Carnaval 2026: A Unidos do Viradouro é a campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Na Avenida, cantou o enredo: Pra cima, Ciça, uma homenagem emocionante ao seu mestre de bateria e um dos nomes mais respeitados do Carnaval carioca. + veja como foi o desfile: A Unidos do Viradouro veio para celebrar um […]
PORRedação SRzd18/2/2026|
7 min de leitura
Desfile do Grupo Especial 2026. Foto: Juliana Dias/SRzd
Carnaval 2026: A Unidos do Viradouro é a campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
Na Avenida, cantou o enredo: Pra cima, Ciça, uma homenagem emocionante ao seu mestre de bateria e um dos nomes mais respeitados do Carnaval carioca.
+ veja como foi o desfile:
A Unidos do Viradouro veio para celebrar um dos maiores nomes do Carnaval carioca, seu mestre de bateria, Ciça. E vinha também com a bagagem de ser considerada uma das favoritas do ano. Passou bem demais pela Avenida e deixou marcada a mensagem: flores em vida, sempre!
A Unidos do Viradouro vive o melhor momento de sua história.
Organizada dentro e fora da pista de desfiles, acumula nos últimos anos resultados superlativos.
E é justamente quando desfruta esse tempo glorioso, que a escola acertou na mosca ao celebrar um dos maiores nomes do Carnaval carioca: mestre Ciça, com o tema Pra cima, Ciça.
Mais do que uma homenagem pessoal, exaltar o legado do velho mestre é também exaltar a própria comunidade do samba, muitas vezes anônima, que faz o maior espetáculo da Terra acontecer.
Moacyr da Silva Pinto completa 70 anos justamente em 2026.
O mestre não sabia da homenagem.
Em 2026, Ciça vai desfilar pela 55ª vez e começou sua trajetória como passista, em 1971, na Unidos de São Carlos — atual Estácio de Sá. Foi na mesma escola que estreou como mestre de bateria, em 1989, e conquistou seu primeiro título, em 1992, no inesquecível desfile sobre o modernismo que sacudiu a Sapucaí.
Pela Viradouro, já levantou dois campeonatos: em 2020 e em 2024. Também deixou sua marca na Unidos da Tijuca, Acadêmicos do Grande Rio e União da Ilha do Governador.
+ AVALIAÇÃO DO DESFILE:
+ O QUE VIRAM OS COMENTARISTAS DO SRzd:
CLÁUDIO FRANCIONI: Assim como o samba da Mocidade foi amplificador pela plasticidade, o da Viradouro trouxe a maior carga emocional dos últimos anos. Longe de ser uma obra prima, mas um bom samba, teve na comunicação com o público sua maior virtude, exatamente a característica marcante de seu homenageado. Salve Ciça!
CÉLIA SOUTO: A escola abraçou o seu samba-enredo com muita garra, alegria e emoção. O samba funcionou musicalmente muito bem na Avenida. Destaco a evolução que demonstrou componentes dançando descontraídos dentro das alas resultando num desfile com muito gingado e equilíbrio visual dentro das alas. Excelência em harmonia e evolução. Parabéns!
JAIME CEZÁRIO: O enredo “Pra Cima, Ciça!”, da Unidos do Viradouro no Carnaval de 2026, celebrou a trajetória de Mestre Ciça, uma das figuras mais emblemáticas do samba carioca. Com mais de cinco décadas dedicadas à percussão, consolidou-se como referência na arte de conduzir ritmistas na Marquês de Sapucaí, transformando cadência em emoção e disciplina em espetáculo.
Nascido no bairro do Estácio, território reconhecido como berço do samba, o mestre teve sua história conduzida pela avenida em um desfile que percorreu momentos marcantes de sua vida — muitos deles eternizados pelo Carnaval na memória afetiva do público. Foi um enredo de forte carga emocional, uma homenagem justa e vibrante ao “mestre dos mestres” ainda em vida.
As fantasias mantiveram o já reconhecido padrão de excelência da Viradouro: acabamento impecável, paleta cromática envolvente, volumetria bem resolvida, requinte e alta qualidade de execução. Houve unidade estética sem abrir mão do impacto visual — luxo com identidade e personalidade.
As alegorias seguiram o mesmo nível de apuro. A abertura foi especialmente comovente ao retratar o Estácio como território fundador do samba: uma comunidade pulsante ganhava forma na avenida e, nas janelas cenográficas, telas exibiam figuras históricas do bairro e do samba, como Ismael Silva, Gonzaguinha, Luís Melodia e Dominguinhos do Estácio, recriados por tecnologia de inteligência artificial. Eles acenavam ao público, estabelecendo uma ponte simbólica entre passado e presente, reafirmando o Estácio como chão sagrado da tradição que moldou o Carnaval.
O encerramento foi apoteótico: a bateria, mais uma vez posicionada sobre alegoria, fechou o desfile com impacto e arrebatamento — de tirar o fôlego. Uma homenagem bela, emocionante e plenamente merecida a um ícone do samba. E, como diz o samba, se for para morrer de amor, que seja no samba. A Viradouro arrepiou a Sapucaí. Das arquibancadas ecoaram os primeiros gritos de “é campeã!”. Seria um prenúncio? Mestre Ciça merece.
ELIANE SOUZA: Eu gosto muito de apreciar a performance do casal da Viradouro, Julinho Nascimento e Rute Alves! Aliado à potência da dança de Rute está o protagonismo do mestre-sala que ocupa a cena de forma imponente, determinando a condução da dança e da dama. Um dançarino incrível que, ciente da permissão que tem na execução da coreografia, inova, inventa, improvisa, cria e ao mesmo tempo executa, com maestria e de forma moderna, os movimentos característicos de sua coreografia. Um luxo de mestre-sala, cuja corporeidade se expande durante a performance, abrindo o espaço para o desfralde vigoroso que a porta-bandeira Rute Alves realiza, quando elabora seus os giros no abano. Isso tudo, sob a supervisão da coreógrafa Juliana Meziat.
Uma bonita passagem da ala de mestres-salas e porta-bandeiras da escola que, com elegância e muita cortesia, desfilou pela avenida apresentando os movimentos característicos do bailado!
Leonardo Tomé e Pietra Brum trouxeram o segundo pavilhão da escola, deslizando pela avenida com singeleza, elaborando seus passos, gestos e movimentos com muita habilidade.
Finalizando cortejo das bandeiras, o terceiro casal da escola – Cauã Silva e Clara Martins – bem entrosado, revelando grande sintonia e sincronismo em seus movimentos deslizou feliz pela Avenida.
BRUNO MORAES: Carta aberta ao senhor Moacyr, o eterno Ciça!
Quem ama Carnaval e não chorou nesse desfile está vivendo errado. O que aconteceu hoje na Sapucaí não foi apenas uma apresentação, foi um capítulo eterno da história do samba.
O Ciça, representa milhões de pessoas no mundo que tocam um instrumento em uma escola de samba. Representa milhões de brasileiros que vieram da favela e venceram na vida de forma honesta, com talento, trabalho e dignidade. O senhor representa cada ritmista que sonha, cada criança que começa batendo em uma lata e cada sambista que acredita que é possível chegar ao topo sem abrir mão de suas raízes.
Tudo que aconteceu hoje na Marquês de Sapucaí será lembrado para sempre. Assim como desfiles históricos como Ratos e Urubus, Kizomba, Tupinicópolis e Explode Coração, este desfile entra para a eternidade. É certamente o maior desfile da história da Unidos do Viradouro.
A emoção foi tanta que até esqueci do que realmente vim falar: a bateria do Mestre Caveira. Por incrível que pareça, a bateria foi bem demais, mesmo com a extensão do carro em que a bateria veio em cima, sendo muito grande. Assim como em 2007, o nível da bateria ficava acima das caixas de som, mas naquela época o ritmo oscilava. Hoje não. Hoje os ritmistas estão mais preparados, mais conscientes, mais ensaiados. O resultado foi um ritmo impecável, seguro e emocionante do começo ao fim.
Vivi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. E tudo isso graças a um sambista de verdade, que nos representa, que honra o Carnaval e que honra o povo de onde veio.
Chorar de felicidade é bom demais.
Obrigado, Viradouro, pela coragem.
Obrigado, Ciça, por nos fazer sentir tão gigantes.
