Sem tempo, sem incentivo: futebol ainda exclui milhões de mulheres no Brasil e quase metade não torce pra nunguém

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Bastidores. Uma nova pesquisa do O GLOBO/Ipec-Ipsos revelou um dado que desafia o senso comum sobre a “paixão nacional”: 32,1% dos brasileiros afirmam não torcer para nenhum time de futebol, número que salta para 42,7% entre as mulheres. Em 2022, o percentual geral era de 24%. O perfil predominante entre os chamados “sem time” é […]

POR Redação SRzd 31/7/2025| 2 min de leitura

Bola de futebol em estádio. Foto: Pikist

Bola de futebol em estádio. Foto: Pikist

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Bastidores. Uma nova pesquisa do O GLOBO/Ipec-Ipsos revelou um dado que desafia o senso comum sobre a “paixão nacional”: 32,1% dos brasileiros afirmam não torcer para nenhum time de futebol, número que salta para 42,7% entre as mulheres. Em 2022, o percentual geral era de 24%.

O perfil predominante entre os chamados “sem time” é o de mulheres mais velhas, de baixa renda e escolaridade, moradoras do interior do país, com rotinas marcadas pela dupla jornada de trabalho e pouco tempo livre para lazer. A babá Maria Soledade, de 50 anos, ilustra esse cenário: “Não tenho tempo para isso não”, diz ela, após descrever o dia a dia entre o emprego, os afazeres domésticos e o cuidado com a família.

Pesquisadoras e especialistas apontam que a ausência feminina no futebol é resultado de uma exclusão histórica, estrutural e simbólica. Para a pesquisadora Leda Maria da Costa, da UERJ, o futebol brasileiro ainda é socializado como um espaço masculino: “É um ato de resistência quando uma mulher se dedica ao futebol”, afirma.

Apesar de avanços como a exigência da CBF para que clubes tenham times femininos desde 2019, especialistas como Marina Zuaneti Martins (UFES) destacam que os acessos seguem restritos a regiões mais desenvolvidas e a mulheres de classes mais altas. Já nas regiões Norte, Centro-Oeste e no interior do país, a falta de tempo, incentivo e infraestrutura ainda são barreiras.

Para além da prática esportiva, o pertencimento a um clube também carrega uma dimensão simbólica e lúdica, como destaca o antropólogo Edison Gastaldo: “O futebol é uma brincadeira social. Quem não tem time, fica de fora da conversa”.

Mesmo assim, há sinais de mudança. O crescimento do futebol feminino, o surgimento de coletivos de torcedoras e a chegada da Copa do Mundo Feminina de 2027 ao Brasil podem abrir espaço para uma nova geração de torcedoras e mudar os números nos próximos anos.

Rodapé - brasil

Bastidores. Uma nova pesquisa do O GLOBO/Ipec-Ipsos revelou um dado que desafia o senso comum sobre a “paixão nacional”: 32,1% dos brasileiros afirmam não torcer para nenhum time de futebol, número que salta para 42,7% entre as mulheres. Em 2022, o percentual geral era de 24%.

O perfil predominante entre os chamados “sem time” é o de mulheres mais velhas, de baixa renda e escolaridade, moradoras do interior do país, com rotinas marcadas pela dupla jornada de trabalho e pouco tempo livre para lazer. A babá Maria Soledade, de 50 anos, ilustra esse cenário: “Não tenho tempo para isso não”, diz ela, após descrever o dia a dia entre o emprego, os afazeres domésticos e o cuidado com a família.

Pesquisadoras e especialistas apontam que a ausência feminina no futebol é resultado de uma exclusão histórica, estrutural e simbólica. Para a pesquisadora Leda Maria da Costa, da UERJ, o futebol brasileiro ainda é socializado como um espaço masculino: “É um ato de resistência quando uma mulher se dedica ao futebol”, afirma.

Apesar de avanços como a exigência da CBF para que clubes tenham times femininos desde 2019, especialistas como Marina Zuaneti Martins (UFES) destacam que os acessos seguem restritos a regiões mais desenvolvidas e a mulheres de classes mais altas. Já nas regiões Norte, Centro-Oeste e no interior do país, a falta de tempo, incentivo e infraestrutura ainda são barreiras.

Para além da prática esportiva, o pertencimento a um clube também carrega uma dimensão simbólica e lúdica, como destaca o antropólogo Edison Gastaldo: “O futebol é uma brincadeira social. Quem não tem time, fica de fora da conversa”.

Mesmo assim, há sinais de mudança. O crescimento do futebol feminino, o surgimento de coletivos de torcedoras e a chegada da Copa do Mundo Feminina de 2027 ao Brasil podem abrir espaço para uma nova geração de torcedoras e mudar os números nos próximos anos.

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