Ilha faz desfile correto e coração insulano se enche de esperança
Carnaval 2026. As escolas de samba da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro desfilam na sexta-feira (13) e no sábado (14), a partir das 22h. A 6ª escola a desfilar foi a União da Ilha do Governador com o enredo: Viva o Hoje! O Amanhã? Fica Pra Depois! Longe do Grupo Especial desde […]
PORRedação SRzd14/2/2026|
5 min de leitura
Desfile da Série Ouro 2026. Foto: Juliana Dias/SRzd
Carnaval 2026. As escolas de samba da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro desfilam na sexta-feira (13) e no sábado (14), a partir das 22h.
A 6ª escola a desfilar foi a União da Ilha do Governador com o enredo: Viva o Hoje! O Amanhã? Fica Pra Depois!
Longe do Grupo Especial desde 2020, uma das mais queridas escolas de samba do país tenta se reencontrar com seus melhores dias. Ainda no Acesso, a Ilha passou correta, mas deixando a impressão de que faltou o seu conhecido tempero de outras épocas para poder sonhar mais alto.
+ VEJA A ANÁLISE DO DESFILE FEITA PELOS COMENTARISTAS DO SRzd:
JAIME CEZÁRIO: A narrativa do enredo parte de uma metáfora cósmica inspirada no Cometa Halley, cuja passagem visível pela Terra, em 1910, provocou temor e fascínio. Na época, muitos acreditaram que o fenômeno anunciava o fim do mundo, o que transformou o cometa em símbolo simultâneo de mistério, medo e celebração em diversas culturas. A escola se apropria desse episódio histórico para convertê-lo em um chamado à valorização do presente: diante da incerteza do amanhã, resta viver intensamente o hoje. Assim, o desfile propõe uma exaltação à vida e à folia carnavalesca como expressões máximas dessa filosofia — a festa acontece agora; o futuro pertence ao depois.
Nas fantasias, percebe-se o toque autoral do carnavalesco, com forte influência estética da Belle Époque, traduzida em volumes exuberantes, riqueza ornamental e acabamento refinado. Há uma evidente preocupação com a qualidade dos materiais e com o impacto visual, resultando em figurinos belos e tecnicamente bem executados. Contudo, apesar da sofisticação plástica, algumas alas apresentaram certa dificuldade de leitura imediata, o que comprometeu a compreensão clara da narrativa proposta.
As alegorias seguiram a mesma linha estética: grandiosas, bem estruturadas e com uso qualificado de materiais. Visualmente imponentes, cumpriram o papel de impacto cênico na Avenida. Entretanto, assim como ocorreu nas fantasias, houve fragilidade na tradução simbólica de alguns elementos, dificultando a assimilação plena dos significados representados e enfraquecendo a comunicação do enredo com o público.
BRUNO MORAES: A Baterilha do Mestre Marcelo Santos está em outro nível. Mantendo suas características já consagradas, apresenta caixas rufando com extrema precisão, marcações com afinação equilibrada e toques firmes, além de um tamborim no 3×1 muito bem executado. As convenções surgem perfeitamente encaixadas no samba, reforçando a identidade da bateria e elevando ainda mais o conjunto musical.
CLÁUDIO FRANCIONI: O samba da União da Ilha não estava entre os melhores do Grupo. O bom intérprete Tem Tem Jr. e a ótima bateria de Mestre Marcelo tentaram, com cacos “motivacionais” e um andamento mais pra frente, dar uma levantada no seu desempenho, mas a Avenida não respondeu como o esperado.
CÉLIA SOUTO: A escola se apresentou demonstrando comprometimento com o canto e a dança, incentivados a cantar e sair do chão pelo intérprete Tem Tem Jr., os componentes cantaram o seu samba na totalidade demonstrando muito empenho e animação. A escola demonstrou sintonia entre ritmo, intérprete e demais músicos. O canto soou com força na Avenida e a evolução fluiu ao longo da apresentação. Destaco um ótimo trabalho musical da União da Ilha e um desfile com maturidade e segurança.
ELIANE SOUZA: Observei um diferencial: os pavilhões conduzidos pelas porta-bandeiras da Ilha, são de tamanho maior que as bandeiras das outras agremiações! Eles são maiores!
O estreante casal da Ilha do Governador – João Oliveira e Duda Martins – desenvolveu uma coreografia com determinação e grande habilidade. A porta-bandeira apresentou giros, nos dois sentidos do horário, de forma personalíssima, no estilo vigoroso, desfraldando a bandeira com perfeição. A dama tem um girar marcante que equilibra força e suavidade. Ela insinuou um “cintyasantos” ao realizar o abano.
Pudemos apreciar uma performance atualizada na qual foram preservados os movimentos característicos do bailados. O mestre sala demonstrou muita cortesia e elegância conduzindo a dança e a porta bandeira com um adereço de mão. Ele fez um perfeito manuseio do leque e demonstrou conhecimento dos movimentos característicos pela forma singela na realização dos mesmo. Ele dançou para sua dama que, desfraldou o pavilhão com singeleza, e executou o Balaço sem apoio, num afago ao estilo “michellelima”, enquanto se deslocava no espaço! Aliás, as nuances apresentadas pela porta-bandeira, a movimentação de braço e mão, diferenciada e ela, sestrosa, várias vezes repousa a mão na cintura! Um luxo!
