‘Todos os Mortos’ entra em cartaz na quinta

  • Icon instagram_blue
  • Icon youtube_blue
  • Icon x_blue
  • Icon facebook_blue
  • Icon google_blue

Exibido no Festival de Berlim como um dos concorrentes ao Urso de Ouro deste ano, “Todos os Mortos” (2020) estreia no circuito comercial brasileiro nesta quinta-feira, dia 10, prometendo ao espectador momentos de reflexão acerca de acontecimentos históricos não tão distantes e que ainda hoje se refletem na situação sócio-política-econômica do país.   Com direção […]

POR Ana Carolina Garcia 8/12/2020| 3 min de leitura

Placeholder Image

“Todos os Mortos” é dirigido e roteirizado por Marco Dutra e Caetano Gotardo (Foto: Divulgação).

| Siga-nos Google News

Exibido no Festival de Berlim como um dos concorrentes ao Urso de Ouro deste ano, “Todos os Mortos” (2020) estreia no circuito comercial brasileiro nesta quinta-feira, dia 10, prometendo ao espectador momentos de reflexão acerca de acontecimentos históricos não tão distantes e que ainda hoje se refletem na situação sócio-política-econômica do país.

 

“Todos os Mortos” foi um dos destaques do Festival de Berlim deste ano (Foto: Divulgação).

Com direção e roteiro de Marco Dutra e Caetano Gotardo, “Todos os Mortos” começa em setembro de 1899, mostrando o início da decadência aristocrata por meio de uma família disfuncional cujo patriarca prefere se manter na antiga fazenda de café, passando de proprietário a funcionário, a se reunir com a esposa e as filhas em São Paulo. Enquanto isso, a primogênita Maria (Clarissa Kiste), enrustida e amargurada sob o hábito religioso, faz o possível para recuperar a saúde mental da mãe e da irmã, que ficam obcecadas por João (Agyei Augusto), filho de uma ex-escrava da fazenda.

 

Dividido em capítulos, o longa conta com roteiro coeso e desenvolvido com cuidado, mas o ritmo lento da narrativa incomoda em alguns momentos, algo impulsionado pelo tom quase teatral no qual os diálogos são proferidos. A formalidade é tanta que soa artificial e concede aos personagens tons quase robóticos, diminuindo tanto o impacto da história sobre o espectador quanto a força das personagens, principalmente femininas e responsáveis por suas respectivas famílias, uma vez que não há nenhuma figura masculina presente.

 

Abordando o período pós-abolição da escravatura, “Todos os Mortos” apresenta o preconceito racial enraizado na sociedade brasileira num cenário difícil no qual os negros, apesar da anunciada liberdade, por falta de oportunidades e opções, continuavam presos às famílias que os escravizaram e comercializaram. Os poucos que tiveram coragem, e condições, de enfrentar a luta por condições mínimas de dignidade tiveram de lidar com a hipocrisia e arrogância principalmente nas capitais, onde sua fé e tradições eram constantemente desrespeitadas.

 

Classificado como drama, “Todos os Mortos” insere elementos do cinema de terror gradativamente de forma a ambientar o espectador, seguindo fórmula que remete um pouco ao aclamado “Os Outros” (The Others – 2001), de Alejandro Amenábar, no que tange à estética e à opção de priorizar o ambiente do casarão como cenário principal do núcleo aristocrata. No fim das contas, este é um filme que começa como drama histórico sobre mentes perturbadas, tornando-se cada vez mais sombrio ao brincar com o suspense e o sobrenatural.

 

Assista ao trailer oficial:

Exibido no Festival de Berlim como um dos concorrentes ao Urso de Ouro deste ano, “Todos os Mortos” (2020) estreia no circuito comercial brasileiro nesta quinta-feira, dia 10, prometendo ao espectador momentos de reflexão acerca de acontecimentos históricos não tão distantes e que ainda hoje se refletem na situação sócio-política-econômica do país.

 

“Todos os Mortos” foi um dos destaques do Festival de Berlim deste ano (Foto: Divulgação).

Com direção e roteiro de Marco Dutra e Caetano Gotardo, “Todos os Mortos” começa em setembro de 1899, mostrando o início da decadência aristocrata por meio de uma família disfuncional cujo patriarca prefere se manter na antiga fazenda de café, passando de proprietário a funcionário, a se reunir com a esposa e as filhas em São Paulo. Enquanto isso, a primogênita Maria (Clarissa Kiste), enrustida e amargurada sob o hábito religioso, faz o possível para recuperar a saúde mental da mãe e da irmã, que ficam obcecadas por João (Agyei Augusto), filho de uma ex-escrava da fazenda.

 

Dividido em capítulos, o longa conta com roteiro coeso e desenvolvido com cuidado, mas o ritmo lento da narrativa incomoda em alguns momentos, algo impulsionado pelo tom quase teatral no qual os diálogos são proferidos. A formalidade é tanta que soa artificial e concede aos personagens tons quase robóticos, diminuindo tanto o impacto da história sobre o espectador quanto a força das personagens, principalmente femininas e responsáveis por suas respectivas famílias, uma vez que não há nenhuma figura masculina presente.

 

Abordando o período pós-abolição da escravatura, “Todos os Mortos” apresenta o preconceito racial enraizado na sociedade brasileira num cenário difícil no qual os negros, apesar da anunciada liberdade, por falta de oportunidades e opções, continuavam presos às famílias que os escravizaram e comercializaram. Os poucos que tiveram coragem, e condições, de enfrentar a luta por condições mínimas de dignidade tiveram de lidar com a hipocrisia e arrogância principalmente nas capitais, onde sua fé e tradições eram constantemente desrespeitadas.

 

Classificado como drama, “Todos os Mortos” insere elementos do cinema de terror gradativamente de forma a ambientar o espectador, seguindo fórmula que remete um pouco ao aclamado “Os Outros” (The Others – 2001), de Alejandro Amenábar, no que tange à estética e à opção de priorizar o ambiente do casarão como cenário principal do núcleo aristocrata. No fim das contas, este é um filme que começa como drama histórico sobre mentes perturbadas, tornando-se cada vez mais sombrio ao brincar com o suspense e o sobrenatural.

 

Assista ao trailer oficial:

Notícias Relacionadas

Ver tudo