Combinamos de não morrer! Império escreve novo ‘capítulo de ouro’ na Sapucaí
Carnaval 2026. As escolas de samba da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro desfilam neste no sábado (14) na Marquês de Sapucaí. A 4ª escola a desfilar hoje foi o Império Serrano com o enredo: Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu. Uma homenagem superlativa de uma das mais vitoriosas e queridas agremiações do país […]
PORRedação SRzd15/2/2026|
5 min de leitura
Desfile da Série Ouro 2026. Foto: Juliana Dias/SRzd
Carnaval 2026. As escolas de samba da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro desfilam neste no sábado (14) na Marquês de Sapucaí.
A 4ª escola a desfilar hoje foi o Império Serrano com o enredo: Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu.
Uma homenagem superlativa de uma das mais vitoriosas e queridas agremiações do país voltar ao jogo, já que no ano passado não foi julgada por conta de um incêndio.
“É um momento que me realiza. É uma afirmativa de que a literatura deve pertencer a todos. Quando uma escola de samba se apropria da literatura, cria um discurso artístico e o oferece para o povo, eu fico feliz. Realiza justamente esse processo democrático que a leitura deve seguir”, celebrou Conceição Evaristo, a homenageada do enredo, momento antes do desfile.
+ VEJA A ANÁLISE DO DESFILE FEITA PELOS COMENTARISTAS DO SRzd:
CLÁUDIO FRANCIONI: O belíssimo desfile do Império Serrano foi embalado por um samba extremamente funcional. Melodia bem encaixadinha em uma boa letra, refrões leves e um time musical entrosado foram o suficiente para conduzir o ‘Reizinho de Madureira’ a se credenciar para voltar à elite do samba carioca.
JAIME CEZÁRIO: O enredo é uma homenagem à escritora brasileira Conceição Evaristo, uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea do Brasil, conhecida por celebrar, em sua obra, as experiências e vivências de mulheres negras — conceito que ela mesma denominou “escrevivências”.
A proposta foi transformar sua escrita e sua trajetória em um conto poético carnavalesco, mesclando ficção, personagens literários e elementos biográficos para evidenciar a força da literatura como instrumento de denúncia das desigualdades sociais, do racismo e da violência contra as mulheres.
A Serrinha chegou à Sapucaí com a força ancestral de seus baluartes e apresentou um belíssimo conjunto de fantasias, reafirmando a grandeza de uma escola nove vezes campeã do Grupo Especial. Foi emocionante assistir ao renascimento de uma gigante do nosso Carnaval, exaltando a potência do povo preto do samba de Madureira e Vaz Lobo.
O samba sintetizou essa mensagem: o negro é a raiz da liberdade. Confesso que meus olhos brilharam e marejaram.
As alegorias acompanharam esse brilho de renascimento imperial, traduzindo beleza, ancestralidade, refinamento e emoção. O Império é, sem dúvidas, patrimônio ancestral do samba.
Esse desfile fez a emoção transpirar em verde e branco pela minha pele, pela primeira vez neste Carnaval. Perdoem-me as escolas ricas e milionárias, mas assistimos a um verdadeiro banho de samba do povo preto imperial.
CÉLIA SOUTO: O Império Serrano entrou na Avenida defendendo o seu lindo samba com garra e emoção, componentes comprometidos cantaram e interpretaram o samba com domínio da melodia. Entrosados com o ritmo desfilaram evoluindo com fluência e samba no pé, mas houve uma alteração no andamento interferindo levemente na evolução do chão. Ainda assim, os componentes mantiveram o canto com segurança. A escola fez um lindo desfile acompanhando o intérprete Vítor Cunha e os demais músicos. A gente combinamos de não morrer!
*Nota da redação: na reta final do desfile, a escola teve de acelerar o passo para cumprir o tempo regulamentar.
BRUNO MORAES: Estreia do Mestre Sopinha à frente da bateria do Império Serrano! O público presenciou uma das atuações mais marcantes da Série Ouro.
