Há 40 anos, Mangueira arrebatava Sapucaí e a taça só com tamborim e samba no pé

  • Icon instagram_blue
  • Icon youtube_blue
  • Icon x_blue
  • Icon facebook_blue
  • Icon google_blue

MEMÓRIA SRzd: Há 40 anos, Mangueira arrebatava Sapucaí e a taça só com tamborim e samba no pé “Lua cheia Leva a jangada pro mar Oh! sereia Como é belo o teu cantar Das estrelas A mais linda tá no gantois Mangueira berço do samba Caymmi a inspiração Que mora no meu coração Bahia terra […]

POR Redação SRzd 24/3/2026| 3 min de leitura

Há 40 anos, Mangueira arrebatava Sapucaí e a taça só com tamborim e samba no pé

Há 40 anos, Mangueira arrebatava Sapucaí e a taça só com tamborim e samba no pé

| Siga-nos

MEMÓRIA SRzd: Há 40 anos, Mangueira arrebatava Sapucaí e a taça só com tamborim e samba no pé

“Lua cheia
Leva a jangada pro mar
Oh! sereia
Como é belo o teu cantar
Das estrelas
A mais linda tá no gantois
Mangueira berço do samba
Caymmi a inspiração
Que mora no meu coração
Bahia terra sagrada
Iemanjá, Iansã
Mangueira super campeã”.

Os versos acima, do samba de enredo mangueirense para o Carnaval de 1986, certamente estão entre os mais poéticos e melodiosos de todos os tempos. Somados a um refrão “chiclete”, conduziram a verde e rosa ao campeonato daquele ano.

Ano em que a atual campeã, a Mocidade, apresentou-se bem abaixo do histórico Ziriguidum de 85, já que seu então patrono, Castor de Andrade, concentrou seus “investimentos” no futebol, mais precisamente no Bangu. Salgueiro, Vila Isabel e Imperatriz, também foram decepções naquele concurso.

Na briga mesmo, Beija-Flor – que ficou com o vice ao perder pontos justamente em samba – , em outro cortejo épico ao atravessar a Avenida alagada debaixo de um dilúvio, e Império Serrano, ainda altivo, temido e forte, com seu envolvente e contestador Eu Quero. A maior derrapada imperiana, como quase sempre, foi em alegorias.

E junto dos julgadores, a Mangueira reinou soberana perdendo apenas um ponto, também no quesito que avaliava os carros alegóricos. No caso verde e rosa, bem modestos, como era comum a escola apresentar naqueles tempos.

Aliás, tempos em que era possível ganhar um Carnaval sem muito luxo ou ostentação. Nada de idéias mirabolantes, enredos incompreensíveis. A Mangueira fez o simples, mas contou com algo que o dinheiro não pode realizar: samba na boca do povo, comunidade riscando o asfalto cantando a plenos pulmões, interação total com o público e uma bela homenagem. Nessa passagem, ao grande Dorival Caymmi e a velha Bahia.

Naquele ano, a Estação Primeira de Mangueira conquistava o seu décimo quinto título, com desfile desenvolvido pelo carnavalesco Júlio Mattos, que ainda foi bicampeão e vice nos dois anos seguintes. Mesmo contrariando recomendações médicas, Caymmi participou da apresentação, desfilando em uma das alegorias. O combustível de mais um Carnaval inesquecível da velha Manga foi seu samba que tem assinatura de Ivo Meirelles, Lula e Paulinho. Também inesquecivelmente foi a interpretação de seu eterno cantor, o gênio Jamelão. Teve xim-xim, acarajé e sobrou tamborim e samba no pé (relembre):

Rodapé - carnaval rio

MEMÓRIA SRzd: Há 40 anos, Mangueira arrebatava Sapucaí e a taça só com tamborim e samba no pé

“Lua cheia
Leva a jangada pro mar
Oh! sereia
Como é belo o teu cantar
Das estrelas
A mais linda tá no gantois
Mangueira berço do samba
Caymmi a inspiração
Que mora no meu coração
Bahia terra sagrada
Iemanjá, Iansã
Mangueira super campeã”.

Os versos acima, do samba de enredo mangueirense para o Carnaval de 1986, certamente estão entre os mais poéticos e melodiosos de todos os tempos. Somados a um refrão “chiclete”, conduziram a verde e rosa ao campeonato daquele ano.

Ano em que a atual campeã, a Mocidade, apresentou-se bem abaixo do histórico Ziriguidum de 85, já que seu então patrono, Castor de Andrade, concentrou seus “investimentos” no futebol, mais precisamente no Bangu. Salgueiro, Vila Isabel e Imperatriz, também foram decepções naquele concurso.

Na briga mesmo, Beija-Flor – que ficou com o vice ao perder pontos justamente em samba – , em outro cortejo épico ao atravessar a Avenida alagada debaixo de um dilúvio, e Império Serrano, ainda altivo, temido e forte, com seu envolvente e contestador Eu Quero. A maior derrapada imperiana, como quase sempre, foi em alegorias.

E junto dos julgadores, a Mangueira reinou soberana perdendo apenas um ponto, também no quesito que avaliava os carros alegóricos. No caso verde e rosa, bem modestos, como era comum a escola apresentar naqueles tempos.

Aliás, tempos em que era possível ganhar um Carnaval sem muito luxo ou ostentação. Nada de idéias mirabolantes, enredos incompreensíveis. A Mangueira fez o simples, mas contou com algo que o dinheiro não pode realizar: samba na boca do povo, comunidade riscando o asfalto cantando a plenos pulmões, interação total com o público e uma bela homenagem. Nessa passagem, ao grande Dorival Caymmi e a velha Bahia.

Naquele ano, a Estação Primeira de Mangueira conquistava o seu décimo quinto título, com desfile desenvolvido pelo carnavalesco Júlio Mattos, que ainda foi bicampeão e vice nos dois anos seguintes. Mesmo contrariando recomendações médicas, Caymmi participou da apresentação, desfilando em uma das alegorias. O combustível de mais um Carnaval inesquecível da velha Manga foi seu samba que tem assinatura de Ivo Meirelles, Lula e Paulinho. Também inesquecivelmente foi a interpretação de seu eterno cantor, o gênio Jamelão. Teve xim-xim, acarajé e sobrou tamborim e samba no pé (relembre):

Rodapé - carnaval rio

Notícias Relacionadas

Ver tudo