Vai Passar é o enredo da estreante no Carnaval Virtual, a Crescente
A Crescente, escola de samba virtual filiada a Carnaval Virtual apresentará o enredo Vai Passar de autoria de Arthur Pascoa. A escola tem sua cidade-sede em São Paulo e foi fundada em maio de 2021. Confira abaixo a sinopse do enredo: Estreando na passarela virtual, o G.R.E.S.V. Crescente traz para seu desfile de 2021 no Grupo de […]
PORCarnaval Virtual13/6/2021|
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A Crescente, escola de samba virtual filiada a Carnaval Virtual apresentará o enredo Vai Passar de autoria de Arthur Pascoa. A escola tem sua cidade-sede em São Paulo e foi fundada em maio de 2021.
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Confira abaixo a sinopse do enredo:
Estreando na passarela virtual, o G.R.E.S.V. Crescente traz para seu desfile de 2021 no Grupo de Acesso II do Carnaval Virtual um olhar sobre o período da ditadura civil-militar brasileira compreendido entre os anos de 1964 e 1985 através da música como forma de resistência. A sinopse, narrada por Chico Buarque de Holanda, um dos principais compositores das chamadas canções de protesto do período, é construída através de citações e paráfrases de diversas canções listadas ao fim.
Eis o malandro na praça outra vez, caminhando na ponta dos pés, entre dados e coronéis, entre parangolés e patrões. Meu nome? Do rio que parte das Gerais de meu bisavô, atravessa a Bahia de meu tataravô e margeia a Pernambuco de meu avô, já distante da São Paulo de meu Pai e do Rio meu. Esta história eu vi, meninos, eu vivi. É história minha e de meus colegas de copo e de cruz. É história desta terra, que não tem sentido, que não tem juízo, que não tem vergonha, que não tem governo, que não tem decência, que não tem conserto. Nem nunca terá? Essa página infeliz da nossa história que começa numa noite de arrepiar cada paralelepípedo da velha cidade. Noite em que dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações. Em que a gente ordeira e virtuosa exercia seus podres poderes. Noite que fez o tempo rodar num instante, carregando o destino pra lá. Acorda, amor, que o bicho é bravo e não sossega. Tem gente já no vão da escada e a lei tem ouvidos pra te delatar nas pedras do teu próprio lar. E na gente deu o hábito de caminhar pelas trevas, de murmurar entre as pregas. Todo esse amor reprimido, esse grito contido, este samba no escuro. Mas mesmo calada a boca resta o peito e silêncio na cidade não se escuta. Mesmo com o cálice dessa bebida amarga que a gente tem que engolir. Deus lhe pague pela fumaça, desgraça que a gente tem que tossir. Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir. E você vai pagar e é dobrado cada lágrima rolada nesse meu penar. Mas não diga nada que me viu chorando e pros da pesada diz que eu vou levando. Eu que com razão peguei esse avião, corri assim desse frio, como tanta gente que partiu num rabo de foguete. Mas sei que vou voltar e hei de ouvir cantar uma sabiá. Para os que ficaram, a coisa aqui tá preta. Mas a gente vai levando. Mesmo com o nada feito, com a sala escura, com o nó no peito, com a cara dura.
Cai a tarde feito um viaduto e na calada da noite, no imundo xadrez, sessão de afogamento, chicote, garrote e punção. As praças manchadas por teus esquadrões. No solo do Brasil choram Marias e Clarices. Mães que só queriam embalar seus filhos, que já não podem mais cantar, que moram na escuridão do mar. Angelicais.
Podem me prender, podem me bater, podem até deixar-me sem comer, que eu não mudo de opinião. O sinal está fechado para nós, que somos jovens, mas pelas ruas marchando indecisões cordões ainda fazem da flor seu mais forte refrão e acreditam nas flores vencendo o canhão. Caminhando e cantando e seguindo a canção. Quem tiver nada pra perder vai formar comigo um imenso cordão. Como vai abafar nosso coro a cantar na sua frente? Você vai se amargar vendo o dia raiar sem lhe pedir licença e eu vou morrer de rir que esse dia há de vir antes do que você pensa. E o dia veio, raiou já faz tempo. Hoje essa passagem é desbotada na memória das nossas novas gerações. E aqueles que fizeram jorrar sangue demais estão em casa guardados por uma deusa ampla, geral e irrestrita. Enquanto na casa do povo suas memórias são louvadas. Será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América Católica que sempre precisará de ridículos tiranos? Não existe pecado do lado de baixo do equador? Apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos? Mas amanhã há de ser um novo ser dia porque o novo sempre vem. E a multidão há de ver atônita, ainda que tarde, o seu despertar. Enquanto eu puder cantar, alguém vai ter que me ouvir. Um dia afinal teremos direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia que se chama carnaval. Vai passar nessa avenida uma samba popular! Vai passar.
