Gay Games Paris-2018: sem verba, delegação brasileira enfrenta um drama
O drama continua. Vai ou não vai? Qual será o tamanho e o potencial da delegação brasileira nos Gay Games, de 4 a 12 de agosto, em Paris? Ainda às voltas com dificuldades financeiras, a Espírito Brasil, organizadora desse contingente de atletas e pessoal de apoio, ainda não sabe se poderá realmente levar, vestir, hospedar […]
PORClaudio Nogueira25/7/2018|
4 min de leitura
Time de futebol Unicorns Brazil, que também participará do Gay Games Paris, ajuda a divulgar campanha por apoio. Foto: Reprodução/Instagram
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O drama continua. Vai ou não vai? Qual será o tamanho e o potencial da delegação brasileira nos Gay Games, de 4 a 12 de agosto, em Paris? Ainda às voltas com dificuldades financeiras, a Espírito Brasil, organizadora desse contingente de atletas e pessoal de apoio, ainda não sabe se poderá realmente levar, vestir, hospedar e alimentar 65 pessoas (sendo 59 atletas pré-inscritos dentro do prazo encerrado a 5 de julho) no megaevento, cujo slogan é All Equal, isto é, Todos iguais.
Com 15 mil atletas de mais de 70 países e competindo em 36 modalidades, os Gay Games são os Jogos da Inclusão, abertos também a heterossexuais e a portadores de deficiências. A princípio, a delegação verde e amarela terá representantes no futebol (Beescats, do Rio de Janeiro, na foto abaixo), atletismo, maratona, esgrima, ciclismo, natação, vôlei de quadra e vôlei de praia. Para levantar verba que ajude a concretizar a viagem de atletas bolsistas, os mais carentes, a Espírito Brasil mantém na internet o site https://www.vakinha.com.br/vaquinha/delegacao-espirito-brasil-paris-2018 (no ar até 4 de agosto). Dos R$ 19 mil pretendidos, pouco mais de R$ 1 mil foram arrecadados.
Time de futebol Beecats. Foto: Reprodução/Instagram
Dos 59 atletas brasileiros, 43 confirmaram que irão custear suas próprias despesas. Os outros são os chamados bolsistas. A falta de patrocínio, porém, já fez pelo menos uma vítima conhecida: a transexual Carol Lissarassa, do vôlei de praia (vídeo abaixo). A atleta, que já disputou torneio ao lado de Juliana, medalhista olímpica e multicampeã, não poderá viajar, por não ter o dinheiro para custear sua viagem. Isso apesar de ser uma das embaixatrizes do evento no país.
Assim sendo, dos 59, há 16 sob o risco de não poderem viajar por falta de dinheiro, apesar de já estarem devidamente inscritos. Provavelmente por preconceito, empresas, federações e clubes do país não têm se mobilizado em favor da delegação.
Diretora da Espírito Brasil, Camille Espagne, francesa radicada no Rio de Janeiro,tem repetido que a maior motivação dessa entidade é a crença no esporte como um fator de integração entre as diferenças e de demolição de preconceitos e outras barreiras sociais. Ela tem um sonho: “Gostaríamos de sediar os Gay Games em 2026, talvez no Rio, nas instalações da Rio-2016, o que serviria para celebrar a passagem dos 10 anos da Olimpíada e da Paralimpíada.”
De qualquer maneira, o contingente de 2018 será o maior da história do Brasil nos Jogos do Arco-Íris. A celebração esportiva ocorre a cada quatro anos, desde 1982, em San Francisco, nos EUA, e foi criada por iniciativa do decatleta olímpico americano Tom Waddell. A edição parisiense será a décima. A seguinte, em 2022, será em Hong Kong.
Os Jogos irão ocupar espaços os mais variados em diferentes pontos da Grande Paris, incluindo estádios como Jean Bouin e Charléty, a Arena Romana de Lutécia (nome de Paris sob domínio romano), Instituto Nacional de Judô, a Cidade Universitária, e o Hôtel de Ville, a Prefeitura Municipal, onde estará aberta a Gay Village.
