Patrimônio vivo. Na semana em que o Troféu Raça Negra celebrou sua 25ª edição, um nome ecoou como tambor ancestral: Leci Brandão. Artista múltipla — cantora, compositora, atriz — e voz política incontornável, atualmente no quarto mandato como deputada estadual por São Paulo. São 81 anos de vida dedicados a cantar e lutar, ao costurar […]
PORAurora Seles23/11/2025|
3 min de leitura
Leci Brandão. Foto: Angela Mattos
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Patrimônio vivo. Na semana em que o Troféu Raça Negra celebrou sua 25ª edição, um nome ecoou como tambor ancestral: Leci Brandão.
Artista múltipla — cantora, compositora, atriz — e voz política incontornável, atualmente no quarto mandato como deputada estadual por São Paulo. São 81 anos de vida dedicados a cantar e lutar, ao costurar resistência em cada acorde, em cada gesto, em cada projeto.
Ao subir ao palco, Leci não apenas discursou: ela reverenciou. Pediu licença, como quem se alinha com a espiritualidade e a história de um povo:
“Meus respeitos aos que creem e aos que não creem; aos nossos irmãos e irmãs de ancestralidade, à benção, saravá, axé, mukuiu, motumbá. Inicio agradecendo profundamente o ensinamento. Uma honra ser homenageada diante de tantas pessoas que admiro, assim como eu, negros e negras repletos de beleza, inteligência, competência e sobretudo de alegria”. Essa foi a primeira parte de sua fala.
Leci Brandão. Foto: Reprodução de vídeo/Sambanews
Era impossível não perceber: naquele instante, palco e plateia se curvaram à grandeza de uma mulher que fez do samba plataforma de existência e do Brasil seu território de afeto e crítica. Leci é dessas presenças que nos lembram que o samba é patrimônio vivo, símbolo de liberdade conquistada a ritmo e fé. Diante dela, todo aplauso se transforma em respeito. Uma vida inteira feita de voz ativa e passos firmes, conectados à cultura, política e ancestralidade.
A cerimônia reuniu expressões marcantes da cultura brasileira. Margareth Menezes, ministra da Cultura, levou com ela o gesto político de ocupar os espaços que sempre pertenceram à arte negra. O bailarino e coreógrafo Zebrinha encantou com sua elegância cênica. Mano Brown, ícone do rap, reafirmou que a voz das periferias segue firme. Seu Jorge trouxe sua sonoridade que atravessa fronteiras. E as baianas — as eternas “tias” das escolas de samba — foram ovacionadas pela homenageada, guardiãs do axé que sustenta toda a tradição carnavalesca.
Leci Brandão. Foto: Instagram/Troféu Raça Negra
Foi uma noite de brilho, mas sobretudo de significado. Uma celebração que reafirma: honrar Leci Brandão é honrar a música preta brasileira, suas trajetórias de luta e sua imensa contribuição para o país.
Porque enquanto houver samba, haverá resistência.
E enquanto houver Leci, haverá história sendo escrita — com ritmo, coragem e ancestralidade.
Leci Brandão. Foto: Reprodução de vídeo
Patrimônio vivo. Na semana em que o Troféu Raça Negra celebrou sua 25ª edição, um nome ecoou como tambor ancestral: Leci Brandão.
Artista múltipla — cantora, compositora, atriz — e voz política incontornável, atualmente no quarto mandato como deputada estadual por São Paulo. São 81 anos de vida dedicados a cantar e lutar, ao costurar resistência em cada acorde, em cada gesto, em cada projeto.
Ao subir ao palco, Leci não apenas discursou: ela reverenciou. Pediu licença, como quem se alinha com a espiritualidade e a história de um povo:
“Meus respeitos aos que creem e aos que não creem; aos nossos irmãos e irmãs de ancestralidade, à benção, saravá, axé, mukuiu, motumbá. Inicio agradecendo profundamente o ensinamento. Uma honra ser homenageada diante de tantas pessoas que admiro, assim como eu, negros e negras repletos de beleza, inteligência, competência e sobretudo de alegria”. Essa foi a primeira parte de sua fala.
Leci Brandão. Foto: Reprodução de vídeo/Sambanews
Era impossível não perceber: naquele instante, palco e plateia se curvaram à grandeza de uma mulher que fez do samba plataforma de existência e do Brasil seu território de afeto e crítica. Leci é dessas presenças que nos lembram que o samba é patrimônio vivo, símbolo de liberdade conquistada a ritmo e fé. Diante dela, todo aplauso se transforma em respeito. Uma vida inteira feita de voz ativa e passos firmes, conectados à cultura, política e ancestralidade.
A cerimônia reuniu expressões marcantes da cultura brasileira. Margareth Menezes, ministra da Cultura, levou com ela o gesto político de ocupar os espaços que sempre pertenceram à arte negra. O bailarino e coreógrafo Zebrinha encantou com sua elegância cênica. Mano Brown, ícone do rap, reafirmou que a voz das periferias segue firme. Seu Jorge trouxe sua sonoridade que atravessa fronteiras. E as baianas — as eternas “tias” das escolas de samba — foram ovacionadas pela homenageada, guardiãs do axé que sustenta toda a tradição carnavalesca.
Leci Brandão. Foto: Instagram/Troféu Raça Negra
Foi uma noite de brilho, mas sobretudo de significado. Uma celebração que reafirma: honrar Leci Brandão é honrar a música preta brasileira, suas trajetórias de luta e sua imensa contribuição para o país.
Porque enquanto houver samba, haverá resistência.
E enquanto houver Leci, haverá história sendo escrita — com ritmo, coragem e ancestralidade.