MÚSICAS CITADAS OU PARAFRASEADAS EM ORDEM DE APARIÇÃO: – A volta do malandro – Chico Buarque, 1985 – Paratodos – Chico Buarque, 1993 – Meninos, eu vi – Tom Jobim/Chico Buarque, 1983 – Minha história (Gesúbambino) – Lucio Dalla, Paola Pallotino/Chico Buarque, 1971 – O que será (À flor da terra) – Chico Buarque, 1976 – Vai passar – Francis Hime/Chico Buarque, 1984 – As caravanas – Chico Buarque, 2017 – Podres poderes – Caetano Veloso, 1984 – Roda viva – Chico Buarque, 1967 – Acorda, amor – Julinho da Adelaide (Chico Buarque), 1974 – Hino de Duran/Hino da repressão – Chico Buarque, 1979 – Rosa-dos-ventos – Chico Buarque, 1969 – Apesar de você – Chico Buarque, 1970 – Cálice – Gilberto Gil/Chico Buarque, 1973 – Deus lhe pague – Chico Buarque, 1971 – Samba de Orly – Toquinho/Chico Buarque, Vinícius de Moraes, 1970 – O bêbado e a equilibrista – João Bosco/Aldir Blanc, 1979 – Sabiá – Tom Jobim/Chico Buarque, 1968 – Meu caro amigo – Francis Hime/Chico Buarque, 1976 – Vai levando – Caetano Veloso/Chico Buarque, 1975 – Hino da repressão (segundo turno) – Chico Buarque, 1985 – Angélica – Miltinho/Chico Buarque, 1977 – Opinião – Zé Keti, 1964 – Como nossos pais – Belchior, 1976 – Pra não dizer que não falei das flores – Geraldo Vandré, 1968 – Cordão – Chico Buarque, 1971 – Não existe pecado ao sul do equador – Chico Buarque/Ruy Guerra, 1973
REGRAS PARA A DISPUTA DE SAMBA:
• As inscrições contendo a gravação em áudio da obra, a letra e o nome do(s) compositor(es) devem ser enviadas para o e-mail: [email protected] até sábado, 12 de junho de 2021.
• Qualquer pessoa está apta a inscrever quantas obras desejar, individualmente ou em parceria.
• Dúvidas poderão ser tiradas pelo mesmo email ou pelo Instagram da escola (@gresv_crescente).
• Todas as obras inscritas serão divulgadas pelo mesmo Instagram e o vencedor será anunciado no sábado, 19 de junho de 2021.
• A escola se reserva o direito de realizar fusões entre os sambas bem como quaisquer alterações em letra ou melodia julgadas necessárias. Tais fusões ou alterações serão divulgadas pelo mesmo canal.
A Crescente, escola de samba virtual filiada a Carnaval Virtual apresentará o enredo Vai Passar de autoria de Arthur Pascoa. A escola tem sua cidade-sede em São Paulo e foi fundada em maio de 2021.
Logo oficial completo da agremiação.
Confira abaixo a sinopse do enredo:
Estreando na passarela virtual, o G.R.E.S.V. Crescente traz para seu desfile de 2021 no Grupo de Acesso II do Carnaval Virtual um olhar sobre o período da ditadura civil-militar brasileira compreendido entre os anos de 1964 e 1985 através da música como forma de resistência. A sinopse, narrada por Chico Buarque de Holanda, um dos principais compositores das chamadas canções de protesto do período, é construída através de citações e paráfrases de diversas canções listadas ao fim.
Eis o malandro na praça outra vez, caminhando na ponta dos pés, entre dados e coronéis, entre parangolés e patrões. Meu nome? Do rio que parte das Gerais de meu bisavô, atravessa a Bahia de meu tataravô e margeia a Pernambuco de meu avô, já distante da São Paulo de meu Pai e do Rio meu. Esta história eu vi, meninos, eu vivi. É história minha e de meus colegas de copo e de cruz. É história desta terra, que não tem sentido, que não tem juízo, que não tem vergonha, que não tem governo, que não tem decência, que não tem conserto. Nem nunca terá? Essa página infeliz da nossa história que começa numa noite de arrepiar cada paralelepípedo da velha cidade. Noite em que dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações. Em que a gente ordeira e virtuosa exercia seus podres poderes. Noite que fez o tempo rodar num instante, carregando o destino pra lá. Acorda, amor, que o bicho é bravo e não sossega. Tem gente já no vão da escada e a lei tem ouvidos pra te delatar nas pedras do teu próprio lar. E na gente deu o hábito de caminhar pelas trevas, de murmurar entre as pregas. Todo esse amor reprimido, esse grito contido, este samba no escuro. Mas mesmo calada a boca resta o peito e silêncio na cidade não se escuta. Mesmo com o cálice dessa bebida amarga que a gente tem que engolir. Deus lhe pague pela fumaça, desgraça que a gente tem que tossir. Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir. E você vai pagar e é dobrado cada lágrima rolada nesse meu penar. Mas não diga nada que me viu chorando e pros da pesada diz que eu vou levando. Eu que com razão peguei esse avião, corri assim desse frio, como tanta gente que partiu num rabo de foguete. Mas sei que vou voltar e hei de ouvir cantar uma sabiá. Para os que ficaram, a coisa aqui tá preta. Mas a gente vai levando. Mesmo com o nada feito, com a sala escura, com o nó no peito, com a cara dura.