Marvyn Souza e Giselly Assumpção – o segundo casal – fez um desfile confiante, apresentando os movimentos característicos de forma singela! Bonito de ver!
Confira a ordem dos desfiles, definida em sorteio:
Carnaval 2026. As escolas de samba da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro desfilam na sexta-feira (13) e no sábado (14), a partir das 22h.
A 6ª escola a desfilar foi a União da Ilha do Governador com o enredo: Viva o Hoje! O Amanhã? Fica Pra Depois!
Longe do Grupo Especial desde 2020, uma das mais queridas escolas de samba do país tenta se reencontrar com seus melhores dias. Ainda no Acesso, a Ilha passou correta, mas deixando a impressão de que faltou o seu conhecido tempero de outras épocas para poder sonhar mais alto.
+ VEJA A ANÁLISE DO DESFILE FEITA PELOS COMENTARISTAS DO SRzd:
JAIME CEZÁRIO: A narrativa do enredo parte de uma metáfora cósmica inspirada no Cometa Halley, cuja passagem visível pela Terra, em 1910, provocou temor e fascínio. Na época, muitos acreditaram que o fenômeno anunciava o fim do mundo, o que transformou o cometa em símbolo simultâneo de mistério, medo e celebração em diversas culturas. A escola se apropria desse episódio histórico para convertê-lo em um chamado à valorização do presente: diante da incerteza do amanhã, resta viver intensamente o hoje. Assim, o desfile propõe uma exaltação à vida e à folia carnavalesca como expressões máximas dessa filosofia — a festa acontece agora; o futuro pertence ao depois.
Nas fantasias, percebe-se o toque autoral do carnavalesco, com forte influência estética da Belle Époque, traduzida em volumes exuberantes, riqueza ornamental e acabamento refinado. Há uma evidente preocupação com a qualidade dos materiais e com o impacto visual, resultando em figurinos belos e tecnicamente bem executados. Contudo, apesar da sofisticação plástica, algumas alas apresentaram certa dificuldade de leitura imediata, o que comprometeu a compreensão clara da narrativa proposta.
As alegorias seguiram a mesma linha estética: grandiosas, bem estruturadas e com uso qualificado de materiais. Visualmente imponentes, cumpriram o papel de impacto cênico na Avenida. Entretanto, assim como ocorreu nas fantasias, houve fragilidade na tradução simbólica de alguns elementos, dificultando a assimilação plena dos significados representados e enfraquecendo a comunicação do enredo com o público.
BRUNO MORAES: A Baterilha do Mestre Marcelo Santos está em outro nível. Mantendo suas características já consagradas, apresenta caixas rufando com extrema precisão, marcações com afinação equilibrada e toques firmes, além de um tamborim no 3×1 muito bem executado. As convenções surgem perfeitamente encaixadas no samba, reforçando a identidade da bateria e elevando ainda mais o conjunto musical.
CLÁUDIO FRANCIONI: O samba da União da Ilha não estava entre os melhores do Grupo. O bom intérprete Tem Tem Jr. e a ótima bateria de Mestre Marcelo tentaram, com cacos “motivacionais” e um andamento mais pra frente, dar uma levantada no seu desempenho, mas a Avenida não respondeu como o esperado.
CÉLIA SOUTO: A escola se apresentou demonstrando comprometimento com o canto e a dança, incentivados a cantar e sair do chão pelo intérprete Tem Tem Jr., os componentes cantaram o seu samba na totalidade demonstrando muito empenho e animação. A escola demonstrou sintonia entre ritmo, intérprete e demais músicos. O canto soou com força na Avenida e a evolução fluiu ao longo da apresentação. Destaco um ótimo trabalho musical da União da Ilha e um desfile com maturidade e segurança.
ELIANE SOUZA: Observei um diferencial: os pavilhões conduzidos pelas porta-bandeiras da Ilha, são de tamanho maior que as bandeiras das outras agremiações! Eles são maiores!
O estreante casal da Ilha do Governador – João Oliveira e Duda Martins – desenvolveu uma coreografia com determinação e grande habilidade. A porta-bandeira apresentou giros, nos dois sentidos do horário, de forma personalíssima, no estilo vigoroso, desfraldando a bandeira com perfeição. A dama tem um girar marcante que equilibra força e suavidade. Ela insinuou um “cintyasantos” ao realizar o abano.
Pudemos apreciar uma performance atualizada na qual foram preservados os movimentos característicos do bailados. O mestre sala demonstrou muita cortesia e elegância conduzindo a dança e a porta bandeira com um adereço de mão. Ele fez um perfeito manuseio do leque e demonstrou conhecimento dos movimentos característicos pela forma singela na realização dos mesmo. Ele dançou para sua dama que, desfraldou o pavilhão com singeleza, e executou o Balaço sem apoio, num afago ao estilo “michellelima”, enquanto se deslocava no espaço! Aliás, as nuances apresentadas pela porta-bandeira, a movimentação de braço e mão, diferenciada e ela, sestrosa, várias vezes repousa a mão na cintura! Um luxo!
Marvyn Souza e Giselly Assumpção – o segundo casal – fez um desfile confiante, apresentando os movimentos característicos de forma singela! Bonito de ver!
Confira a ordem dos desfiles, definida em sorteio: