Simples, mas correta, Tuiuti abre 3ª noite dos desfiles na Sapucaí
CARNAVAL 2026: O Carnaval do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026 acontece nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, com as seis primeiras colocadas voltando para celebrar o desempenho no concurso no sábado das Campeãs, dia 21. O Paraíso do Tuiuti abriu a terceira e última noite de espetáculo na Sapucaí. Sonhando […]
PORRedação SRzd17/2/2026|
7 min de leitura
Desfile do Grupo Especial 2026. Foto: Juliana Dias/SRzd
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CARNAVAL 2026: O Carnaval do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026 acontece nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, com as seis primeiras colocadas voltando para celebrar o desempenho no concurso no sábado das Campeãs, dia 21.
O Paraíso do Tuiuti abriu a terceira e última noite de espetáculo na Sapucaí. Sonhando com uma volta do desfile das campeãs, como aconteceu em 2018.
Com um orçamento evidente menor que maior parte das coirmãs, estampado na execução de seu conjunto plástico, passou sem maiores problemas pela Avenida e defendeu com categoria um belo enredo, e um belo samba.
Quem tem medo do Tuiuti?
É um mantra dos concursos carnavalescos: Escola que sobe, é “favorita” pra descer no ano seguinte.
É mantra dos concursos carnavalescos: Jurados pesam a mão ou aliviam nas notas de acordo com o “peso” do pavilhão em questão.
O Paraíso do Tuiuti subiu em 2016 ao Grupo Especial carioca e na estreia, no ano seguinte, quase voltou ao Acesso, ficando com o 12º lugar.
Num desfile emblemático, em 2018, surpreendeu e foi vice-campeã.
O resultado teria causado espanto e receio de que uma recém-chegada no baile de elite pudesse “roubar” a vaga de uma coirmã mais tradicional?
Essa resposta, formalmente, não existe.
Mas o que existe é que nos concursos seguintes, muitas notas dadas ao Tuiuti geraram controvérsia e a escola nunca mais passou de um 8º lugar até aqui.
Lonã Ifá Lukumi é o tema deste ano, num enredo que narra a história de uma vertente religiosa afro-cubana que vem sendo redescoberta no Brasil. Devidamente elogiado pela crítica especializada. O samba, igualmente reconhecido. E o que será quando as notas se abrirem mais uma vez para o Tuiuti?
+ AVALIAÇÃO DO DESFILE:
+ O QUE VIRAM OS COMENTARISTAS DO SRzd:
BRUNO MORAES: O povo preto do Tuiuti desceu a lenha no ritmo. A bateria mostrou personalidade, potência e, acima de tudo, consciência do andamento. Tudo foi executado como planejado. As bossas com os atabaques funcionaram com precisão, musicalidade e impacto, criando um momento de fantástico. A interação com a rainha Mayara foi espontânea, vibrante e levantou o público, que respondeu na mesma intensidade.
O andamento constante deu sustentação ao desfile inteiro. Segurança foi a palavra que definiu a apresentação, principalmente nos arranjos, talvez os mais bem encaixados e mais harmônicos com o samba da noite. Nada soou forçado ou exagerado. Mestre Marcão e sua equipe entregaram mais uma exibição de ritmo coeso, firme e maduro.
CLÁUDIO FRANCIONI: Apesar da difícil compreensão, o samba da Tuiuti é um dos destaques do ano. É daqueles sambas que hoje em dia chamamos de valente, vibrante. Pixulé fechou com chave de ouro um ano onde se destacou muito, principalmente pelo encaixe de sua potente voz na bela obra.
CÉLIA SOUTO: Com o seu lindo samba repleto de Axé a escola apresentou um desfile sincronizado entre canto, ritmo e dança. Componentes cantando e dançando com garra, força, compromisso, emoção e interpretação conduzidos pelo intérprete Pixule e demais músicos apresentaram um desfile excelente comunicativo e carismático. Tuiuti cantou e encantou.
JAIME CEZÁRIO: O Paraíso do Tuiuti levou à Avenida um enredo de forte densidade simbólica ao abordar as tradições religiosas afro-cubanas, com destaque para o universo Lukumí e o sistema de Ifá. A narrativa partiu da criação do Ifá no Orum, estabeleceu paralelos com práticas divinatórias do Egito faraônico e acompanhou seus deslocamentos até a América, culminando em sua consolidação em Cuba. Em atmosfera ritualística, o desfile ressaltou espiritualidade e ancestralidade como eixos centrais, evocando Orunmilá, o rigor oracular e a cosmologia iorubá recriada no Caribe.