Cai a tarde feito um viaduto e na calada da noite, no imundo xadrez, sessão de afogamento, chicote, garrote e punção. As praças manchadas por teus esquadrões. No solo do Brasil choram Marias e Clarices. Mães que só queriam embalar seus filhos, que já não podem mais cantar, que moram na escuridão do mar. Angelicais.
Podem me prender, podem me bater, podem até deixar-me sem comer, que eu não mudo de opinião. O sinal está fechado para nós, que somos jovens, mas pelas ruas marchando indecisões cordões ainda fazem da flor seu mais forte refrão e acreditam nas flores vencendo o canhão. Caminhando e cantando e seguindo a canção. Quem tiver nada pra perder vai formar comigo um imenso cordão. Como vai abafar nosso coro a cantar na sua frente? Você vai se amargar vendo o dia raiar sem lhe pedir licença e eu vou morrer de rir que esse dia há de vir antes do que você pensa. E o dia veio, raiou já faz tempo. Hoje essa passagem é desbotada na memória das nossas novas gerações. E aqueles que fizeram jorrar sangue demais estão em casa guardados por uma deusa ampla, geral e irrestrita. Enquanto na casa do povo suas memórias são louvadas. Será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América Católica que sempre precisará de ridículos tiranos? Não existe pecado do lado de baixo do equador? Apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos? Mas amanhã há de ser um novo ser dia porque o novo sempre vem. E a multidão há de ver atônita, ainda que tarde, o seu despertar. Enquanto eu puder cantar, alguém vai ter que me ouvir. Um dia afinal teremos direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia que se chama carnaval. Vai passar nessa avenida uma samba popular! Vai passar.
MÚSICAS CITADAS OU PARAFRASEADAS EM ORDEM DE APARIÇÃO: – A volta do malandro – Chico Buarque, 1985 – Paratodos – Chico Buarque, 1993 – Meninos, eu vi – Tom Jobim/Chico Buarque, 1983 – Minha história (Gesúbambino) – Lucio Dalla, Paola Pallotino/Chico Buarque, 1971 – O que será (À flor da terra) – Chico Buarque, 1976 – Vai passar – Francis Hime/Chico Buarque, 1984 – As caravanas – Chico Buarque, 2017 – Podres poderes – Caetano Veloso, 1984 – Roda viva – Chico Buarque, 1967 – Acorda, amor – Julinho da Adelaide (Chico Buarque), 1974 – Hino de Duran/Hino da repressão – Chico Buarque, 1979 – Rosa-dos-ventos – Chico Buarque, 1969 – Apesar de você – Chico Buarque, 1970 – Cálice – Gilberto Gil/Chico Buarque, 1973 – Deus lhe pague – Chico Buarque, 1971 – Samba de Orly – Toquinho/Chico Buarque, Vinícius de Moraes, 1970 – O bêbado e a equilibrista – João Bosco/Aldir Blanc, 1979 – Sabiá – Tom Jobim/Chico Buarque, 1968 – Meu caro amigo – Francis Hime/Chico Buarque, 1976 – Vai levando – Caetano Veloso/Chico Buarque, 1975 – Hino da repressão (segundo turno) – Chico Buarque, 1985 – Angélica – Miltinho/Chico Buarque, 1977 – Opinião – Zé Keti, 1964 – Como nossos pais – Belchior, 1976 – Pra não dizer que não falei das flores – Geraldo Vandré, 1968 – Cordão – Chico Buarque, 1971 – Não existe pecado ao sul do equador – Chico Buarque/Ruy Guerra, 1973
REGRAS PARA A DISPUTA DE SAMBA:
• As inscrições contendo a gravação em áudio da obra, a letra e o nome do(s) compositor(es) devem ser enviadas para o e-mail: [email protected] até sábado, 12 de junho de 2021.
• Qualquer pessoa está apta a inscrever quantas obras desejar, individualmente ou em parceria.
• Dúvidas poderão ser tiradas pelo mesmo email ou pelo Instagram da escola (@gresv_crescente).
• Todas as obras inscritas serão divulgadas pelo mesmo Instagram e o vencedor será anunciado no sábado, 19 de junho de 2021.
• A escola se reserva o direito de realizar fusões entre os sambas bem como quaisquer alterações em letra ou melodia julgadas necessárias. Tais fusões ou alterações serão divulgadas pelo mesmo canal.