do perfil das armas de fogo apreendidas no Sudeste”. O estudo do Instituto Sou da Paz analisou 255.267 armas apreendidas entre 2018 e 2023 nas bases de dados das polícias do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. É o levantamento mais profundo já realizado sobre o tema.

O calibre 9x19mm ilustra bem esse processo. Liberado para civis em 2019, sua participação nas apreensões saltou de 7,4% em 2018 para 18,8% em 2023. A escolha por esse calibre não é arbitrária: munições 9x19mm têm cerca de 40% mais energia que as tradicionais .38. Mais potência significa maior letalidade.

A Operação Desarmada, realizada em 2023 pela Polícia Federal na Baixada Fluminense do Rio, ilustra bem o momento que vivemos. Somando todas as fases da operação, 1.683 armas de fogo foram apreendidas, entre elas fuzis, metralhadoras e centenas de pistolas.

As pistolas semiautomáticas, como as apreendidas pela Polícia Federal, hoje ultrapassam revólveres em todas as unidades federativas da região, exceto São Paulo. Pistolas modernas possuem maior capacidade de munição, permitem recarga instantânea e entregam vários disparos em poucos segundos. São armas desenhadas para o confronto.

Entre 2018 e 2023, o Sudeste registrou aumento de 55,8% nas apreensões de fuzis, submetralhadoras e metralhadoras. Os fuzis de calibre 5.56x45mm e 7.62x51mm, liberados para CACs no período, são os principais apreendidos. O que deveria circular somente em clubes de tiro migrou rapidamente para o mercado criminoso, ampliando o capacidade ofensiva das organizações armadas.

A velocidade do desvio fica evidente na idade das armas. O volume de armas com até dois anos de fabricação apreendidas multiplicou-se de forma dramática, principalmente em Minas Gerais, onde cresceu dez vezes, saltou de 83 para 882.

A pesquisa também expõe problemas graves na produção e transparência dos dados. Pelo menos 30,6% do total das armas industriais apreendidas não tinham informação de marca registrada. Alguns dados foram negados para a pesquisa. Sem registro completo e padronizado, o país segue tentando enfrentar o mercado ilegal de armas às cegas.

O que fica claro é que a política de afrouxamento do controle de armas implementada a partir de 2019 teve um efeito perverso: modernizou o arsenal criminoso. Grupos armados hoje têm acesso facilitado a pistolas semiautomáticas, calibres mais potentes e fuzis de guerra. Esse salto tecnológico aumentou o poder de fogo das organizações criminosas e colocou em risco tanto policiais quanto a população civil.

É nesse sentido que a criação da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas (RENARME), articulada pelo Ministério da Justiça com as polícias estaduais e federais, representa um avanço necessário. Sua formalização ainda em 2025 é fundamental para o país poder enfrentar com os recursos e coordenação adequados o problema que permitiu crescer nos últimos anos.

Rodapé - brasil

Cidades. As armas que estão nas ruas hoje são diferentes daquelas de 2018. Pistolas semiautomáticas com calibres de alta potência substituíram revólveres antigos. Fuzis de guerra, antes restritos às forças de segurança, agora aparecem com frequência nas apreensões. Essa transformação não foi acidental, é consequência direta dos decretos que afrouxaram o controle de armas a partir de 2019.

Essas são conclusões da pesquisa “Arsenal do Crime: Análise do perfil das armas de fogo apreendidas no Sudeste”. O estudo do Instituto Sou da Paz analisou 255.267 armas apreendidas entre 2018 e 2023 nas bases de dados das polícias do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. É o levantamento mais profundo já realizado sobre o tema.

O calibre 9x19mm ilustra bem esse processo. Liberado para civis em 2019, sua participação nas apreensões saltou de 7,4% em 2018 para 18,8% em 2023. A escolha por esse calibre não é arbitrária: munições 9x19mm têm cerca de 40% mais energia que as tradicionais .38. Mais potência significa maior letalidade.

A Operação Desarmada, realizada em 2023 pela Polícia Federal na Baixada Fluminense do Rio, ilustra bem o momento que vivemos. Somando todas as fases da operação, 1.683 armas de fogo foram apreendidas, entre elas fuzis, metralhadoras e centenas de pistolas.

As pistolas semiautomáticas, como as apreendidas pela Polícia Federal, hoje ultrapassam revólveres em todas as unidades federativas da região, exceto São Paulo. Pistolas modernas possuem maior capacidade de munição, permitem recarga instantânea e entregam vários disparos em poucos segundos. São armas desenhadas para o confronto.

Entre 2018 e 2023, o Sudeste registrou aumento de 55,8% nas apreensões de fuzis, submetralhadoras e metralhadoras. Os fuzis de calibre 5.56x45mm e 7.62x51mm, liberados para CACs no período, são os principais apreendidos. O que deveria circular somente em clubes de tiro migrou rapidamente para o mercado criminoso, ampliando o capacidade ofensiva das organizações armadas.

A velocidade do desvio fica evidente na idade das armas. O volume de armas com até dois anos de fabricação apreendidas multiplicou-se de forma dramática, principalmente em Minas Gerais, onde cresceu dez vezes, saltou de 83 para 882.

A pesquisa também expõe problemas graves na produção e transparência dos dados. Pelo menos 30,6% do total das armas industriais apreendidas não tinham informação de marca registrada. Alguns dados foram negados para a pesquisa. Sem registro completo e padronizado, o país segue tentando enfrentar o mercado ilegal de armas às cegas.

O que fica claro é que a política de afrouxamento do controle de armas implementada a partir de 2019 teve um efeito perverso: modernizou o arsenal criminoso. Grupos armados hoje têm acesso facilitado a pistolas semiautomáticas, calibres mais potentes e fuzis de guerra. Esse salto tecnológico aumentou o poder de fogo das organizações criminosas e colocou em risco tanto policiais quanto a população civil.

É nesse sentido que a criação da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas (RENARME), articulada pelo Ministério da Justiça com as polícias estaduais e federais, representa um avanço necessário. Sua formalização ainda em 2025 é fundamental para o país poder enfrentar com os recursos e coordenação adequados o problema que permitiu crescer nos últimos anos.

Rodapé - brasil

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