OPINIÃO, Oscar 2026: ‘Uma batalha após a outra’ domina cerimônia previsível
Por Ana Carolina Garcia, crítica de cinema do SRzd A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS) realizou na noite do último domingo, dia 15, no Dolby Theatre, em Los Angeles, a 98a cerimônia de entrega do Oscar. E o grande vencedor da noite foi “Uma […]
PORAna Carolina Garcia16/3/2026|
10 min de leitura
Oscar 2026: equipe de “Uma batalha após a outra” comemora o prêmio de melhor filme (Foto: Divulgação – Crédito: Trae Patton / The Academy)
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Por Ana Carolina Garcia, crítica de cinema do SRzd
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS) realizou na noite do último domingo, dia 15, no Dolby Theatre, em Los Angeles, a 98a cerimônia de entrega do Oscar. E o grande vencedor da noite foi “Uma batalha após a outra” (One battle after another – 2025, EUA), que venceu seis das 13 categorias que disputava, as de melhor filme, direção (Paul Thomas Anderson), roteiro adaptado (Anderson), ator coadjuvante (Sean Penn), direção de elenco (Cassandra Kulukundis) e edição (Andy Jurgensen).
Oscar 2026: Paul Thomas Anderson com uma das três estatuetas que recebeu por “Uma batalha após a outra” (Foto; Divulgação – Crédito: Trae Patton / The Academy)
“Uma batalha após a outra” se destacou na temporada de prêmios pela maneira com a qual tece crítica direta ao cenário político americano. Para tanto, passeia por gêneros cinematográficos distintos com maestria, conduzindo o espectador por uma trama recheada de ação, suspense, drama e comédia. É uma produção cuja vitória pode ser considerada um posicionamento contundente da comunidade hollywoodiana contra o governo, sobretudo no que tange à política migratória, algo observado também há sete anos, quando “Roma” (Roma – 2018, México / EUA), de Alfonso Cuarón, saiu do Dolby Theatre com as estatuetas de melhor filme estrangeiro (agora, internacional), direção e fotografia. À época, muito se falava acerca da construção do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, e Hollywood, tal qual fizera durante a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) e em tantas outras situações, se posicionou.
Na edição deste ano, “Uma batalha após a outra” era um dos títulos mais fortes da corrida pela estatueta dourada, assumindo a confortável posição de favorito nas últimas semanas, tendo como principal oponente “Pecadores” (Sinners – 2025, EUA / Austrália / Canadá). Produzido, dirigido e roteirizado por Rayn Coogler, “Pecadores” caiu nas graças dos membros da AMPAS e entrou para o livro de História da instituição como recordista absoluto de indicações, 16 ao todo.
Oscar 2026: Ryan Coogler, Ludwig Göransson, Autumn Durald Arkapaw e Michael B. Jordan (Foto: Divulgação – Crédito: Etienne Laurent / The Academy)
Dialogando, de certa forma, com “Uma batalha após a outra” no quesito crítica social e política, “Pecadores” se tornou um fenômeno para a Academia, sendo aplaudido efusivamente a cada menção no decorrer da cerimônia do Oscar, deixando o Dolby Theatre com quatro estatuetas: ator (Michael B. Jordan), roteiro original (Coogler), fotografia (Autumn Durald Arkapaw) e trilha sonora (Ludwig Göransson). Neste ponto, é importante ressaltar que Arkapaw se tornou a primeira mulher agraciada com o Oscar de melhor fotografia, assim como Jordan o sexto negro a vencer a categoria de melhor ator, juntando-se a Sidney Poitier por “Uma Voz nas Sombras” (Lilies of the Field – 1963, EUA), Denzel Washington por “Dia de Treinamento” (Training Day – 2001, EUA), Jamie Foxx por “Ray” (Ray – 2004, EUA), Forest Whitaker por “O Último Rei da Escócia” (The Last King of Scotland – 2006, Reino Unido / Alemanha / EUA) e Will Smith por “King Richard: Criando Campeãs” (King Richard – 2021, EUA / Austrália) – Washington também venceu o Golden Boy de ator coadjuvante por “Tempo de Glória” (Glory – 1989, EUA).
