Turbinada com chegada de patrono, Em Cima da Hora baixa na Sapucaí, comete erros e corre no final
Carnaval 2026. As escolas de samba da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro desfilam neste sábado (14), na Marquês de Sapucaí. A 2ª escola a desfilar foi a Em Cima da Hora com o enredo: Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras! Tradicionalíssima agremiação carioca, apostou este ano num enredo cheio de mística […]
PORRedação SRzd14/2/2026|
6 min de leitura
Desfile da Série Ouro 2026. Foto: Juliana Dias/SRzd
Carnaval 2026. As escolas de samba da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro desfilam neste sábado (14), na Marquês de Sapucaí.
A 2ª escola a desfilar foi a Em Cima da Hora com o enredo: Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!
Tradicionalíssima agremiação carioca, apostou este ano num enredo cheio de mística para tentar dar um salto nas disputas do concurso no Acesso. E foi ao mercado, trazendo, por exemplo, como reforço para o seu carro de som o intérprete campeão do Grupo Especial paulistano, Carlos Júnior, que cantou ao lado de Igor Pitta. Pitta, aliás, sofreu um acidente no dedo da mão minutos antes de chegar à Sapucaí. O machucado resultou em uma fratura exposta. Mesmo assim, ele esteve com sua comunidade na pista.
E o investimento foi traduzido no que se viu na pista, com um conjunto muito superior aos anos anteriores apresentados pela escola de Cavalcanti. Investimento que chegou com o novo patrono: Vinícius Drumond. Vinicius é considerado um dos principais bicheiros de uma nova geração da contravenção, ao lado de Adilsinho e de Rogério Andrade.
Ele herdou do pai, Luizinho Drumond, pontos do bicho na Zona da Leopoldina, que compreende bairros como Ramos (onde fica a Imperatriz Leopoldinense), Manguinhos, Maré, Bonsucesso, Complexo do Alemão, Penha, Parada de Lucas e Vigário Geral.
Cometeu pequenos pecados, no acabamento de figurinos e na segunda alegoria, além de ter de correr bastante na reta final.
+ VEJA A ANÁLISE DO DESFILE FEITA PELOS COMENTARISTAS DO SRzd:
CÉLIA SOUTO: A escola apresentou um desfile muito equilibrado em relação ao canto e a dança. O canto demonstrou força e ritmo na execução. Os componentes demonstraram sincronia com os intérpretes Carlos Jr. e Igor Pitta juntamente com os outros músicos. A parte do samba a ‘dona da casa chegou’ pode ser ouvida com ênfase durante todo o desfile numa proposta estratégica de ressaltar a voz dos componentes. As alas apresentaram regularidade no andamento e evoluíram com naturalidade acompanhando o samba. Um desfile com muita musicalidade e energia!
*Nota da redação: na reta final do desfile, a escola teve de acelerar o passo para cumprir o tempo regulamentar, abrindo alguns clarões e chegando na apoteose segundos antes de estourar dos 56 minutos.
CLÁUDIO FRANCIONI: O bom desfile da Em Cima da Hora foi embalado por um dos sambas mais esperados da Série Ouro. A obra segue a linha da maioria dos sambas ligados à religiosidade africana, em tom menor, e ganhou um andamento bem acelerado da boa bateria de Mestre Léo Capoeira.
JAIME CEZÁRIO: O enredo celebrou as pombagiras como símbolos de coragem, transformação e ousadia, ressignificando imagens historicamente estigmatizadas e evidenciando a força feminina e a espiritualidade que atravessaram tempos e espaços.
A proposta buscou desmistificar preconceitos associados a essas entidades, ressaltando seu papel de proteção e empoderamento, ao conectar fé, ancestralidade e identidade cultural popular.
O conjunto de fantasias da escola de Cavalcante demonstrou uma bela evolução no equilíbrio volumétrico, com tecidos de qualidade e bons acabamentos. O estudo cromático, contudo, abusou do preto, vermelho e ouro em consonância com o enredo, enquanto o azul e branco do pavilhão foram praticamente esquecidos. Ainda assim, tirando esse detalhe, a escola apresentou um belo conjunto plástico.
As três alegorias seguiram um padrão de grande volumetria, bons acabamentos e grandes esculturas. No aspecto cromático, as duas primeiras mantiveram o mesmo padrão das alas, explorando predominantemente preto, vermelho e ouro, e o desfile foi encerrado com uma alegoria em branco e prata. O tradicional azul e branco da agremiação acabou ficando de fora da apresentação.