+ VEJA A LOGO DO ENREDO:
+ CONHEÇA O TIME DA ESCOLA:
INTÉRPRETE – Wander Pires
MESTRE DE BATERIA – Ciça
RAINHA DE BATERIA – Juliana Paes
1º CASAL DE MSPB – Julinho Nascimento e Rute Alves
CARNAVALESCO – Tarcisio Zanon
COREÓGRAFOS DE COMISSÃO DE FRENTE – Priscilla Mota e Rodrigo Negri
+ OUÇA O SAMBA-ENREDO:
+ VEJA O DESEMPENHO DA ESCOLA NOS ÚLTIMOS 6 ANOS:
Carnaval 2026: A Unidos do Viradouro é a campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
Na Avenida, cantou o enredo: Pra cima, Ciça, uma homenagem emocionante ao seu mestre de bateria e um dos nomes mais respeitados do Carnaval carioca.
+ veja como foi o desfile:
A Unidos do Viradouro veio para celebrar um dos maiores nomes do Carnaval carioca, seu mestre de bateria, Ciça. E vinha também com a bagagem de ser considerada uma das favoritas do ano. Passou bem demais pela Avenida e deixou marcada a mensagem: flores em vida, sempre!
A Unidos do Viradouro vive o melhor momento de sua história.
Organizada dentro e fora da pista de desfiles, acumula nos últimos anos resultados superlativos.
E é justamente quando desfruta esse tempo glorioso, que a escola acertou na mosca ao celebrar um dos maiores nomes do Carnaval carioca: mestre Ciça, com o tema Pra cima, Ciça.
Mais do que uma homenagem pessoal, exaltar o legado do velho mestre é também exaltar a própria comunidade do samba, muitas vezes anônima, que faz o maior espetáculo da Terra acontecer.
Moacyr da Silva Pinto completa 70 anos justamente em 2026.
O mestre não sabia da homenagem.
Em 2026, Ciça vai desfilar pela 55ª vez e começou sua trajetória como passista, em 1971, na Unidos de São Carlos — atual Estácio de Sá. Foi na mesma escola que estreou como mestre de bateria, em 1989, e conquistou seu primeiro título, em 1992, no inesquecível desfile sobre o modernismo que sacudiu a Sapucaí.
Pela Viradouro, já levantou dois campeonatos: em 2020 e em 2024. Também deixou sua marca na Unidos da Tijuca, Acadêmicos do Grande Rio e União da Ilha do Governador.
+ AVALIAÇÃO DO DESFILE:
+ O QUE VIRAM OS COMENTARISTAS DO SRzd:
CLÁUDIO FRANCIONI: Assim como o samba da Mocidade foi amplificador pela plasticidade, o da Viradouro trouxe a maior carga emocional dos últimos anos. Longe de ser uma obra prima, mas um bom samba, teve na comunicação com o público sua maior virtude, exatamente a característica marcante de seu homenageado. Salve Ciça!
CÉLIA SOUTO: A escola abraçou o seu samba-enredo com muita garra, alegria e emoção. O samba funcionou musicalmente muito bem na Avenida. Destaco a evolução que demonstrou componentes dançando descontraídos dentro das alas resultando num desfile com muito gingado e equilíbrio visual dentro das alas. Excelência em harmonia e evolução. Parabéns!
JAIME CEZÁRIO: O enredo “Pra Cima, Ciça!”, da Unidos do Viradouro no Carnaval de 2026, celebrou a trajetória de Mestre Ciça, uma das figuras mais emblemáticas do samba carioca. Com mais de cinco décadas dedicadas à percussão, consolidou-se como referência na arte de conduzir ritmistas na Marquês de Sapucaí, transformando cadência em emoção e disciplina em espetáculo.
Nascido no bairro do Estácio, território reconhecido como berço do samba, o mestre teve sua história conduzida pela avenida em um desfile que percorreu momentos marcantes de sua vida — muitos deles eternizados pelo Carnaval na memória afetiva do público. Foi um enredo de forte carga emocional, uma homenagem justa e vibrante ao “mestre dos mestres” ainda em vida.
As fantasias mantiveram o já reconhecido padrão de excelência da Viradouro: acabamento impecável, paleta cromática envolvente, volumetria bem resolvida, requinte e alta qualidade de execução. Houve unidade estética sem abrir mão do impacto visual — luxo com identidade e personalidade.
As alegorias seguiram o mesmo nível de apuro. A abertura foi especialmente comovente ao retratar o Estácio como território fundador do samba: uma comunidade pulsante ganhava forma na avenida e, nas janelas cenográficas, telas exibiam figuras históricas do bairro e do samba, como Ismael Silva, Gonzaguinha, Luís Melodia e Dominguinhos do Estácio, recriados por tecnologia de inteligência artificial. Eles acenavam ao público, estabelecendo uma ponte simbólica entre passado e presente, reafirmando o Estácio como chão sagrado da tradição que moldou o Carnaval.