Em Paris, haverá três mil voluntários, e a expectativa é quanto à presença de 40 mil turistas e 300 mil espectadores. O site oficial do megaevento, http://www.paris2018, estima que o impacto econômico dos Jogos será de 136 milhões de euros (cerca de R$ 601 milhões), graças ao evento em si e aos gastos com turismo por parte da comunidade LGBT+ presente na França durante os Gay Games. Há quatro anos, em 2014, em Cleveland, nos EUA, o impacto económico foi calculado em US$ 53 milhões (quase R$ 200 milhões).
O drama continua. Vai ou não vai? Qual será o tamanho e o potencial da delegação brasileira nos Gay Games, de 4 a 12 de agosto, em Paris? Ainda às voltas com dificuldades financeiras, a Espírito Brasil, organizadora desse contingente de atletas e pessoal de apoio, ainda não sabe se poderá realmente levar, vestir, hospedar e alimentar 65 pessoas (sendo 59 atletas pré-inscritos dentro do prazo encerrado a 5 de julho) no megaevento, cujo slogan é All Equal, isto é, Todos iguais.
Com 15 mil atletas de mais de 70 países e competindo em 36 modalidades, os Gay Games são os Jogos da Inclusão, abertos também a heterossexuais e a portadores de deficiências. A princípio, a delegação verde e amarela terá representantes no futebol (Beescats, do Rio de Janeiro, na foto abaixo), atletismo, maratona, esgrima, ciclismo, natação, vôlei de quadra e vôlei de praia. Para levantar verba que ajude a concretizar a viagem de atletas bolsistas, os mais carentes, a Espírito Brasil mantém na internet o site https://www.vakinha.com.br/vaquinha/delegacao-espirito-brasil-paris-2018 (no ar até 4 de agosto). Dos R$ 19 mil pretendidos, pouco mais de R$ 1 mil foram arrecadados.
Time de futebol Beecats. Foto: Reprodução/Instagram
Dos 59 atletas brasileiros, 43 confirmaram que irão custear suas próprias despesas. Os outros são os chamados bolsistas. A falta de patrocínio, porém, já fez pelo menos uma vítima conhecida: a transexual Carol Lissarassa, do vôlei de praia (vídeo abaixo). A atleta, que já disputou torneio ao lado de Juliana, medalhista olímpica e multicampeã, não poderá viajar, por não ter o dinheiro para custear sua viagem. Isso apesar de ser uma das embaixatrizes do evento no país.
Assim sendo, dos 59, há 16 sob o risco de não poderem viajar por falta de dinheiro, apesar de já estarem devidamente inscritos. Provavelmente por preconceito, empresas, federações e clubes do país não têm se mobilizado em favor da delegação.
Diretora da Espírito Brasil, Camille Espagne, francesa radicada no Rio de Janeiro,tem repetido que a maior motivação dessa entidade é a crença no esporte como um fator de integração entre as diferenças e de demolição de preconceitos e outras barreiras sociais. Ela tem um sonho: “Gostaríamos de sediar os Gay Games em 2026, talvez no Rio, nas instalações da Rio-2016, o que serviria para celebrar a passagem dos 10 anos da Olimpíada e da Paralimpíada.”
De qualquer maneira, o contingente de 2018 será o maior da história do Brasil nos Jogos do Arco-Íris. A celebração esportiva ocorre a cada quatro anos, desde 1982, em San Francisco, nos EUA, e foi criada por iniciativa do decatleta olímpico americano Tom Waddell. A edição parisiense será a décima. A seguinte, em 2022, será em Hong Kong.
Os Jogos irão ocupar espaços os mais variados em diferentes pontos da Grande Paris, incluindo estádios como Jean Bouin e Charléty, a Arena Romana de Lutécia (nome de Paris sob domínio romano), Instituto Nacional de Judô, a Cidade Universitária, e o Hôtel de Ville, a Prefeitura Municipal, onde estará aberta a Gay Village.
Em Paris, haverá três mil voluntários, e a expectativa é quanto à presença de 40 mil turistas e 300 mil espectadores. O site oficial do megaevento, http://www.paris2018, estima que o impacto econômico dos Jogos será de 136 milhões de euros (cerca de R$ 601 milhões), graças ao evento em si e aos gastos com turismo por parte da comunidade LGBT+ presente na França durante os Gay Games. Há quatro anos, em 2014, em Cleveland, nos EUA, o impacto económico foi calculado em US$ 53 milhões (quase R$ 200 milhões).