Ovacionado pelos presentes ao subir ao palco para receber o prêmio de melhor roteiro original, Coogler é um cineasta que tem firmado sua autoralidade, vide a maneira como sacudiu o Universo Cinematográfico da Marvel (UCM) há oito anos, quando transformou um longa-metragem de super-herói, baseado nos quadrinhos, “Pantera Negra” (Black Panther – 2018, EUA), numa produção sobre família, raízes, ancestralidade, religiosidade e crítica social. Temas também observados em “Pecadores”. É um profissional completo com muito a oferecer ao público e que tem concedido injeção de ânimo numa indústria sob constante ameaça de extinção devido ao avanço das plataformas digitais.
Oscar 2026: os atores vencedores Jessie Buckley, Michael B. Jordan e Amy Madigan (Foto: Divulgação – Crédito: Etienne Laurent / The Academy)
As estatuetas de “Pecadores” chamam a atenção pelo fato de o longa pertencer a um gênero cinematográfico pouco popular entre os votantes da AMPAS, o terror, que, no passado, teve representantes de peso bem-sucedidos na premiação, como “O bebê de Rosemary” (Rosemary’s Baby – 1968, EUA), “O exorcista” (The exorcista – 1973, EUA), “O Silêncio dos Inocentes” (The Silence of the Lambs – 1991, EUA) e “Corra!” (Get out – 2017, EUA). Se falta popularidade junto à Academia, sobra junto aos espectadores. E no momento em que a AMPAS precisa recuperar o prestígio de outrora junto à fatia jovem dos telespectadores, aliado à renovação do quadro de integrantes, o terror voltou à cena com produções de grande apelo na temporada, tendo como outros representantes “A Hora do Mal” (Weapons – 2025, EUA), que rendeu o Golden Boy de melhor atriz coadjuvante à Amy Madigan, e “Frankenstein” (Frankenstein – 2025, México / EUA), que venceu as categorias de maquiagem e cabelo (Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey), figurino (Kate Hawley) e design de produção (Tamara Deverell e Shane Vieau).
Com pouco mais de três horas e meia de duração, a festa lembrou os homenageados pela AMPAS com estatuetas honorárias por sua contribuição à sétima-arte, entregues em 16 de novembro do ano passado: Tom Cruise, Debbie Allen e Wynn Thomas. Além de Dolly Parton, que recebeu o Jean Hersholt Humanitarian Award.
Apresentada por Conan O’Brien, a cerimônia aconteceu sem intercorrências, com tom político e antiguerra, focando na celebração ao cinema e às pessoas que nele trabalham, inclusive as que partiram no último ano, fazendo bela homenagem póstuma ao casal Rob e Michele Reiner, Diane Keaton, Robert Redford, Diane Ladd e Robert Duvall, dentre muitos outros nomes que fizeram de Hollywood uma indústria grande.
Oscar 2026: Wagner Moura e a esposa, Sandra Delgado, na plateia do Dolby Theatre (Foto: Divulgação – Crédito: Dana Pleasant / The Academy)
No entanto, a festa que os brasileiros esperavam não aconteceu porque “O agente secreto” (O agente secreto – 2025, Brasil) perdeu as quatro estatuetas a que concorria, nas categorias de melhor filme, filme internacional, ator para Wagner Moura e direção de elenco para Gabriel Domingues. A derrota do longa dirigido por Kleber Mendonça Filho era apontada em diversas análises da imprensa americana, sobretudo pela ascensão de Michael B. Jordan, que venceu o maior termômetro das categorias de atores principais e coadjuvantes, o Actor (antigo SAG Award), concedido pelo Sindicato de Atores dos Estados Unidos (Screen Actors Guild – SAG), e de “Valor sentimental” (Sentimental Value – 2025, Noruega / Alemanha / Dinamarca / França / Suécia / Reino Unido / Turquia).
Representante norueguês no Oscar, “Valor sentimental” era o principal adversário de “O agente secreto” na corrida pela estatueta de melhor filme internacional, ocupando lugar confortável nas últimas semanas, quando o brasileiro começou a apresentar sinais de enfraquecimento nas bolsas de apostas americanas. Mesmo assim, o resultado do Oscar não pode ser encarado como negativo para o cinema nacional, que conseguiu ficar sob os holofotes por dois anos consecutivos, algo inédito para as produções brasileiras no Oscar. A trajetória de “O agente secreto” tem de ser celebrada, pois firma a posição do Brasil como centro de produção importante junto aos membros da AMPAS.
Oscar 2026: Benicio del Toro, Wagner Moura e Guillermo del Toro no Dolby Theatre (Foto: Divulgação – Crédito: Dana Pleasant / The Academy)
Dos 10 títulos indicados a melhor filme, somente “O agente secreto”, “Marty Supreme” (Marty Supreme – 2025, EUA / Finlândia), “Sonhos de Trem” (Train dreams – 2025, EUA) e “Bugonia” (Bugonia – 2025, Irlanda / Reino Unido / Canadá / Coreia do Sul / EUA) deixaram o Dolby Theatre sem nenhuma estatueta. Um dos longas mais badalados da temporada, “Hamnet: A vida antes de Hamlet – 2025, Reino Unido / EUA) venceu apenas a categoria de melhor atriz para Jessie Buckley, favorita absoluta neste ano após vencer os indicativos mais importantes para o Oscar: Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama, BAFTA, Actor e Critics Choice Award.
Contando com nova categoria, melhor direção de elenco, a primeira criada desde 2001, quando a Academia cedeu à pressão da Disney e criou o prêmio de melhor animação em longa-metragem, o Oscar 2026 foi previsível, mas equilibrado na distribuição das estatuetas.
Confira a lista completa de vencedores:
Melhor filme:
– “Uma batalha após a outra”.
Melhor direção:
– Paul Thomas Anderson – “Uma batalha após a outra”.
Melhor ator:
– Michael B. Jordan – “Pecadores”.
Melhor atriz:
– Jessie Buckley – “Hamnet: A vida antes de Hamlet”.
Melhor ator coadjuvante:
– Sean Penn – “Uma batalha após a outra”.
Melhor atriz coadjuvante:
– Amy Madigan – “A hora do mal” (Weapons – 2025, EUA).
Melhor direção de elenco:
– Cassandra Kulukundis – “Uma batalha após a outra”.
Melhor roteiro original:
– Ryan Coogler – “Pecadores”.
Melhor roteiro adaptado:
– Paul Thomas Anderson – “Uma batalha após a outra”.
Melhor animação:
– “Guerreiras do K-Pop” (K-Pop Demon Hunters – 2025, EUA / Canadá).
Melhor filme internacional:
– “Valor sentimental”.
Melhor fotografia:
– Autumn Durald Arkapaw – “Pecadores”.
Melhor edição (montagem):
– Andy Jurgensen – “Uma batalha após a outra”.
Melhor design de produção:
– Tamara Deverell e Shane Vieau – “Frankenstein” (Frankenstein – 2025, México / EUA).
Melhor figurino:
– Kate Hawley – “Frankenstein”.
Melhor maquiagem e cabelo:
– Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey – “Frankenstein”.
Melhor trilha sonora:
– Ludwig Göransson – “Pecadores”.
Melhor canção original:
– “Golden”, de EJAE, Mark Sonnenblick, Joong Gyu-kwak, Lee Yu-han, Nam Hee-dong, Teddy Park e 24 – “Guerreiras do K-Pop”.
Melhor som:
– Gareth John, Al Nelson, Gwendolyn Yates Whittle, Gary A. Rizzo e Juan Peralta – “F1: O filme” (F1 – 2025, EUA).
Melhores efeitos visuais:
– Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett – “Avatar: Fogo e Cinzas” (Avatar: Fire and Ash – 2025, EUA / Canadá).
Melhor documentário:
– “Um Zé Ninguém Contra Putin” (Mr. Nobody Against Putin – 2025, Dinamarca / Reino Unido / Alemanha / República Tcheca).
Melhor documentário (curta):
– “Quartos Vazios” (All the Empty Rooms – 2025, EUA).
Melhor animação (curta):
– “A garota que chorava pérolas” (The Girl Who Cried Pearls – 2025, Canadá).
Melhor curta:
*EMPATE*
– “Os cantores” (The Singers – 2025, EUA);
– “Duas Pessoas Trocando Saliva” (Deux personnes échangeant de la salive – 2024, França / EUA).
Sobre Ana Carolina Garcia: Formada em Comunicação Social e pós-graduada em Jornalismo Cultural, Ana Carolina Garcia é autora dos livros “A Fantástica Fábrica de Filmes – Como Hollywood se tornou a capital mundial do cinema” (2011), “Cinema no século XXI – Modelo tradicional na Era do Streaming” (2021) e “100 anos do Império Disney: Da Avenida Kingswell à conquista do universo” (2023). É vice-presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) desde 2021.
Por Ana Carolina Garcia, crítica de cinema do SRzd
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (Academy of Motion Picture Arts and Sciences – AMPAS) realizou na noite do último domingo, dia 15, no Dolby Theatre, em Los Angeles, a 98a cerimônia de entrega do Oscar. E o grande vencedor da noite foi “Uma batalha após a outra” (One battle after another – 2025, EUA), que venceu seis das 13 categorias que disputava, as de melhor filme, direção (Paul Thomas Anderson), roteiro adaptado (Anderson), ator coadjuvante (Sean Penn), direção de elenco (Cassandra Kulukundis) e edição (Andy Jurgensen).
Oscar 2026: Paul Thomas Anderson com uma das três estatuetas que recebeu por “Uma batalha após a outra” (Foto; Divulgação – Crédito: Trae Patton / The Academy)
“Uma batalha após a outra” se destacou na temporada de prêmios pela maneira com a qual tece crítica direta ao cenário político americano. Para tanto, passeia por gêneros cinematográficos distintos com maestria, conduzindo o espectador por uma trama recheada de ação, suspense, drama e comédia. É uma produção cuja vitória pode ser considerada um posicionamento contundente da comunidade hollywoodiana contra o governo, sobretudo no que tange à política migratória, algo observado também há sete anos, quando “Roma” (Roma – 2018, México / EUA), de Alfonso Cuarón, saiu do Dolby Theatre com as estatuetas de melhor filme estrangeiro (agora, internacional), direção e fotografia. À época, muito se falava acerca da construção do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, e Hollywood, tal qual fizera durante a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) e em tantas outras situações, se posicionou.
Na edição deste ano, “Uma batalha após a outra” era um dos títulos mais fortes da corrida pela estatueta dourada, assumindo a confortável posição de favorito nas últimas semanas, tendo como principal oponente “Pecadores” (Sinners – 2025, EUA / Austrália / Canadá). Produzido, dirigido e roteirizado por Rayn Coogler, “Pecadores” caiu nas graças dos membros da AMPAS e entrou para o livro de História da instituição como recordista absoluto de indicações, 16 ao todo.
Oscar 2026: Ryan Coogler, Ludwig Göransson, Autumn Durald Arkapaw e Michael B. Jordan (Foto: Divulgação – Crédito: Etienne Laurent / The Academy)
Dialogando, de certa forma, com “Uma batalha após a outra” no quesito crítica social e política, “Pecadores” se tornou um fenômeno para a Academia, sendo aplaudido efusivamente a cada menção no decorrer da cerimônia do Oscar, deixando o Dolby Theatre com quatro estatuetas: ator (Michael B. Jordan), roteiro original (Coogler), fotografia (Autumn Durald Arkapaw) e trilha sonora (Ludwig Göransson). Neste ponto, é importante ressaltar que Arkapaw se tornou a primeira mulher agraciada com o Oscar de melhor fotografia, assim como Jordan o sexto negro a vencer a categoria de melhor ator, juntando-se a Sidney Poitier por “Uma Voz nas Sombras” (Lilies of the Field – 1963, EUA), Denzel Washington por “Dia de Treinamento” (Training Day – 2001, EUA), Jamie Foxx por “Ray” (Ray – 2004, EUA), Forest Whitaker por “O Último Rei da Escócia” (The Last King of Scotland – 2006, Reino Unido / Alemanha / EUA) e Will Smith por “King Richard: Criando Campeãs” (King Richard – 2021, EUA / Austrália) – Washington também venceu o Golden Boy de ator coadjuvante por “Tempo de Glória” (Glory – 1989, EUA).
Ovacionado pelos presentes ao subir ao palco para receber o prêmio de melhor roteiro original, Coogler é um cineasta que tem firmado sua autoralidade, vide a maneira como sacudiu o Universo Cinematográfico da Marvel (UCM) há oito anos, quando transformou um longa-metragem de super-herói, baseado nos quadrinhos, “Pantera Negra” (Black Panther – 2018, EUA), numa produção sobre família, raízes, ancestralidade, religiosidade e crítica social. Temas também observados em “Pecadores”. É um profissional completo com muito a oferecer ao público e que tem concedido injeção de ânimo numa indústria sob constante ameaça de extinção devido ao avanço das plataformas digitais.
Oscar 2026: os atores vencedores Jessie Buckley, Michael B. Jordan e Amy Madigan (Foto: Divulgação – Crédito: Etienne Laurent / The Academy)
As estatuetas de “Pecadores” chamam a atenção pelo fato de o longa pertencer a um gênero cinematográfico pouco popular entre os votantes da AMPAS, o terror, que, no passado, teve representantes de peso bem-sucedidos na premiação, como “O bebê de Rosemary” (Rosemary’s Baby – 1968, EUA), “O exorcista” (The exorcista – 1973, EUA), “O Silêncio dos Inocentes” (The Silence of the Lambs – 1991, EUA) e “Corra!” (Get out – 2017, EUA). Se falta popularidade junto à Academia, sobra junto aos espectadores. E no momento em que a AMPAS precisa recuperar o prestígio de outrora junto à fatia jovem dos telespectadores, aliado à renovação do quadro de integrantes, o terror voltou à cena com produções de grande apelo na temporada, tendo como outros representantes “A Hora do Mal” (Weapons – 2025, EUA), que rendeu o Golden Boy de melhor atriz coadjuvante à Amy Madigan, e “Frankenstein” (Frankenstein – 2025, México / EUA), que venceu as categorias de maquiagem e cabelo (Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey), figurino (Kate Hawley) e design de produção (Tamara Deverell e Shane Vieau).
Com pouco mais de três horas e meia de duração, a festa lembrou os homenageados pela AMPAS com estatuetas honorárias por sua contribuição à sétima-arte, entregues em 16 de novembro do ano passado: Tom Cruise, Debbie Allen e Wynn Thomas. Além de Dolly Parton, que recebeu o Jean Hersholt Humanitarian Award.
Apresentada por Conan O’Brien, a cerimônia aconteceu sem intercorrências, com tom político e antiguerra, focando na celebração ao cinema e às pessoas que nele trabalham, inclusive as que partiram no último ano, fazendo bela homenagem póstuma ao casal Rob e Michele Reiner, Diane Keaton, Robert Redford, Diane Ladd e Robert Duvall, dentre muitos outros nomes que fizeram de Hollywood uma indústria grande.
Oscar 2026: Wagner Moura e a esposa, Sandra Delgado, na plateia do Dolby Theatre (Foto: Divulgação – Crédito: Dana Pleasant / The Academy)
No entanto, a festa que os brasileiros esperavam não aconteceu porque “O agente secreto” (O agente secreto – 2025, Brasil) perdeu as quatro estatuetas a que concorria, nas categorias de melhor filme, filme internacional, ator para Wagner Moura e direção de elenco para Gabriel Domingues. A derrota do longa dirigido por Kleber Mendonça Filho era apontada em diversas análises da imprensa americana, sobretudo pela ascensão de Michael B. Jordan, que venceu o maior termômetro das categorias de atores principais e coadjuvantes, o Actor (antigo SAG Award), concedido pelo Sindicato de Atores dos Estados Unidos (Screen Actors Guild – SAG), e de “Valor sentimental” (Sentimental Value – 2025, Noruega / Alemanha / Dinamarca / França / Suécia / Reino Unido / Turquia).
Representante norueguês no Oscar, “Valor sentimental” era o principal adversário de “O agente secreto” na corrida pela estatueta de melhor filme internacional, ocupando lugar confortável nas últimas semanas, quando o brasileiro começou a apresentar sinais de enfraquecimento nas bolsas de apostas americanas. Mesmo assim, o resultado do Oscar não pode ser encarado como negativo para o cinema nacional, que conseguiu ficar sob os holofotes por dois anos consecutivos, algo inédito para as produções brasileiras no Oscar. A trajetória de “O agente secreto” tem de ser celebrada, pois firma a posição do Brasil como centro de produção importante junto aos membros da AMPAS.
Oscar 2026: Benicio del Toro, Wagner Moura e Guillermo del Toro no Dolby Theatre (Foto: Divulgação – Crédito: Dana Pleasant / The Academy)
Dos 10 títulos indicados a melhor filme, somente “O agente secreto”, “Marty Supreme” (Marty Supreme – 2025, EUA / Finlândia), “Sonhos de Trem” (Train dreams – 2025, EUA) e “Bugonia” (Bugonia – 2025, Irlanda / Reino Unido / Canadá / Coreia do Sul / EUA) deixaram o Dolby Theatre sem nenhuma estatueta. Um dos longas mais badalados da temporada, “Hamnet: A vida antes de Hamlet – 2025, Reino Unido / EUA) venceu apenas a categoria de melhor atriz para Jessie Buckley, favorita absoluta neste ano após vencer os indicativos mais importantes para o Oscar: Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama, BAFTA, Actor e Critics Choice Award.
Contando com nova categoria, melhor direção de elenco, a primeira criada desde 2001, quando a Academia cedeu à pressão da Disney e criou o prêmio de melhor animação em longa-metragem, o Oscar 2026 foi previsível, mas equilibrado na distribuição das estatuetas.
Confira a lista completa de vencedores:
Melhor filme:
– “Uma batalha após a outra”.
Melhor direção:
– Paul Thomas Anderson – “Uma batalha após a outra”.
Melhor ator:
– Michael B. Jordan – “Pecadores”.
Melhor atriz:
– Jessie Buckley – “Hamnet: A vida antes de Hamlet”.
Melhor ator coadjuvante:
– Sean Penn – “Uma batalha após a outra”.
Melhor atriz coadjuvante:
– Amy Madigan – “A hora do mal” (Weapons – 2025, EUA).
Melhor direção de elenco:
– Cassandra Kulukundis – “Uma batalha após a outra”.
Melhor roteiro original:
– Ryan Coogler – “Pecadores”.
Melhor roteiro adaptado:
– Paul Thomas Anderson – “Uma batalha após a outra”.
Melhor animação:
– “Guerreiras do K-Pop” (K-Pop Demon Hunters – 2025, EUA / Canadá).
Melhor filme internacional:
– “Valor sentimental”.
Melhor fotografia:
– Autumn Durald Arkapaw – “Pecadores”.
Melhor edição (montagem):
– Andy Jurgensen – “Uma batalha após a outra”.
Melhor design de produção:
– Tamara Deverell e Shane Vieau – “Frankenstein” (Frankenstein – 2025, México / EUA).
Melhor figurino:
– Kate Hawley – “Frankenstein”.
Melhor maquiagem e cabelo:
– Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey – “Frankenstein”.
Melhor trilha sonora:
– Ludwig Göransson – “Pecadores”.
Melhor canção original:
– “Golden”, de EJAE, Mark Sonnenblick, Joong Gyu-kwak, Lee Yu-han, Nam Hee-dong, Teddy Park e 24 – “Guerreiras do K-Pop”.
Melhor som:
– Gareth John, Al Nelson, Gwendolyn Yates Whittle, Gary A. Rizzo e Juan Peralta – “F1: O filme” (F1 – 2025, EUA).
Melhores efeitos visuais:
– Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett – “Avatar: Fogo e Cinzas” (Avatar: Fire and Ash – 2025, EUA / Canadá).
Melhor documentário:
– “Um Zé Ninguém Contra Putin” (Mr. Nobody Against Putin – 2025, Dinamarca / Reino Unido / Alemanha / República Tcheca).
Melhor documentário (curta):
– “Quartos Vazios” (All the Empty Rooms – 2025, EUA).
Melhor animação (curta):
– “A garota que chorava pérolas” (The Girl Who Cried Pearls – 2025, Canadá).
Melhor curta:
*EMPATE*
– “Os cantores” (The Singers – 2025, EUA);
– “Duas Pessoas Trocando Saliva” (Deux personnes échangeant de la salive – 2024, França / EUA).
Sobre Ana Carolina Garcia: Formada em Comunicação Social e pós-graduada em Jornalismo Cultural, Ana Carolina Garcia é autora dos livros “A Fantástica Fábrica de Filmes – Como Hollywood se tornou a capital mundial do cinema” (2011), “Cinema no século XXI – Modelo tradicional na Era do Streaming” (2021) e “100 anos do Império Disney: Da Avenida Kingswell à conquista do universo” (2023). É vice-presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) desde 2021.