BRUNO MORAES: À frente da bateria da Em Cima da Hora, Mestre Léo Capoeira também se destacou. Com um andamento mais à frente e bossas totalmente integradas ao enredo, imprimiu personalidade e identidade ao ritmo.
O peso da bateria sobressaiu nos arranjos e nas nuances da performance, mostrando consistência e leitura musical apurada. Quando se tem um bom samba, tudo flui com mais naturalidade, e isso ficou evidente na excelente apresentação do segmento.
ELIANE SOUZA: Uma apresentação singela, todavia potente, plena de energia! O mestre-sala Marlon Flores, elaborou, com grande habilidade, os movimentos características do bailado, trazendo para a cena uma movimentação bem próxima à porta-bandeira. Com muita gentileza e cortesia ele executou o Cruzado, em rotação, enquanto se deslocava em torno da porta bandeira; se exibiu plenamente no Meio-Sapateado, inovando a forma de realizar esse movimento.
A apresentação de bandeira foi realizada com muita gentileza e cuidado!
A proteção oferecida, pelo dançarino, abriu o espaço para que o desfralde da bandeira se realizasse de forma segura, todavia com grande suavidade, em nuances e gestual, por Winnie Lopes, a competente porta-bandeira. Eu pude observar que o mestre-sala se colocou como protagonista na cena, portanto cumprindo sua função de defensor do pavilhão e protetor da porta bandeira. E mais, ele elaborou de forma interessante a Carrapeta miúda, sincronizada ao movimento Cruzado simples.
Maravilhoso de ver uma performance atualizada e moderna, no entanto preservando os movimentos característicos do bailado, fazendo com isso a manutenção da escrita coreográfica cheia de mensagem poética!
Bonita, como manda o enredo, a segunda porta-bandeira Alana Couto marcou sua performance com gestos, mão plantada na cintura durante seus giros no Abano, nuances e olhares impressionantes! Laroiê! Cortejada bem de perto por seu mestre-sala Ewerton Anchieta.
E fechando o cortejo de bandeiras, o terceiro casal – Pedro Lucas e Clarice Nascimento – se exibindo com liberdade. Ela, sempre dengosa, apresentando seu gestual e nuances característico, ao deslizar no Patinete! Ah! A apresentação da bandeira aconteceu com muita elegância! Bonito de apreciar!
Confira a ordem dos desfiles, definida em sorteio:
Carnaval 2026. As escolas de samba da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro desfilam neste sábado (14), na Marquês de Sapucaí.
A 2ª escola a desfilar foi a Em Cima da Hora com o enredo: Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!
Tradicionalíssima agremiação carioca, apostou este ano num enredo cheio de mística para tentar dar um salto nas disputas do concurso no Acesso. E foi ao mercado, trazendo, por exemplo, como reforço para o seu carro de som o intérprete campeão do Grupo Especial paulistano, Carlos Júnior, que cantou ao lado de Igor Pitta. Pitta, aliás, sofreu um acidente no dedo da mão minutos antes de chegar à Sapucaí. O machucado resultou em uma fratura exposta. Mesmo assim, ele esteve com sua comunidade na pista.
E o investimento foi traduzido no que se viu na pista, com um conjunto muito superior aos anos anteriores apresentados pela escola de Cavalcanti. Investimento que chegou com o novo patrono: Vinícius Drumond. Vinicius é considerado um dos principais bicheiros de uma nova geração da contravenção, ao lado de Adilsinho e de Rogério Andrade.
Ele herdou do pai, Luizinho Drumond, pontos do bicho na Zona da Leopoldina, que compreende bairros como Ramos (onde fica a Imperatriz Leopoldinense), Manguinhos, Maré, Bonsucesso, Complexo do Alemão, Penha, Parada de Lucas e Vigário Geral.
Cometeu pequenos pecados, no acabamento de figurinos e na segunda alegoria, além de ter de correr bastante na reta final.
+ VEJA A ANÁLISE DO DESFILE FEITA PELOS COMENTARISTAS DO SRzd:
CÉLIA SOUTO: A escola apresentou um desfile muito equilibrado em relação ao canto e a dança. O canto demonstrou força e ritmo na execução. Os componentes demonstraram sincronia com os intérpretes Carlos Jr. e Igor Pitta juntamente com os outros músicos. A parte do samba a ‘dona da casa chegou’ pode ser ouvida com ênfase durante todo o desfile numa proposta estratégica de ressaltar a voz dos componentes. As alas apresentaram regularidade no andamento e evoluíram com naturalidade acompanhando o samba. Um desfile com muita musicalidade e energia!
