‘Artista do Desastre’: James Franco surpreende como Tommy Wiseau
Há 15 anos, o então desconhecido Tommy Wiseau decidiu produzir, roteirizar, dirigir e estrelar seu próprio longa-metragem, “The Room” (Idem – 2003). Sem nenhuma experiência, bancou do próprio bolso o drama sobre amor, amizade e traição que considerava ser bom o suficiente para lhe render indicações ao Oscar, ignorando algo importante e observado por sua […]
PORAna Carolina Garcia24/1/2018|
4 min de leitura
Os irmãos Dave e James Franco oferecem à plateia os melhores desempenhos de suas carreiras (Foto: Divulgação).
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Há 15 anos, o então desconhecido Tommy Wiseau decidiu produzir, roteirizar, dirigir e estrelar seu próprio longa-metragem, “The Room” (Idem – 2003). Sem nenhuma experiência, bancou do próprio bolso o drama sobre amor, amizade e traição que considerava ser bom o suficiente para lhe render indicações ao Oscar, ignorando algo importante e observado por sua própria equipe: o filme tinha condições de concorrer somente ao Framboesa de Ouro, caso o troféu de plástico concedido aos piores tivesse uma categoria intitulada “vergonha alheia”. Atualmente considerado um cult-movie, o filme é um dos maiores equívocos cinematográficos de todos os tempos e chega a ser cômico de tão constrangedor.
A inexperiência de seu realizador associada à sua presunção e atitudes dignas de uma criança mimada, transformaram o set de filmagens numa espécie de filial do inferno desgovernada, inclusive com episódios sem ar-condicionado e água. Os bastidores deste que é chamado de “o pior filme já feito” são contados em “The Disaster Artist: My Life Inside The Room, the Greatest Bad Movie Ever Made”. Escrito por Tom Bissell e Greg Sestera, um dos protagonistas do longa e amigo de Wiseau, o livro serviu de fonte de inspiração para “Artista do Desastre” (The Disaster Artist – 2017), que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 25.
Produzido, dirigido e estrelado por James Franco (Tommy Wiseau), o filme começa em julho de 1998, mostrando como Wiseau conheceu Greg Sestera (Dave Franco), à época um jovem de 19 anos de idade que sonhava com a carreira de ator. Anos mais tarde, já em Los Angeles, Wiseau tem a ideia de fazer “The Room” e coloca Sestera num papel de destaque. Mas as coisas mudam no decorrer das filmagens, sobretudo após a decisão de Sestera de sair da casa do amigo para morar com a namorada, o que se reflete no set.
Ao contrário de “The Room”, “Artista do Desastre” é um filme interessante que conta com a direção firme de Franco e com o bom roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber, desenvolvido com esmero e indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado. Recriando com detalhes o set e as cenas do longa original, esta produção que é um destaques da atual temporada de prêmios nos Estados Unidos tem como principal alicerce as atuações precisas dos irmãos Franco.
Um dos produtores do longa, Seth Rogen (Sandy) interpreta o membro mais sensato e horrorizado da equipe de “The Room” (Foto: Divulgação).
Enquanto Dave equilibra com bastante naturalidade o deslumbre e a decepção, James brilha em cena não apenas ao absorver os trejeitos e sotaque do polonês Wiseau, mas principalmente por trabalhar seu temperamento com destreza. Sem dúvida, é o seu melhor papel como ator, que sabe como trabalhar sua veia dramática sempre que deseja, basta lembrarmos o seu desempenho em “127 Horas” (127 Hours – 2010), que lhe rendeu sua única indicação ao Oscar de melhor ator.
No fim das contas, “Artista do Desastre” é mais do que um filme sobre os percalços de bastidores. É uma produção sobre as consequências do egocentrismo e presunção de um homem imaturo e ávido pela fama, mas que não escuta pessoas mais experientes do que ele e dispostas a ensiná-lo o ofício durante o processo de filmagens. Temperamento mostrado de forma interessante no longa de James Franco, que escolheu cuidadosamente a vigorosa trilha sonora. E é nela que consta a mensagem implícita no filme, que critica pessoas que se julgam acima de tudo e de todos, mais precisamente no trecho de uma das canções selecionadas, “Epic”, grande sucesso do Faith No More: “Você quer tudo isso, mas não pode ter”.