O recorte dialogou ainda com um movimento histórico mais amplo: ao longo do século XX — intensificado nas últimas décadas — ampliou-se o intercâmbio religioso entre Brasil e Cuba. Babalaôs da tradição Lukumí passaram a atuar no Brasil, difundindo o sistema de Ifá de forma mais estruturada e promovendo maior aproximação entre as matrizes afro-brasileiras e a organização litúrgica desenvolvida na Ilha.
Assim, o desfile não apenas celebrou uma tradição específica, mas evidenciou os fluxos atlânticos que conectam África, Cuba e Brasil, reafirmando o carnaval como espaço de memória, circulação cultural e reencontro diaspórico.
As fantasias privilegiaram referências afro-diaspóricas, com uma marcante abertura em branco e prata, evocando elementos simbólicos associados aos orixás. Bem elaboradas e diretamente vinculadas ao enredo, apresentaram paletas cromáticas variadas e coerentes com cada segmento narrativo. O conjunto demonstrou respeito estético ao tema, embora algumas soluções tenham oscilado quanto à clareza de leitura para o público em geral. Ainda assim, a proposta manteve coerência simbólica e força plástica.
As alegorias apresentaram-se como estruturas de elevada carga simbólica, concebidas quase como altares que materializavam o universo Lukumí e o sistema de Ifá. O maior impacto visual concentrou-se na abertura em branco e prata, de efeito plástico expressivo; as demais seguiram um padrão menos monumental. No conjunto, porém, reforçaram a dimensão espiritual e ancestral da proposta. O samba, que explodiu nos ensaios técnicos e teve boa aceitação, encontrou maior resistência na Avenida, possivelmente porque a compreensão plena do enredo exigia um repertório cultural mais específico, o que limitou a interação do público.
ELIANE SOUZA: Sob orientação da coreógrafa Celeste Lima , o casal – Vinicius Antunes e Rebeca Tito – se apresentou de forma exuberante, realizando os movimentos característicos do bailado do mestre-sala e porta-bandeira, evidenciando-se na coreografia do mestre-sala a execução do meio sapateado, da carrapeta, do cruzado simples; muitas reverências, mesuras e meneios, fugas e contra-fugas! Ele dançando para a porta-bandeira, abrindo um espaço para que ela pudesse desfraldar com segurança, em seus giros no abano , o pavilhão, e ela muito firme e potente na execução de sua performance, elaborou nuances relativas a letra do samba-enredo de uma forma que se encaixou perfeitamente em sua movimentação, sem prejuízo para o bailado. Movimentação do bailar mantida e realizada de forma moderna! Lindíssimos!
Trazendo o segundo pavilhão da escola, apreciei o bailado de Jorge Vinicius e Edna Ramos, que de forma graciosa, gentil, tendo mestre-sala cortejado com muitas reverências a porta-bandeira que elaborou seus giros no abano, apresentou o pavilhão de forma elegante e muito bonita!
Responsáveis pelo terceiro pavilhão da escola, deslizaram pela Avenida o mestre-sala e a porta-bandeira Tony Ramos e Ludmyla Paaltiel!
+ VEJA A LOGO DO ENREDO:
+ CONHEÇA O TIME DA ESCOLA:
INTÉRPRETE – Pixulé
MESTRE DE BATERIA – Marcão
RAINHA DE BATERIA – Mayara Lima
1º CASAL DE MSPB – Vinícius Antunes e Rebeca Tito
CARNAVALESCO – Jack Vasconcelos
COREÓGRAFO DE COMISSÃO DE FRENTE – David Lima
+ OUÇA O SAMBA-ENREDO:
+ VEJA O DESEMPENHO DA ESCOLA NOS ÚLTIMOS 6 ANOS:
(veja a ordem oficial de desfiles oficial em 2026):
+ domingo, 15 de fevereiro:
1º: Acadêmicos de Niterói (Campeã do Acesso 2025)
2º: Imperatriz Leopoldinense
3º: Portela
4º: Estação Primeira de Mangueira
+ segunda-feira, 16 de fevereiro:
1º: Mocidade Independente de Padre Miguel (11ª colocada em 2025)
2º: Beija-Flor de Nilópolis
3º: Unidos do Viradouro
4º: Unidos da Tijuca
+ terça-feira, 17 de fevereiro:
1º: Paraíso do Tuiuti (10ª colocada em 2025)
2º: Unidos de Vila Isabel
3º: Acadêmicos do Grande Rio
4º: Acadêmicos do Salgueiro
CARNAVAL 2026: O Carnaval do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026 acontece nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, com as seis primeiras colocadas voltando para celebrar o desempenho no concurso no sábado das Campeãs, dia 21.
