“O samba de enredo é um gênero épico. O único gênero épico genuinamente brasileiro — que nasceu e se desenvolveu espontânea e livremente, sem ter sofrido a mínima influência de qualquer outra modalidade épica, literária ou musical, nacional ou estrangeira”. O trecho acima dá o tom de “Samba de enredo – História e Arte”, de […]
PORLuiz Sales27/10/2025|
3 min de leitura
Cavaco. Foto: Freepik
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“O samba de enredo é um gênero épico. O único gênero épico genuinamente brasileiro — que nasceu e se desenvolveu espontânea e livremente, sem ter sofrido a mínima influência de qualquer outra modalidade épica, literária ou musical, nacional ou estrangeira”.
O trecho acima dá o tom de “Samba de enredo – História e Arte”, de Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas.
O livro começa com uma necessária contextualização do ambiente em que surgiu a modalidade musical, considerando principalmente as influências sociais fundamentais.
Apresenta os concursos carnavalescos surgidos a partir das “grandes sociedades” e as mudanças na segunda metade do século 19 no Rio de Janeiro, então o Distrito Federal.
Lembra da importância seminal da mescla de negros libertos na cidade: os já estabelecidos com os oriundos do Nordeste do País, principalmente da Bahia, e os vindos do Vale do Paraíba fluminense durante a queda na produção do café. Acrescente-se os efeitos da abolição.
“Esse ambiente urbano — marcado pela circulação de múltiplas referências culturais entre os vários grupos que o habitavam — moldou de forma diferente a matriz do samba rural baiano, que, em contato com outros gêneros musicais, deu origem a outros estilos de samba”.
Mussa e Simas não desmerecem a dificuldade da pesquisa. Como navegar em um mar de sambas que não foram gravados — sem registros fonográficos?
Lembrando que a rotina de lançar os discos de forma consistente ocorre somente a partir dos anos 60 — enquanto que os sambas, oriundos dos enredos, começam a surgir nos anos 30.
Capa do livro “Samba de Enredo – História a Arte”. Foto: Acervo Pessoal/Luiz Sales
No limite conseguiriam a letra dos mais antigos, lhes faltando a necessária melodia. E como recuperar obras que não foram para a avenida, apesar da qualidade relatada pelos mais velhos?
“Samba de Enredo” está divido em períodos, o que facilita tanto na narrativa quando na identificação de grandes momentos.
O patriotismo imposto no Estado Novo (Getúlio Vargas), o ufanismo durante a Segunda Grande Guerra, o período clássico dos sambas que vai do começo dos anos 50 ao final dos 60 e “época de ouro, que terminaria em 1989 segundo os autores.
Tem início o período da “encruzilhada”: a sensação de padronização dos enredos. Sem qualquer demérito dos demais quesitos, os autores dão a letra:
“Para medir a importância do samba de enredo para os desfies das escolas, basta fazer uma simples constatação — ele é, desde os primeiros desfiles, o único quesito que sempre esteve submetido a julgamento”.
Obra: Samba de Enredo – História a Arte Autores: Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas Editora: Civilização Brasileira
“O samba de enredo é um gênero épico. O único gênero épico genuinamente brasileiro — que nasceu e se desenvolveu espontânea e livremente, sem ter sofrido a mínima influência de qualquer outra modalidade épica, literária ou musical, nacional ou estrangeira”.
O trecho acima dá o tom de “Samba de enredo – História e Arte”, de Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas.
O livro começa com uma necessária contextualização do ambiente em que surgiu a modalidade musical, considerando principalmente as influências sociais fundamentais.
Apresenta os concursos carnavalescos surgidos a partir das “grandes sociedades” e as mudanças na segunda metade do século 19 no Rio de Janeiro, então o Distrito Federal.
Lembra da importância seminal da mescla de negros libertos na cidade: os já estabelecidos com os oriundos do Nordeste do País, principalmente da Bahia, e os vindos do Vale do Paraíba fluminense durante a queda na produção do café. Acrescente-se os efeitos da abolição.
“Esse ambiente urbano — marcado pela circulação de múltiplas referências culturais entre os vários grupos que o habitavam — moldou de forma diferente a matriz do samba rural baiano, que, em contato com outros gêneros musicais, deu origem a outros estilos de samba”.
Mussa e Simas não desmerecem a dificuldade da pesquisa. Como navegar em um mar de sambas que não foram gravados — sem registros fonográficos?
Lembrando que a rotina de lançar os discos de forma consistente ocorre somente a partir dos anos 60 — enquanto que os sambas, oriundos dos enredos, começam a surgir nos anos 30.
Capa do livro “Samba de Enredo – História a Arte”. Foto: Acervo Pessoal/Luiz Sales
No limite conseguiriam a letra dos mais antigos, lhes faltando a necessária melodia. E como recuperar obras que não foram para a avenida, apesar da qualidade relatada pelos mais velhos?
“Samba de Enredo” está divido em períodos, o que facilita tanto na narrativa quando na identificação de grandes momentos.
O patriotismo imposto no Estado Novo (Getúlio Vargas), o ufanismo durante a Segunda Grande Guerra, o período clássico dos sambas que vai do começo dos anos 50 ao final dos 60 e “época de ouro, que terminaria em 1989 segundo os autores.
Tem início o período da “encruzilhada”: a sensação de padronização dos enredos. Sem qualquer demérito dos demais quesitos, os autores dão a letra:
“Para medir a importância do samba de enredo para os desfies das escolas, basta fazer uma simples constatação — ele é, desde os primeiros desfiles, o único quesito que sempre esteve submetido a julgamento”.
Obra: Samba de Enredo – História a Arte Autores: Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas Editora: Civilização Brasileira