*Nota da redação: na reta final do desfile, a escola teve de acelerar o passo para cumprir o tempo regulamentar, abrindo alguns clarões e chegando na apoteose segundos antes de estourar dos 56 minutos.
CLÁUDIO FRANCIONI: O bom desfile da Em Cima da Hora foi embalado por um dos sambas mais esperados da Série Ouro. A obra segue a linha da maioria dos sambas ligados à religiosidade africana, em tom menor, e ganhou um andamento bem acelerado da boa bateria de Mestre Léo Capoeira.
JAIME CEZÁRIO: O enredo celebrou as pombagiras como símbolos de coragem, transformação e ousadia, ressignificando imagens historicamente estigmatizadas e evidenciando a força feminina e a espiritualidade que atravessaram tempos e espaços.
A proposta buscou desmistificar preconceitos associados a essas entidades, ressaltando seu papel de proteção e empoderamento, ao conectar fé, ancestralidade e identidade cultural popular.
O conjunto de fantasias da escola de Cavalcante demonstrou uma bela evolução no equilíbrio volumétrico, com tecidos de qualidade e bons acabamentos. O estudo cromático, contudo, abusou do preto, vermelho e ouro em consonância com o enredo, enquanto o azul e branco do pavilhão foram praticamente esquecidos. Ainda assim, tirando esse detalhe, a escola apresentou um belo conjunto plástico.
As três alegorias seguiram um padrão de grande volumetria, bons acabamentos e grandes esculturas. No aspecto cromático, as duas primeiras mantiveram o mesmo padrão das alas, explorando predominantemente preto, vermelho e ouro, e o desfile foi encerrado com uma alegoria em branco e prata. O tradicional azul e branco da agremiação acabou ficando de fora da apresentação.
BRUNO MORAES: À frente da bateria da Em Cima da Hora, Mestre Léo Capoeira também se destacou. Com um andamento mais à frente e bossas totalmente integradas ao enredo, imprimiu personalidade e identidade ao ritmo.
O peso da bateria sobressaiu nos arranjos e nas nuances da performance, mostrando consistência e leitura musical apurada. Quando se tem um bom samba, tudo flui com mais naturalidade, e isso ficou evidente na excelente apresentação do segmento.
ELIANE SOUZA: Uma apresentação singela, todavia potente, plena de energia! O mestre-sala Marlon Flores, elaborou, com grande habilidade, os movimentos características do bailado, trazendo para a cena uma movimentação bem próxima à porta-bandeira. Com muita gentileza e cortesia ele executou o Cruzado, em rotação, enquanto se deslocava em torno da porta bandeira; se exibiu plenamente no Meio-Sapateado, inovando a forma de realizar esse movimento.
A apresentação de bandeira foi realizada com muita gentileza e cuidado!
A proteção oferecida, pelo dançarino, abriu o espaço para que o desfralde da bandeira se realizasse de forma segura, todavia com grande suavidade, em nuances e gestual, por Winnie Lopes, a competente porta-bandeira. Eu pude observar que o mestre-sala se colocou como protagonista na cena, portanto cumprindo sua função de defensor do pavilhão e protetor da porta bandeira. E mais, ele elaborou de forma interessante a Carrapeta miúda, sincronizada ao movimento Cruzado simples.
Maravilhoso de ver uma performance atualizada e moderna, no entanto preservando os movimentos característicos do bailado, fazendo com isso a manutenção da escrita coreográfica cheia de mensagem poética!
Bonita, como manda o enredo, a segunda porta-bandeira Alana Couto marcou sua performance com gestos, mão plantada na cintura durante seus giros no Abano, nuances e olhares impressionantes! Laroiê! Cortejada bem de perto por seu mestre-sala Ewerton Anchieta.
E fechando o cortejo de bandeiras, o terceiro casal – Pedro Lucas e Clarice Nascimento – se exibindo com liberdade. Ela, sempre dengosa, apresentando seu gestual e nuances característico, ao deslizar no Patinete! Ah! A apresentação da bandeira aconteceu com muita elegância! Bonito de apreciar!
Confira a ordem dos desfiles, definida em sorteio: