Fotógrafo faz revelações sobre megaoperação no Rio: ‘Corpo sem cabeça e desfigurado’

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Rio. A Operação Contenção consolidou-se como a mais letal da história do país, superando o Massacre do Carandiru, tragédia na qual 111 detentos morreram no Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo, em 1992. Segundo à Defensoria Pública do Rio de Janeiro, foram contabilizadas as mortes de 128 civis e quatro policiais, totalizando […]

POR Redação SRzd 31/10/2025| 3 min de leitura

Corpos na Praça São Lucas. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

Corpos na Praça São Lucas. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

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Rio. A Operação Contenção consolidou-se como a mais letal da história do país, superando o Massacre do Carandiru, tragédia na qual 111 detentos morreram no Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo, em 1992.

Segundo à Defensoria Pública do Rio de Janeiro, foram contabilizadas as mortes de 128 civis e quatro policiais, totalizando 132 vítimas. O governo do Estado informou um número total de 121 mortos.

O fotógrafo Bruno Itan, que acompanhou por 24 horas a busca de corpos após a megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha, contra a facção Comando Vermelho, relatou como foi estar presente no local.

“Aqui no Brasil não tem pena de morte. Qualquer tipo de criminoso, independente do que ele fez, ele tem que ser preso, levado à Justiça para a Justiça determinar a sua pena. Mas ontem aqui, no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha, existiu a pena de morte”, disse para a BBC o profissional que nasceu no Recife, em Pernambuco e foi morar no Complexo do Alemão aos 10 anos com a família.

A imprensa foi impedida de avançar até o complexo da Penha. Mas, como cresceu na comunidade, o fotógrafo conseguiu entrar no local.

“Os policiais deram tiros pro alto e não deixaram a gente passar. Eles fizeram uma linha e disseram: ‘Daqui, a imprensa não passa’. Eu sei de alguns caminhos, alguns becos, e consegui ter acesso à comunidade, onde fiquei até de noite, até de madrugada, registrando os moradores que foram atrás de seus parentes, dos corpos na mata”, contou.

Após tiros e disparos, Ian relatou o que viu na Serra da Misericórdia, que divide o Complexo da Penha e o do Alemão.

“Chegaram muitos corpos, inclusive o de policiais. Cheguei até a comunidade, onde fiquei até de madrugada registrando. [Corpo] estava sem cabeça, corpos totalmente desconfigurados mesmo […] sem rosto, sem a metade do rosto, sem braços, corpos sem perna. Onde eu estou agora, não tem mais corpo, mas o cheiro fica até no psicológico. Fiquei muito impactado com a brutalidade. A dor dos familiares, mães desmaiando, esposas grávidas chorando, pais revoltados….Eu poderia ser um desses. Se eu não conhecesse a fotografia, de repente poderia ser um deles”, desabafou.

“Vi o tiroteio, vi os carros queimados, comecei a registrar. Os moradores também relatavam muita truculência dos policiais”, completou.

Itan é fundador do projeto Olhar Complexo, que oferece aulas de fotografia gratuitas a crianças e jovens da comunidade.

“Meu olhar é sempre direcionado para o lado positivo que existe nas favelas e a pluralidade que existe, a cultura que existe na favela. Mas, infelizmente, sabemos que a realidade da favela não é só isso”, explicou.

Manifestação das autoridades

O governador Cláudio Castro classificou a operação como um “sucesso” e “um duro golpe na criminalidade”.

A Polícia Civil do Rio vai instaurar um inquérito para investigar a retirada dos corpos dos mortos da mata pelos moradores para apurar se houve suposta “fraude processual”.

Segundo o delegado Felipe Curi, secretário de Polícia Civil, os corpos expostos em vias públicas foram manipulados.

+ veja a publicação:

Rodapé - brasil

Rio. A Operação Contenção consolidou-se como a mais letal da história do país, superando o Massacre do Carandiru, tragédia na qual 111 detentos morreram no Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo, em 1992.

Segundo à Defensoria Pública do Rio de Janeiro, foram contabilizadas as mortes de 128 civis e quatro policiais, totalizando 132 vítimas. O governo do Estado informou um número total de 121 mortos.

O fotógrafo Bruno Itan, que acompanhou por 24 horas a busca de corpos após a megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha, contra a facção Comando Vermelho, relatou como foi estar presente no local.

“Aqui no Brasil não tem pena de morte. Qualquer tipo de criminoso, independente do que ele fez, ele tem que ser preso, levado à Justiça para a Justiça determinar a sua pena. Mas ontem aqui, no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha, existiu a pena de morte”, disse para a BBC o profissional que nasceu no Recife, em Pernambuco e foi morar no Complexo do Alemão aos 10 anos com a família.

A imprensa foi impedida de avançar até o complexo da Penha. Mas, como cresceu na comunidade, o fotógrafo conseguiu entrar no local.

“Os policiais deram tiros pro alto e não deixaram a gente passar. Eles fizeram uma linha e disseram: ‘Daqui, a imprensa não passa’. Eu sei de alguns caminhos, alguns becos, e consegui ter acesso à comunidade, onde fiquei até de noite, até de madrugada, registrando os moradores que foram atrás de seus parentes, dos corpos na mata”, contou.

Após tiros e disparos, Ian relatou o que viu na Serra da Misericórdia, que divide o Complexo da Penha e o do Alemão.

“Chegaram muitos corpos, inclusive o de policiais. Cheguei até a comunidade, onde fiquei até de madrugada registrando. [Corpo] estava sem cabeça, corpos totalmente desconfigurados mesmo […] sem rosto, sem a metade do rosto, sem braços, corpos sem perna. Onde eu estou agora, não tem mais corpo, mas o cheiro fica até no psicológico. Fiquei muito impactado com a brutalidade. A dor dos familiares, mães desmaiando, esposas grávidas chorando, pais revoltados….Eu poderia ser um desses. Se eu não conhecesse a fotografia, de repente poderia ser um deles”, desabafou.

“Vi o tiroteio, vi os carros queimados, comecei a registrar. Os moradores também relatavam muita truculência dos policiais”, completou.

Itan é fundador do projeto Olhar Complexo, que oferece aulas de fotografia gratuitas a crianças e jovens da comunidade.

“Meu olhar é sempre direcionado para o lado positivo que existe nas favelas e a pluralidade que existe, a cultura que existe na favela. Mas, infelizmente, sabemos que a realidade da favela não é só isso”, explicou.

Manifestação das autoridades

O governador Cláudio Castro classificou a operação como um “sucesso” e “um duro golpe na criminalidade”.

A Polícia Civil do Rio vai instaurar um inquérito para investigar a retirada dos corpos dos mortos da mata pelos moradores para apurar se houve suposta “fraude processual”.

Segundo o delegado Felipe Curi, secretário de Polícia Civil, os corpos expostos em vias públicas foram manipulados.

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