O Paraíso do Tuiuti abriu a terceira e última noite de espetáculo na Sapucaí. Sonhando com uma volta do desfile das campeãs, como aconteceu em 2018.
Com um orçamento evidente menor que maior parte das coirmãs, estampado na execução de seu conjunto plástico, passou sem maiores problemas pela Avenida e defendeu com categoria um belo enredo, e um belo samba.
Quem tem medo do Tuiuti?
É um mantra dos concursos carnavalescos: Escola que sobe, é “favorita” pra descer no ano seguinte.
É mantra dos concursos carnavalescos: Jurados pesam a mão ou aliviam nas notas de acordo com o “peso” do pavilhão em questão.
O Paraíso do Tuiuti subiu em 2016 ao Grupo Especial carioca e na estreia, no ano seguinte, quase voltou ao Acesso, ficando com o 12º lugar.
Num desfile emblemático, em 2018, surpreendeu e foi vice-campeã.
O resultado teria causado espanto e receio de que uma recém-chegada no baile de elite pudesse “roubar” a vaga de uma coirmã mais tradicional?
Essa resposta, formalmente, não existe.
Mas o que existe é que nos concursos seguintes, muitas notas dadas ao Tuiuti geraram controvérsia e a escola nunca mais passou de um 8º lugar até aqui.
Lonã Ifá Lukumi é o tema deste ano, num enredo que narra a história de uma vertente religiosa afro-cubana que vem sendo redescoberta no Brasil. Devidamente elogiado pela crítica especializada. O samba, igualmente reconhecido. E o que será quando as notas se abrirem mais uma vez para o Tuiuti?
+ AVALIAÇÃO DO DESFILE:
+ O QUE VIRAM OS COMENTARISTAS DO SRzd:
BRUNO MORAES: O povo preto do Tuiuti desceu a lenha no ritmo. A bateria mostrou personalidade, potência e, acima de tudo, consciência do andamento. Tudo foi executado como planejado. As bossas com os atabaques funcionaram com precisão, musicalidade e impacto, criando um momento de fantástico. A interação com a rainha Mayara foi espontânea, vibrante e levantou o público, que respondeu na mesma intensidade.
O andamento constante deu sustentação ao desfile inteiro. Segurança foi a palavra que definiu a apresentação, principalmente nos arranjos, talvez os mais bem encaixados e mais harmônicos com o samba da noite. Nada soou forçado ou exagerado. Mestre Marcão e sua equipe entregaram mais uma exibição de ritmo coeso, firme e maduro.
CLÁUDIO FRANCIONI: Apesar da difícil compreensão, o samba da Tuiuti é um dos destaques do ano. É daqueles sambas que hoje em dia chamamos de valente, vibrante. Pixulé fechou com chave de ouro um ano onde se destacou muito, principalmente pelo encaixe de sua potente voz na bela obra.
CÉLIA SOUTO: Com o seu lindo samba repleto de Axé a escola apresentou um desfile sincronizado entre canto, ritmo e dança. Componentes cantando e dançando com garra, força, compromisso, emoção e interpretação conduzidos pelo intérprete Pixule e demais músicos apresentaram um desfile excelente comunicativo e carismático. Tuiuti cantou e encantou.
JAIME CEZÁRIO: O Paraíso do Tuiuti levou à Avenida um enredo de forte densidade simbólica ao abordar as tradições religiosas afro-cubanas, com destaque para o universo Lukumí e o sistema de Ifá. A narrativa partiu da criação do Ifá no Orum, estabeleceu paralelos com práticas divinatórias do Egito faraônico e acompanhou seus deslocamentos até a América, culminando em sua consolidação em Cuba. Em atmosfera ritualística, o desfile ressaltou espiritualidade e ancestralidade como eixos centrais, evocando Orunmilá, o rigor oracular e a cosmologia iorubá recriada no Caribe.
