Morre Silvio Tendler, um dos maiores documentaristas do cinema brasileiro

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Luto no audiovisual. Silvio Tendler, um dos maiores documentaristas do Brasil, morreu na manhã desta sexta-feira (5). Aos 75 anos, o cineasta estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele enfrentava, havia dez anos, uma neuropatia diabética, doença degenerativa que compromete o sistema nervoso, e foi vítima […]

POR Redação SRzd 5/9/2025| 3 min de leitura

Silvio Tendler. Foto: Reprodução de TV

Silvio Tendler. Foto: Reprodução de TV

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Luto no audiovisual. Silvio Tendler, um dos maiores documentaristas do Brasil, morreu na manhã desta sexta-feira (5).

Aos 75 anos, o cineasta estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Ele enfrentava, havia dez anos, uma neuropatia diabética, doença degenerativa que compromete o sistema nervoso, e foi vítima de uma infecção generalizada. A notícia foi dada pela filha, Ana Rosa Tendler.

Trajetória

Carioca, ele iniciou sua trajetória artística no movimento cineclubista na década de 1960, liderando a Federação de Cineclubes do Rio em 1968.

No período da ditadura militar, exilou-se no Chile e depois na França, onde se formou em História pela Universidade de Paris VII (Paris Diderot) e fez mestrado em Cinema e História pela École des Hautes Études – Sorbonne.

Em sua carreira de sucesso onde acumulou mais de 60 prêmios em festivais nacionais e internacionais, viveu um drama ao enfrentar uma doença grave que o deixou tetraplégico em 2011. Operado, ele recuperou os movimentos após um longo processo de reabilitação e voltou a trabalhar.

Na década de 1990, atuou também na esfera pública, como Secretário de Cultura e Esporte do Distrito Federal, e trabalhou com a Unesco na articulação da indústria audiovisual no Mercosul.

Silvio Tendle. Foto: Reprodução/TV Globo
Silvio Tendle. Foto: Reprodução/TV Globo

Cineasta dos sonhos interrompidos

Diretor de filmes que marcaram a memória política e cultural do país, Silvio Tendler ficou conhecido como o “cineasta dos sonhos interrompidos” ou  “cineasta dos vencidos”, por sua dedicação a biografar líderes e movimentos que projetaram transformações no Brasil e na América Latina.

Entre seus trabalhos mais emblemáticos está a chamada “Trilogia Presidencial”, composta por “Jango” (1980), sobre o ex-presidente João Goulart; “Os Anos JK – Uma Trajetória Política” (1980), sobre Juscelino Kubitschek; e “Tancredo, a Travessia” (2011), sobre Tancredo Neves.

“Jango” se tornou um marco do cinema nacional, com mais de 1 milhão de espectadores, número expressivo para para um documentário.

Tendler também é responsável pelos dois outros maiores sucessos do gênero nas bilheterias brasileiras: “O Mundo Mágico dos Trapalhões” (1981), que levou 1,3 milhão de pessoas aos cinemas, e “Os Anos JK”, com 800 mil espectadores.

Em reconhecimento ao seu trabalho no audiovisual, recebeu a Ordem de Rio Branco, em 2006, e, mais recentemente, em maio de 2025, foi condecorado pelo governo federal com a Ordem do Mérito Cultural.

O artista deixa o legado de obras marcadas pelo engajamento político, pela defesa da memória histórica e pela produção de obras que retratam personagens cujas trajetórias foram interrompidas pela repressão ou pela morte precoce.

Rodapé - brasil

Luto no audiovisual. Silvio Tendler, um dos maiores documentaristas do Brasil, morreu na manhã desta sexta-feira (5).

Aos 75 anos, o cineasta estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Ele enfrentava, havia dez anos, uma neuropatia diabética, doença degenerativa que compromete o sistema nervoso, e foi vítima de uma infecção generalizada. A notícia foi dada pela filha, Ana Rosa Tendler.

Trajetória

Carioca, ele iniciou sua trajetória artística no movimento cineclubista na década de 1960, liderando a Federação de Cineclubes do Rio em 1968.

No período da ditadura militar, exilou-se no Chile e depois na França, onde se formou em História pela Universidade de Paris VII (Paris Diderot) e fez mestrado em Cinema e História pela École des Hautes Études – Sorbonne.

Em sua carreira de sucesso onde acumulou mais de 60 prêmios em festivais nacionais e internacionais, viveu um drama ao enfrentar uma doença grave que o deixou tetraplégico em 2011. Operado, ele recuperou os movimentos após um longo processo de reabilitação e voltou a trabalhar.

Na década de 1990, atuou também na esfera pública, como Secretário de Cultura e Esporte do Distrito Federal, e trabalhou com a Unesco na articulação da indústria audiovisual no Mercosul.

Silvio Tendle. Foto: Reprodução/TV Globo
Silvio Tendle. Foto: Reprodução/TV Globo

Cineasta dos sonhos interrompidos

Diretor de filmes que marcaram a memória política e cultural do país, Silvio Tendler ficou conhecido como o “cineasta dos sonhos interrompidos” ou  “cineasta dos vencidos”, por sua dedicação a biografar líderes e movimentos que projetaram transformações no Brasil e na América Latina.

Entre seus trabalhos mais emblemáticos está a chamada “Trilogia Presidencial”, composta por “Jango” (1980), sobre o ex-presidente João Goulart; “Os Anos JK – Uma Trajetória Política” (1980), sobre Juscelino Kubitschek; e “Tancredo, a Travessia” (2011), sobre Tancredo Neves.

“Jango” se tornou um marco do cinema nacional, com mais de 1 milhão de espectadores, número expressivo para para um documentário.

Tendler também é responsável pelos dois outros maiores sucessos do gênero nas bilheterias brasileiras: “O Mundo Mágico dos Trapalhões” (1981), que levou 1,3 milhão de pessoas aos cinemas, e “Os Anos JK”, com 800 mil espectadores.

Em reconhecimento ao seu trabalho no audiovisual, recebeu a Ordem de Rio Branco, em 2006, e, mais recentemente, em maio de 2025, foi condecorado pelo governo federal com a Ordem do Mérito Cultural.

O artista deixa o legado de obras marcadas pelo engajamento político, pela defesa da memória histórica e pela produção de obras que retratam personagens cujas trajetórias foram interrompidas pela repressão ou pela morte precoce.

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