O encerramento foi apoteótico: a bateria, mais uma vez posicionada sobre alegoria, fechou o desfile com impacto e arrebatamento — de tirar o fôlego. Uma homenagem bela, emocionante e plenamente merecida a um ícone do samba. E, como diz o samba, se for para morrer de amor, que seja no samba. A Viradouro arrepiou a Sapucaí. Das arquibancadas ecoaram os primeiros gritos de “é campeã!”. Seria um prenúncio? Mestre Ciça merece.
ELIANE SOUZA: Eu gosto muito de apreciar a performance do casal da Viradouro, Julinho Nascimento e Rute Alves! Aliado à potência da dança de Rute está o protagonismo do mestre-sala que ocupa a cena de forma imponente, determinando a condução da dança e da dama. Um dançarino incrível que, ciente da permissão que tem na execução da coreografia, inova, inventa, improvisa, cria e ao mesmo tempo executa, com maestria e de forma moderna, os movimentos característicos de sua coreografia. Um luxo de mestre-sala, cuja corporeidade se expande durante a performance, abrindo o espaço para o desfralde vigoroso que a porta-bandeira Rute Alves realiza, quando elabora seus os giros no abano. Isso tudo, sob a supervisão da coreógrafa Juliana Meziat.
Uma bonita passagem da ala de mestres-salas e porta-bandeiras da escola que, com elegância e muita cortesia, desfilou pela avenida apresentando os movimentos característicos do bailado!
Leonardo Tomé e Pietra Brum trouxeram o segundo pavilhão da escola, deslizando pela avenida com singeleza, elaborando seus passos, gestos e movimentos com muita habilidade.
Finalizando cortejo das bandeiras, o terceiro casal da escola – Cauã Silva e Clara Martins – bem entrosado, revelando grande sintonia e sincronismo em seus movimentos deslizou feliz pela Avenida.
BRUNO MORAES: Carta aberta ao senhor Moacyr, o eterno Ciça!
Quem ama Carnaval e não chorou nesse desfile está vivendo errado. O que aconteceu hoje na Sapucaí não foi apenas uma apresentação, foi um capítulo eterno da história do samba.
O Ciça, representa milhões de pessoas no mundo que tocam um instrumento em uma escola de samba. Representa milhões de brasileiros que vieram da favela e venceram na vida de forma honesta, com talento, trabalho e dignidade. O senhor representa cada ritmista que sonha, cada criança que começa batendo em uma lata e cada sambista que acredita que é possível chegar ao topo sem abrir mão de suas raízes.
Tudo que aconteceu hoje na Marquês de Sapucaí será lembrado para sempre. Assim como desfiles históricos como Ratos e Urubus, Kizomba, Tupinicópolis e Explode Coração, este desfile entra para a eternidade. É certamente o maior desfile da história da Unidos do Viradouro.
A emoção foi tanta que até esqueci do que realmente vim falar: a bateria do Mestre Caveira. Por incrível que pareça, a bateria foi bem demais, mesmo com a extensão do carro em que a bateria veio em cima, sendo muito grande. Assim como em 2007, o nível da bateria ficava acima das caixas de som, mas naquela época o ritmo oscilava. Hoje não. Hoje os ritmistas estão mais preparados, mais conscientes, mais ensaiados. O resultado foi um ritmo impecável, seguro e emocionante do começo ao fim.
Vivi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. E tudo isso graças a um sambista de verdade, que nos representa, que honra o Carnaval e que honra o povo de onde veio.
Chorar de felicidade é bom demais.
Obrigado, Viradouro, pela coragem.
Obrigado, Ciça, por nos fazer sentir tão gigantes.
+ VEJA A LOGO DO ENREDO:
+ CONHEÇA O TIME DA ESCOLA:
INTÉRPRETE – Wander Pires
MESTRE DE BATERIA – Ciça
RAINHA DE BATERIA – Juliana Paes
1º CASAL DE MSPB – Julinho Nascimento e Rute Alves
CARNAVALESCO – Tarcisio Zanon
COREÓGRAFOS DE COMISSÃO DE FRENTE – Priscilla Mota e Rodrigo Negri