Há 15 anos, o então desconhecido Tommy Wiseau decidiu produzir, roteirizar, dirigir e estrelar seu próprio longa-metragem, “The Room” (Idem – 2003). Sem nenhuma experiência, bancou do próprio bolso o drama sobre amor, amizade e traição que considerava ser bom o suficiente para lhe render indicações ao Oscar, ignorando algo importante e observado por sua própria equipe: o filme tinha condições de concorrer somente ao Framboesa de Ouro, caso o troféu de plástico concedido aos piores tivesse uma categoria intitulada “vergonha alheia”. Atualmente considerado um cult-movie, o filme é um dos maiores equívocos cinematográficos de todos os tempos e chega a ser cômico de tão constrangedor.
A inexperiência de seu realizador associada à sua presunção e atitudes dignas de uma criança mimada, transformaram o set de filmagens numa espécie de filial do inferno desgovernada, inclusive com episódios sem ar-condicionado e água. Os bastidores deste que é chamado de “o pior filme já feito” são contados em “The Disaster Artist: My Life Inside The Room, the Greatest Bad Movie Ever Made”. Escrito por Tom Bissell e Greg Sestera, um dos protagonistas do longa e amigo de Wiseau, o livro serviu de fonte de inspiração para “Artista do Desastre” (The Disaster Artist – 2017), que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 25.
Produzido, dirigido e estrelado por James Franco (Tommy Wiseau), o filme começa em julho de 1998, mostrando como Wiseau conheceu Greg Sestera (Dave Franco), à época um jovem de 19 anos de idade que sonhava com a carreira de ator. Anos mais tarde, já em Los Angeles, Wiseau tem a ideia de fazer “The Room” e coloca Sestera num papel de destaque. Mas as coisas mudam no decorrer das filmagens, sobretudo após a decisão de Sestera de sair da casa do amigo para morar com a namorada, o que se reflete no set.
Ao contrário de “The Room”, “Artista do Desastre” é um filme interessante que conta com a direção firme de Franco e com o bom roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber, desenvolvido com esmero e indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado. Recriando com detalhes o set e as cenas do longa original, esta produção que é um destaques da atual temporada de prêmios nos Estados Unidos tem como principal alicerce as atuações precisas dos irmãos Franco.
Um dos produtores do longa, Seth Rogen (Sandy) interpreta o membro mais sensato e horrorizado da equipe de “The Room” (Foto: Divulgação).
Enquanto Dave equilibra com bastante naturalidade o deslumbre e a decepção, James brilha em cena não apenas ao absorver os trejeitos e sotaque do polonês Wiseau, mas principalmente por trabalhar seu temperamento com destreza. Sem dúvida, é o seu melhor papel como ator, que sabe como trabalhar sua veia dramática sempre que deseja, basta lembrarmos o seu desempenho em “127 Horas” (127 Hours – 2010), que lhe rendeu sua única indicação ao Oscar de melhor ator.
No fim das contas, “Artista do Desastre” é mais do que um filme sobre os percalços de bastidores. É uma produção sobre as consequências do egocentrismo e presunção de um homem imaturo e ávido pela fama, mas que não escuta pessoas mais experientes do que ele e dispostas a ensiná-lo o ofício durante o processo de filmagens. Temperamento mostrado de forma interessante no longa de James Franco, que escolheu cuidadosamente a vigorosa trilha sonora. E é nela que consta a mensagem implícita no filme, que critica pessoas que se julgam acima de tudo e de todos, mais precisamente no trecho de uma das canções selecionadas, “Epic”, grande sucesso do Faith No More: “Você quer tudo isso, mas não pode ter”.