Tempo de consciência negra: o desfile do Salgueiro em um ano épico na Sapucaí

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Carnaval e sua importância social. O desfile das escolas de samba é, sem dúvida alguma, um dos espaços de resistência da cultura brasileira em suas mais diversas matizes. Sobretudo, aquela trazida pelos negros, tirados na marra de sua terra, para viver em escravidão. O Brasil foi o último país do mundo a abolir um longo […]

POR Redação SRzd 20/11/2025| 3 min de leitura

Salgueiro 1989

Salgueiro 1989. Reprodução/Acervo

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Carnaval e sua importância social. O desfile das escolas de samba é, sem dúvida alguma, um dos espaços de resistência da cultura brasileira em suas mais diversas matizes.

Sobretudo, aquela trazida pelos negros, tirados na marra de sua terra, para viver em escravidão.

O Brasil foi o último país do mundo a abolir um longo período de trevas para a humanidade. Neste 20 de novembro, é tempo de consciência negra.

E lá, no já distante ano de 1989, foi justamente esse o mote para um enredo histórico de uma das mais negras escolas do Rio; os Acadêmicos do Salgueiro.

Assinado por Flávio Tavares e Luiz Fernando Reis, o desfile da Academia foi um dos grandes momentos daquele ano, considerado um marco na longa jornada do samba carioca.

Um enredo necessário e superlativo, um visual do jeito que o salgueirense gosta (bem vermelho encarnado), a luz do dia como pano de fundo, – visual marcado em gerações que, na Avenida ou pela televisão, amanheciam para ver até o último segundo o maior espetáculo da Terra, e um samba antológico.

De Alaor Macedo, Arizão, Demá Chagas, Helinho do Salgueiro e Rubinho do Afro, os versos ganharam ainda mais beleza e encantamento ao serem conduzidos por Rixxa, intérprete dos bons, considerado o Tenor da Sapucaí.

O desenrolar de um cortejo envolvente, a cada ato, mostrava que finalmente o Salgueiro poderia se reencontrar com o campeonato, que não vinha desde 1975, mesmo num ano de intensa disputa, com o inesquecível ‘Ratos e Urubus’ da Beija-Flor, o festivo ‘Festa Profana’ da Ilha e a revigorada Vila cantando os diretos universais na defesa do título de 1988.

Ainda, 1989 foi marcado por sambas de enredo que construíram uma safra de peso, com destaque também para as trilhas da Tradição, Cabuçu e Império Serrano. Ao final, deu Imperatriz, não menos brilhante que as principais concorrentes.

O tropeço por ser envolvente demais, foi visto pelos julgadores. Quando percebeu que precisava sair da pista, o tempo foi cruel, e a correria custou caro. Mas esse mesmo tempo não apagou o fascínio de um desfile que não deveria terminar, não só pela beleza estética e musical, mas também pela mensagem e pela luta que, ainda, precisa ser travada e é tão poeticamente traduzida nestes trechos do samba:

“… Vai, meu samba vai
Leva a dor traz alegria
Eu sou negro sim, liberdade e poesia
E na atual sociedade, lutamos pela igualdade
Sem preconceitos sociais
Linda Anastácia sem mordaça
O novo símbolo da massa
A beleza negra me seduz
Viemos sem revolta e sem chibata
Dar um basta nessa farsa
É festa, é Carnaval, eu sou feliz…”

Rodapé - carnaval rio

 

Carnaval e sua importância social. O desfile das escolas de samba é, sem dúvida alguma, um dos espaços de resistência da cultura brasileira em suas mais diversas matizes.

Sobretudo, aquela trazida pelos negros, tirados na marra de sua terra, para viver em escravidão.

O Brasil foi o último país do mundo a abolir um longo período de trevas para a humanidade. Neste 20 de novembro, é tempo de consciência negra.

E lá, no já distante ano de 1989, foi justamente esse o mote para um enredo histórico de uma das mais negras escolas do Rio; os Acadêmicos do Salgueiro.

Assinado por Flávio Tavares e Luiz Fernando Reis, o desfile da Academia foi um dos grandes momentos daquele ano, considerado um marco na longa jornada do samba carioca.

Um enredo necessário e superlativo, um visual do jeito que o salgueirense gosta (bem vermelho encarnado), a luz do dia como pano de fundo, – visual marcado em gerações que, na Avenida ou pela televisão, amanheciam para ver até o último segundo o maior espetáculo da Terra, e um samba antológico.

De Alaor Macedo, Arizão, Demá Chagas, Helinho do Salgueiro e Rubinho do Afro, os versos ganharam ainda mais beleza e encantamento ao serem conduzidos por Rixxa, intérprete dos bons, considerado o Tenor da Sapucaí.

O desenrolar de um cortejo envolvente, a cada ato, mostrava que finalmente o Salgueiro poderia se reencontrar com o campeonato, que não vinha desde 1975, mesmo num ano de intensa disputa, com o inesquecível ‘Ratos e Urubus’ da Beija-Flor, o festivo ‘Festa Profana’ da Ilha e a revigorada Vila cantando os diretos universais na defesa do título de 1988.

Ainda, 1989 foi marcado por sambas de enredo que construíram uma safra de peso, com destaque também para as trilhas da Tradição, Cabuçu e Império Serrano. Ao final, deu Imperatriz, não menos brilhante que as principais concorrentes.

O tropeço por ser envolvente demais, foi visto pelos julgadores. Quando percebeu que precisava sair da pista, o tempo foi cruel, e a correria custou caro. Mas esse mesmo tempo não apagou o fascínio de um desfile que não deveria terminar, não só pela beleza estética e musical, mas também pela mensagem e pela luta que, ainda, precisa ser travada e é tão poeticamente traduzida nestes trechos do samba:

“… Vai, meu samba vai
Leva a dor traz alegria
Eu sou negro sim, liberdade e poesia
E na atual sociedade, lutamos pela igualdade
Sem preconceitos sociais
Linda Anastácia sem mordaça
O novo símbolo da massa
A beleza negra me seduz
Viemos sem revolta e sem chibata
Dar um basta nessa farsa
É festa, é Carnaval, eu sou feliz…”

Rodapé - carnaval rio

 

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