Claudio Russo faz homenagem poética à porta-bandeira Jéssica Ferreira
O compositor Claudio Russo, campeão em várias disputas de samba-enredo, é um dos profissionais mais respeitados da sua área de atuação. Ele fez uma linda homenagem à porta-bandeira da Unidos de Padre Miguel, Jéssica Ferreira, que por causa de uma entorse no joelho não pode prosseguir o desfile pela sua escola. Apesar da contusão – […]
PORSidney Rezende15/3/2017|
2 min de leitura
Acidente com Jéssica Ferreira. Foto: Reprodução TV Globo
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O compositor Claudio Russo, campeão em várias disputas de samba-enredo, é um dos profissionais mais respeitados da sua área de atuação. Ele fez uma linda homenagem à porta-bandeira da Unidos de Padre Miguel, Jéssica Ferreira, que por causa de uma entorse no joelho não pode prosseguir o desfile pela sua escola.
Apesar da contusão – e da dor profunda -, Jéssica não largou o mastro do seu pavilhão e manteve a bandeira em pé, mesmo que o seu corpo se dobrasse diante do inesperado. Pelo gesto, e pela altivez, com que enfrentou a situação, ela e seu companheiro de dança, o mestre-sala, Vinícius Antunes e o mestre Manoel Dionísio, professor de várias gerações de casais, conquistaram o Prêmio SRzd Carnaval 2017.
Leia o texto do poeta Claudio Russo:
A história do samba por vezes confunde-se com a história do negro no Brasil…
O Samba, negro e liberto, nasceu da necessidade de expressar os costumes, da importância real e simbólica de conquistar o espaço público e principalmente da luta de resistência para reafirmar seus dizeres contra a iníqua condição social, seus olhares sobre um mundo que não o enxergava e sua fé nos Orixás que por tantos anos o braço da repressão, fosse ele através do feitor ou do chefe de polícia, tentou sem conseguir exterminar a sopapo.
Ode a Porta Bandeira (Homenagem a Jéssica Ferreira Porta Bandeira da Unidos de Padre Miguel)
Samba é ritmo e dança… Sacerdócio, sacrifício e Bandeira, Samba é Batuque de Terreiro, Moleque Inzoneiro, Mestre Sala das calçadas… É a roda formada E a roda Gira…
Gira! Pra beleza ficar mais bonita, Pra que seja a grandeza infinita E mil vozes ecoem um canto…
Gira! Pelo o rito dos iniciados, Pra cadência dos sincopados E pra quem porta-se de um manto
Gira! Nestas ondas de saia rodada, Enciúma a lua prateada, Em que o cristal se avizinha ao faisão…
Gira! E levanta-se em sua pujança É rainha e corteja a elegância Pra bandeira não tocar o chão
Gira! Nos caminhos cruzados da Gira, Na esquina onde a alma se inspira Estão Unidos Padre e Orixá
E se por ventura! Alguém duvidar deste ensaio Sarta de banda incrédulo cambaio Deixa a Porta Bandeira girar…
E se ora a sabatina do tempo negligenciar o que é ser uma Porta Bandeira Tempo, tempo, tempo… Pergunte a Jéssica Ferreira.
Rio, 15 de março de 2017. Claudio Russo
O compositor Claudio Russo, campeão em várias disputas de samba-enredo, é um dos profissionais mais respeitados da sua área de atuação. Ele fez uma linda homenagem à porta-bandeira da Unidos de Padre Miguel, Jéssica Ferreira, que por causa de uma entorse no joelho não pode prosseguir o desfile pela sua escola.
Apesar da contusão – e da dor profunda -, Jéssica não largou o mastro do seu pavilhão e manteve a bandeira em pé, mesmo que o seu corpo se dobrasse diante do inesperado. Pelo gesto, e pela altivez, com que enfrentou a situação, ela e seu companheiro de dança, o mestre-sala, Vinícius Antunes e o mestre Manoel Dionísio, professor de várias gerações de casais, conquistaram o Prêmio SRzd Carnaval 2017.
Leia o texto do poeta Claudio Russo:
A história do samba por vezes confunde-se com a história do negro no Brasil…
O Samba, negro e liberto, nasceu da necessidade de expressar os costumes, da importância real e simbólica de conquistar o espaço público e principalmente da luta de resistência para reafirmar seus dizeres contra a iníqua condição social, seus olhares sobre um mundo que não o enxergava e sua fé nos Orixás que por tantos anos o braço da repressão, fosse ele através do feitor ou do chefe de polícia, tentou sem conseguir exterminar a sopapo.
Ode a Porta Bandeira (Homenagem a Jéssica Ferreira Porta Bandeira da Unidos de Padre Miguel)
Samba é ritmo e dança… Sacerdócio, sacrifício e Bandeira, Samba é Batuque de Terreiro, Moleque Inzoneiro, Mestre Sala das calçadas… É a roda formada E a roda Gira…
Gira! Pra beleza ficar mais bonita, Pra que seja a grandeza infinita E mil vozes ecoem um canto…
Gira! Pelo o rito dos iniciados, Pra cadência dos sincopados E pra quem porta-se de um manto
Gira! Nestas ondas de saia rodada, Enciúma a lua prateada, Em que o cristal se avizinha ao faisão…
Gira! E levanta-se em sua pujança É rainha e corteja a elegância Pra bandeira não tocar o chão
Gira! Nos caminhos cruzados da Gira, Na esquina onde a alma se inspira Estão Unidos Padre e Orixá
E se por ventura! Alguém duvidar deste ensaio Sarta de banda incrédulo cambaio Deixa a Porta Bandeira girar…
E se ora a sabatina do tempo negligenciar o que é ser uma Porta Bandeira Tempo, tempo, tempo… Pergunte a Jéssica Ferreira.