‘Sorry, Baby’: horror apresentado com cautela

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Por Ana Carolina Garcia, crítica de cinema do SRzd Exibido nos festivais de Sundance e Cannes no primeiro semestre desse ano, “Sorry, Baby” (Sorry, Baby – 2025, EUA / Espanha / França) chega ao circuito exibidor brasileiro para levar o espectador à reflexão por meio de sua trama que aborda a violência sexual contra mulheres e […]

POR Ana Carolina Garcia 15/12/2025| 3 min de leitura

Sorry, Baby

Sorry, Baby. Divulgação

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Por Ana Carolina Garcia, crítica de cinema do SRzd

Exibido nos festivais de Sundance e Cannes no primeiro semestre desse ano, “Sorry, Baby” (Sorry, Baby – 2025, EUA / Espanha / França) chega ao circuito exibidor brasileiro para levar o espectador à reflexão por meio de sua trama que aborda a violência sexual contra mulheres e suas consequências.

Dirigido, roteirizado e protagonizado pela francesa Eva Victor, “Sorry, Baby” conta a história de Agnes (Victor), universitária sexualmente violentada pelo professor que lhe despertava admiração. Dividido em capítulos, o longa mostra o episódio com cautela, apostando nas consequências traumáticas do estupro à jovem, que, anos mais tarde, aparece cada vez mais introspectiva e com dificuldade de se relacionar com outro homem, no caso, o vizinho que opta por não desistir dela, interpretado por Lucas Hedges.

Sem nenhum desafio técnico, o longa se desenvolve com calma para priorizar as emoções de Agnes, apresentando o campus universitário não como local seguro e acolhedor para os estudantes, mas frio e, de certa forma, sombrio. Assim, Victor coloca sob seus próprios ombros a responsabilidade de prender, praticamente sozinha, a atenção do espectador para despertar sua empatia. E o faz por meio de uma interpretação calcada na utilização do humor como escudo protetivo de uma mulher em processo de cura gradual que deseja esconder de todos sua vulnerabilidade, expondo-se mais com a melhor amiga, Lydie (Naomi Ackie) – a atuação de Victor lhe rendeu a indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama. Neste ponto, é imprescindível destacar a química de Victor com Ackie e Hedges, que defendem seus personagens com destreza.

No entanto, “Sorry, Baby” se enfraquece pelo excesso de cautela de Victor em contar a história de Agnes numa tentativa de colocar o trauma como fio condutor, mas de forma quase superficial, desprovida de ao menos um momento de catarse apesar de mostrar, pontualmente, situações que funcionam como gatilhos emocionais para a jovem que se tornou professora da universidade em meio ao turbilhão de emoções imposto a ela nos dias e meses posteriores à violência sexual.

A despeito das fragilidades do roteiro, “Sorry, Baby” é uma produção importante por mostrar a jornada de cura da protagonista num ambiente cuja hostilidade fica subentendida a cada cena ambientada no campus, por vezes, até fora dele. E é assim, de forma implícita, que Victor tenta levar a plateia à reflexão, tendo a cautela como pilar principal.

+ assista ao trailer oficial:

Sobre Ana Carolina Garcia: Formada em Comunicação Social e pós-graduada em Jornalismo Cultural, Ana Carolina Garcia é autora dos livros “A Fantástica Fábrica de Filmes – Como Hollywood se tornou a capital mundial do cinema” (2011), “Cinema no século XXI – Modelo tradicional na Era do Streaming” (2021) e “100 anos do Império Disney: Da Avenida Kingswell à conquista do universo” (2023). É vice-presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) desde 2021.

Rodapé - entretenimento

Por Ana Carolina Garcia, crítica de cinema do SRzd

Exibido nos festivais de Sundance e Cannes no primeiro semestre desse ano, “Sorry, Baby” (Sorry, Baby – 2025, EUA / Espanha / França) chega ao circuito exibidor brasileiro para levar o espectador à reflexão por meio de sua trama que aborda a violência sexual contra mulheres e suas consequências.

Dirigido, roteirizado e protagonizado pela francesa Eva Victor, “Sorry, Baby” conta a história de Agnes (Victor), universitária sexualmente violentada pelo professor que lhe despertava admiração. Dividido em capítulos, o longa mostra o episódio com cautela, apostando nas consequências traumáticas do estupro à jovem, que, anos mais tarde, aparece cada vez mais introspectiva e com dificuldade de se relacionar com outro homem, no caso, o vizinho que opta por não desistir dela, interpretado por Lucas Hedges.

Sem nenhum desafio técnico, o longa se desenvolve com calma para priorizar as emoções de Agnes, apresentando o campus universitário não como local seguro e acolhedor para os estudantes, mas frio e, de certa forma, sombrio. Assim, Victor coloca sob seus próprios ombros a responsabilidade de prender, praticamente sozinha, a atenção do espectador para despertar sua empatia. E o faz por meio de uma interpretação calcada na utilização do humor como escudo protetivo de uma mulher em processo de cura gradual que deseja esconder de todos sua vulnerabilidade, expondo-se mais com a melhor amiga, Lydie (Naomi Ackie) – a atuação de Victor lhe rendeu a indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama. Neste ponto, é imprescindível destacar a química de Victor com Ackie e Hedges, que defendem seus personagens com destreza.

No entanto, “Sorry, Baby” se enfraquece pelo excesso de cautela de Victor em contar a história de Agnes numa tentativa de colocar o trauma como fio condutor, mas de forma quase superficial, desprovida de ao menos um momento de catarse apesar de mostrar, pontualmente, situações que funcionam como gatilhos emocionais para a jovem que se tornou professora da universidade em meio ao turbilhão de emoções imposto a ela nos dias e meses posteriores à violência sexual.

A despeito das fragilidades do roteiro, “Sorry, Baby” é uma produção importante por mostrar a jornada de cura da protagonista num ambiente cuja hostilidade fica subentendida a cada cena ambientada no campus, por vezes, até fora dele. E é assim, de forma implícita, que Victor tenta levar a plateia à reflexão, tendo a cautela como pilar principal.

+ assista ao trailer oficial:

Sobre Ana Carolina Garcia: Formada em Comunicação Social e pós-graduada em Jornalismo Cultural, Ana Carolina Garcia é autora dos livros “A Fantástica Fábrica de Filmes – Como Hollywood se tornou a capital mundial do cinema” (2011), “Cinema no século XXI – Modelo tradicional na Era do Streaming” (2021) e “100 anos do Império Disney: Da Avenida Kingswell à conquista do universo” (2023). É vice-presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) desde 2021.

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