O recorte dialogou ainda com um movimento histórico mais amplo: ao longo do século XX — intensificado nas últimas décadas — ampliou-se o intercâmbio religioso entre Brasil e Cuba. Babalaôs da tradição Lukumí passaram a atuar no Brasil, difundindo o sistema de Ifá de forma mais estruturada e promovendo maior aproximação entre as matrizes afro-brasileiras e a organização litúrgica desenvolvida na Ilha.
Assim, o desfile não apenas celebrou uma tradição específica, mas evidenciou os fluxos atlânticos que conectam África, Cuba e Brasil, reafirmando o carnaval como espaço de memória, circulação cultural e reencontro diaspórico.
As fantasias privilegiaram referências afro-diaspóricas, com uma marcante abertura em branco e prata, evocando elementos simbólicos associados aos orixás. Bem elaboradas e diretamente vinculadas ao enredo, apresentaram paletas cromáticas variadas e coerentes com cada segmento narrativo. O conjunto demonstrou respeito estético ao tema, embora algumas soluções tenham oscilado quanto à clareza de leitura para o público em geral. Ainda assim, a proposta manteve coerência simbólica e força plástica.
As alegorias apresentaram-se como estruturas de elevada carga simbólica, concebidas quase como altares que materializavam o universo Lukumí e o sistema de Ifá. O maior impacto visual concentrou-se na abertura em branco e prata, de efeito plástico expressivo; as demais seguiram um padrão menos monumental. No conjunto, porém, reforçaram a dimensão espiritual e ancestral da proposta. O samba, que explodiu nos ensaios técnicos e teve boa aceitação, encontrou maior resistência na Avenida, possivelmente porque a compreensão plena do enredo exigia um repertório cultural mais específico, o que limitou a interação do público.
ELIANE SOUZA: Sob orientação da coreógrafa Celeste Lima , o casal – Vinicius Antunes e Rebeca Tito – se apresentou de forma exuberante, realizando os movimentos característicos do bailado do mestre-sala e porta-bandeira, evidenciando-se na coreografia do mestre-sala a execução do meio sapateado, da carrapeta, do cruzado simples; muitas reverências, mesuras e meneios, fugas e contra-fugas! Ele dançando para a porta-bandeira, abrindo um espaço para que ela pudesse desfraldar com segurança, em seus giros no abano , o pavilhão, e ela muito firme e potente na execução de sua performance, elaborou nuances relativas a letra do samba-enredo de uma forma que se encaixou perfeitamente em sua movimentação, sem prejuízo para o bailado. Movimentação do bailar mantida e realizada de forma moderna! Lindíssimos!
Trazendo o segundo pavilhão da escola, apreciei o bailado de Jorge Vinicius e Edna Ramos, que de forma graciosa, gentil, tendo mestre-sala cortejado com muitas reverências a porta-bandeira que elaborou seus giros no abano, apresentou o pavilhão de forma elegante e muito bonita!
Responsáveis pelo terceiro pavilhão da escola, deslizaram pela Avenida o mestre-sala e a porta-bandeira Tony Ramos e Ludmyla Paaltiel!
+ VEJA A LOGO DO ENREDO:
+ CONHEÇA O TIME DA ESCOLA:
INTÉRPRETE – Pixulé
MESTRE DE BATERIA – Marcão
RAINHA DE BATERIA – Mayara Lima
1º CASAL DE MSPB – Vinícius Antunes e Rebeca Tito
CARNAVALESCO – Jack Vasconcelos
COREÓGRAFO DE COMISSÃO DE FRENTE – David Lima
+ OUÇA O SAMBA-ENREDO:
+ VEJA O DESEMPENHO DA ESCOLA NOS ÚLTIMOS 6 ANOS:
(veja a ordem oficial de desfiles oficial em 2026):
+ domingo, 15 de fevereiro:
1º: Acadêmicos de Niterói (Campeã do Acesso 2025)
2º: Imperatriz Leopoldinense
3º: Portela
4º: Estação Primeira de Mangueira
+ segunda-feira, 16 de fevereiro:
1º: Mocidade Independente de Padre Miguel (11ª colocada em 2025)
2º: Beija-Flor de Nilópolis
3º: Unidos do Viradouro
4º: Unidos da Tijuca
+ terça-feira, 17 de fevereiro:
1º: Paraíso do Tuiuti (10ª colocada em 2025)
2º: Unidos de Vila Isabel
3º: Acadêmicos do Grande Rio
4º: Acadêmicos do Salgueiro