Comunicação: crise para o contexto da escola de samba
Aurora Sales é uma jornalista, com especializações no Instituto de Psicologia da USP e em Marketing e Comunicação Publicitária pela Faculdade Cásper Líbero. Bacharelanda em Direito. Professora e profissional de comunicação. Foi assessora de imprensa da Tom Maior, Rosas de Ouro e Vai-Vai. Coautora do livro SOFIA Belas Artes – Encontro de Saberes: Artes, Arquitetura, […]
PORRedação SRzd12/12/2019|
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Comunicação. Foto: Reprodução
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Aurora Sales é uma jornalista, com especializações no Instituto de Psicologia da USP e em Marketing e Comunicação Publicitária pela Faculdade Cásper Líbero. Bacharelanda em Direito. Professora e profissional de comunicação.
Foi assessora de imprensa da Tom Maior, Rosas de Ouro e Vai-Vai. Coautora do livro SOFIA Belas Artes – Encontro de Saberes: Artes, Arquitetura, Saúde, Ciências Sociais e Humanas, lançado em dezembro/2015.
Nesta quinta-feira (12) a série “Tbt SRzd” traz um dos textos da então colunista do SRzd, publicado em 2015, que aborda a comunicação num gerenciamento de crise dentro de uma escola de samba.
Comunicação: crise para o contexto da escola de samba
Trabalhar no segmento da comunicação é, sem dúvida, uma das áreas mais atraentes. Não há rotina e em várias ocasiões é preciso mudar as estratégias em cima do “deadline”.
Nos últimos meses participei de nove projetos institucionais e seis foram implantados. Quanto aos trabalhos pendentes, o motivo é exatamente o tema desse conteúdo: gestão de crises. Uma tensão corporativa pode durar três dias, três semanas ou três meses.
Felizmente já estamos na fase de reorganização. Antes de atuar no Carnaval, frequentava, ao lado de vários amigos, ensaios das escolas de samba. No dia de retirarmos as fantasias notamos o presidente com três aparelhos celulares em suas mãos.
Desligava uma chamada e atendia outra, sem cessar. Posteriormente ele comentou com o nosso grupo o motivo de tantos telefonemas. Um funcionário havia caído de uma alegoria e estava muito machucado. A imprensa queria saber detalhes, mas o dirigente aguardava informações do hospital.
Comunicação. Foto: Reprodução
Um de meus amigos comentou: você precisa de uma assessora de imprensa. Trocamos cartões. No ano seguinte estava na quadra, mas desta vez não era foliã.
Desde então são inúmeras situações presenciadas e administradas nesse setor. Um dos cases marcantes foi receber uma nota do departamento que controla o uso de imóveis e atua na prevenção e fiscalização de instalações e sistemas de segurança de edificações, em São Paulo.
Na mesma semana uma boate, em Santa Maria-RS, vitimou quase duzentas e cinquenta pessoas e vários estabelecimentos foram monitorados. A escola em que assessorava recebeu uma equipe de fiscais que solicitou a apresentação, em 24 horas, de toda a documentação que atestava a segurança da quadra. Isso tudo ocorreu uma semana antes de a escola desfilar no sambódromo.
A situação era delicada e os dirigentes ficaram com os humores alterados. Felizmente pela confiança adquirida tive, a incumbência de gerenciar o momento com a imprensa e os órgãos responsáveis.
Comunicação. Foto: Reprodução
Advogados, engenheiros, técnicos, comunidade e todos os afins. Fazer o media training para que a principal dirigente falasse com os jornalistas foi um momento especial. Choro, revolta, punhos cerrados e insegurança. Tudo fazia parte do cenário. Cerca de meia hora depois convocamos a imprensa e a fala – emocionada – transmitiu credibilidade e confiança ao principal parceiro da agremiação: seu público!
Nota emitida aos órgãos de comunicação, aos canais da escola e aos patrocinadores. A escola teve ainda dois ensaios na quadra e recebeu uma excelente classificação no desfile oficial. A garra dos componentes fidelizou ainda mais a história daquela entidade. Após a crise, vários pontos foram reavaliados e claro, o ensinamento do mestre dos magos contribuiu para minimizar o problema: “a verdade os libertará”.
Muitas vezes os grandes desastres e escândalos nascem de pequenos deslizes, portanto, a melhor maneira de lidar com uma crise é por meio da prevenção. Estudar e apurar os possíveis pontos críticos de uma empresa; observar a postura dos porta-vozes – excepcionalmente aqueles que têm medo -, até porque, esse é um sentimento que normalmente paralisa os envolvidos e não se eximir da culpa são providências essenciais ao gerenciamento do fato.