A apresentação impressionou pela precisão cirúrgica, pela segurança na execução dos instrumentos e pela firmeza nas bossas, tudo conduzido com personalidade e domínio absoluto do ritmo. Além da técnica refinada, o swing da bateria fez a diferença, mostrando equilíbrio entre potência e cadência. O “Pancada do Tiro” arrepiou e levantou a avenida, confirmando o alto nível do conjunto.
O novo sempre vem e Sopinha chegou chegando, deixando sua marca com autoridade e mostrando que seu trabalho promete voos ainda mais altos.
ELIANE SOUZA: O casal do Império Serrano – Matheus Machado e Maura Luiza – desenvolveu um bailado bem moderno, no entanto, pude observar a preservação dos movimentos característicos de cada um dos dançarinos que, em grande sintonia, desenvolveram de forma potente seus passos, apresentando gestos bem marcados; destaco na movimentação do mestre-sala a grande habilidade em apresentar meneios, mesuras, fugas e contra fugas e expressivas piruetas.
Ele realiza um meio-sapateado bem desenhado, o cruzado, demonstrando a proteção ao bailar da porta bandeira, feito com bastante leveza, assim como a apresentação da bandeira. As nuances e gestos da porta-bandeira, se destacaram pela suavidade das ações e sustentação de braço e mão. Ela possui um sorriso envolvente e muita firmeza em seus deslocamentos, com passos seguros. O par revelou coordenação perfeita dos movimentos e a sintonia adquirida pelo ritual de ensaios e treinamentos conduziram a perfeita sincronização dos movimentos característicos da performance de cada um, edificando o bailado. Observa-se na performance a grande habilidade na execução dos giros da porta-bandeira, para os dois lados no sentido do horário, durante o movimento característico abano e, a forma atualizada como realiza o patinete, atravessado por passos do Jango e do Congada, numa movimentação moderna, que enriqueceu a edificação do bailado.
Bem alegre aconteceu a passagem de Paulo Carvalho e Isabela Latini, o terceiro casal, que com grande liberdade deslizaram pela Avenida.
O segundo casal – Rômulo Diniz e Livya Bergman – veio fechando o cortejo de bandeiras, exibindo elegância e muita cortesia do mestre-sala em sua performance.
Confira a ordem dos desfiles, definida em sorteio:
Vai ao sambódromo? Veja o que pode e o que não pode na Avenida:
Carnaval 2026. As escolas de samba da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro desfilam neste no sábado (14) na Marquês de Sapucaí.
A 4ª escola a desfilar hoje foi o Império Serrano com o enredo: Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu.
Uma homenagem superlativa de uma das mais vitoriosas e queridas agremiações do país voltar ao jogo, já que no ano passado não foi julgada por conta de um incêndio.
“É um momento que me realiza. É uma afirmativa de que a literatura deve pertencer a todos. Quando uma escola de samba se apropria da literatura, cria um discurso artístico e o oferece para o povo, eu fico feliz. Realiza justamente esse processo democrático que a leitura deve seguir”, celebrou Conceição Evaristo, a homenageada do enredo, momento antes do desfile.
+ VEJA A ANÁLISE DO DESFILE FEITA PELOS COMENTARISTAS DO SRzd:
CLÁUDIO FRANCIONI: O belíssimo desfile do Império Serrano foi embalado por um samba extremamente funcional. Melodia bem encaixadinha em uma boa letra, refrões leves e um time musical entrosado foram o suficiente para conduzir o ‘Reizinho de Madureira’ a se credenciar para voltar à elite do samba carioca.
JAIME CEZÁRIO: O enredo é uma homenagem à escritora brasileira Conceição Evaristo, uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea do Brasil, conhecida por celebrar, em sua obra, as experiências e vivências de mulheres negras — conceito que ela mesma denominou “escrevivências”.
A proposta foi transformar sua escrita e sua trajetória em um conto poético carnavalesco, mesclando ficção, personagens literários e elementos biográficos para evidenciar a força da literatura como instrumento de denúncia das desigualdades sociais, do racismo e da violência contra as mulheres.