O desempenho manterá a credibilidade da empresa, afinal, comunicação não é o que você diz, mas o que o outro entende.
O clichê “fazer do limão uma limonada” reitera: uma crise pode ser sinônimo de uma grande oportunidade.
Aurora Sales é uma jornalista, com especializações no Instituto de Psicologia da USP e em Marketing e Comunicação Publicitária pela Faculdade Cásper Líbero. Bacharelanda em Direito. Professora e profissional de comunicação.
Foi assessora de imprensa da Tom Maior, Rosas de Ouro e Vai-Vai. Coautora do livro SOFIA Belas Artes – Encontro de Saberes: Artes, Arquitetura, Saúde, Ciências Sociais e Humanas, lançado em dezembro/2015.
Nesta quinta-feira (12) a série “Tbt SRzd” traz um dos textos da então colunista do SRzd, publicado em 2015, que aborda a comunicação num gerenciamento de crise dentro de uma escola de samba.
Comunicação: crise para o contexto da escola de samba
Trabalhar no segmento da comunicação é, sem dúvida, uma das áreas mais atraentes. Não há rotina e em várias ocasiões é preciso mudar as estratégias em cima do “deadline”.
Nos últimos meses participei de nove projetos institucionais e seis foram implantados. Quanto aos trabalhos pendentes, o motivo é exatamente o tema desse conteúdo: gestão de crises. Uma tensão corporativa pode durar três dias, três semanas ou três meses.
Felizmente já estamos na fase de reorganização. Antes de atuar no Carnaval, frequentava, ao lado de vários amigos, ensaios das escolas de samba. No dia de retirarmos as fantasias notamos o presidente com três aparelhos celulares em suas mãos.
Desligava uma chamada e atendia outra, sem cessar. Posteriormente ele comentou com o nosso grupo o motivo de tantos telefonemas. Um funcionário havia caído de uma alegoria e estava muito machucado. A imprensa queria saber detalhes, mas o dirigente aguardava informações do hospital.
Comunicação. Foto: Reprodução
Um de meus amigos comentou: você precisa de uma assessora de imprensa. Trocamos cartões. No ano seguinte estava na quadra, mas desta vez não era foliã.
Desde então são inúmeras situações presenciadas e administradas nesse setor. Um dos cases marcantes foi receber uma nota do departamento que controla o uso de imóveis e atua na prevenção e fiscalização de instalações e sistemas de segurança de edificações, em São Paulo.
Na mesma semana uma boate, em Santa Maria-RS, vitimou quase duzentas e cinquenta pessoas e vários estabelecimentos foram monitorados. A escola em que assessorava recebeu uma equipe de fiscais que solicitou a apresentação, em 24 horas, de toda a documentação que atestava a segurança da quadra. Isso tudo ocorreu uma semana antes de a escola desfilar no sambódromo.
A situação era delicada e os dirigentes ficaram com os humores alterados. Felizmente pela confiança adquirida tive, a incumbência de gerenciar o momento com a imprensa e os órgãos responsáveis.
Comunicação. Foto: Reprodução
Advogados, engenheiros, técnicos, comunidade e todos os afins. Fazer o media training para que a principal dirigente falasse com os jornalistas foi um momento especial. Choro, revolta, punhos cerrados e insegurança. Tudo fazia parte do cenário. Cerca de meia hora depois convocamos a imprensa e a fala – emocionada – transmitiu credibilidade e confiança ao principal parceiro da agremiação: seu público!
Nota emitida aos órgãos de comunicação, aos canais da escola e aos patrocinadores. A escola teve ainda dois ensaios na quadra e recebeu uma excelente classificação no desfile oficial. A garra dos componentes fidelizou ainda mais a história daquela entidade. Após a crise, vários pontos foram reavaliados e claro, o ensinamento do mestre dos magos contribuiu para minimizar o problema: “a verdade os libertará”.
Muitas vezes os grandes desastres e escândalos nascem de pequenos deslizes, portanto, a melhor maneira de lidar com uma crise é por meio da prevenção. Estudar e apurar os possíveis pontos críticos de uma empresa; observar a postura dos porta-vozes – excepcionalmente aqueles que têm medo -, até porque, esse é um sentimento que normalmente paralisa os envolvidos e não se eximir da culpa são providências essenciais ao gerenciamento do fato.
O desempenho manterá a credibilidade da empresa, afinal, comunicação não é o que você diz, mas o que o outro entende.
O clichê “fazer do limão uma limonada” reitera: uma crise pode ser sinônimo de uma grande oportunidade.