A Serrinha chegou à Sapucaí com a força ancestral de seus baluartes e apresentou um belíssimo conjunto de fantasias, reafirmando a grandeza de uma escola nove vezes campeã do Grupo Especial. Foi emocionante assistir ao renascimento de uma gigante do nosso Carnaval, exaltando a potência do povo preto do samba de Madureira e Vaz Lobo.
O samba sintetizou essa mensagem: o negro é a raiz da liberdade. Confesso que meus olhos brilharam e marejaram.
As alegorias acompanharam esse brilho de renascimento imperial, traduzindo beleza, ancestralidade, refinamento e emoção. O Império é, sem dúvidas, patrimônio ancestral do samba.
Esse desfile fez a emoção transpirar em verde e branco pela minha pele, pela primeira vez neste Carnaval. Perdoem-me as escolas ricas e milionárias, mas assistimos a um verdadeiro banho de samba do povo preto imperial.
CÉLIA SOUTO: O Império Serrano entrou na Avenida defendendo o seu lindo samba com garra e emoção, componentes comprometidos cantaram e interpretaram o samba com domínio da melodia. Entrosados com o ritmo desfilaram evoluindo com fluência e samba no pé, mas houve uma alteração no andamento interferindo levemente na evolução do chão. Ainda assim, os componentes mantiveram o canto com segurança. A escola fez um lindo desfile acompanhando o intérprete Vítor Cunha e os demais músicos. A gente combinamos de não morrer!
*Nota da redação: na reta final do desfile, a escola teve de acelerar o passo para cumprir o tempo regulamentar.
BRUNO MORAES: Estreia do Mestre Sopinha à frente da bateria do Império Serrano! O público presenciou uma das atuações mais marcantes da Série Ouro.
A apresentação impressionou pela precisão cirúrgica, pela segurança na execução dos instrumentos e pela firmeza nas bossas, tudo conduzido com personalidade e domínio absoluto do ritmo. Além da técnica refinada, o swing da bateria fez a diferença, mostrando equilíbrio entre potência e cadência. O “Pancada do Tiro” arrepiou e levantou a avenida, confirmando o alto nível do conjunto.
O novo sempre vem e Sopinha chegou chegando, deixando sua marca com autoridade e mostrando que seu trabalho promete voos ainda mais altos.
ELIANE SOUZA: O casal do Império Serrano – Matheus Machado e Maura Luiza – desenvolveu um bailado bem moderno, no entanto, pude observar a preservação dos movimentos característicos de cada um dos dançarinos que, em grande sintonia, desenvolveram de forma potente seus passos, apresentando gestos bem marcados; destaco na movimentação do mestre-sala a grande habilidade em apresentar meneios, mesuras, fugas e contra fugas e expressivas piruetas.
Ele realiza um meio-sapateado bem desenhado, o cruzado, demonstrando a proteção ao bailar da porta bandeira, feito com bastante leveza, assim como a apresentação da bandeira. As nuances e gestos da porta-bandeira, se destacaram pela suavidade das ações e sustentação de braço e mão. Ela possui um sorriso envolvente e muita firmeza em seus deslocamentos, com passos seguros. O par revelou coordenação perfeita dos movimentos e a sintonia adquirida pelo ritual de ensaios e treinamentos conduziram a perfeita sincronização dos movimentos característicos da performance de cada um, edificando o bailado. Observa-se na performance a grande habilidade na execução dos giros da porta-bandeira, para os dois lados no sentido do horário, durante o movimento característico abano e, a forma atualizada como realiza o patinete, atravessado por passos do Jango e do Congada, numa movimentação moderna, que enriqueceu a edificação do bailado.
Bem alegre aconteceu a passagem de Paulo Carvalho e Isabela Latini, o terceiro casal, que com grande liberdade deslizaram pela Avenida.
O segundo casal – Rômulo Diniz e Livya Bergman – veio fechando o cortejo de bandeiras, exibindo elegância e muita cortesia do mestre-sala em sua performance.
Confira a ordem dos desfiles, definida em sorteio:
Vai ao sambódromo? Veja o que pode e o que não pode na Avenida: