A Loba no altar de areia: O triunfo (e os deslizes) de Shakira em Copacabana
Música: Dizem que o Rio de Janeiro é o purgatório da beleza e do caos, mas no último sábado, a Praia de Copacabana se transformou oficialmente em uma imensa alcateia a céu aberto. Shakira, que já não chora e agora fatura, desembarcou na cidade para provar que, se existe uma entidade capaz de parar o […]
PORClaudio Francioni3/5/2026|
4 min de leitura
A Loba no altar de areia: O triunfo (e os deslizes) de Shakira em Copacabana. Foto: Riotur
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Música: Dizem que o Rio de Janeiro é o purgatório da beleza e do caos, mas no último sábado, a Praia de Copacabana se transformou oficialmente em uma imensa alcateia a céu aberto. Shakira, que já não chora e agora fatura, desembarcou na cidade para provar que, se existe uma entidade capaz de parar o trânsito da Avenida Atlântica e reunir dois milhões de almas sem esforço, essa é a colombiana.
A expectativa era digna de final de Copa do Mundo. Entre artigos apaixonados no jornal e um marketing digital agressivo, a “Loba” preparou o terreno para o que deveria ser o maior show de sua vida. O público, claro, retribuiu com a paciência de um santo: nem mesmo o atraso de mais de uma hora desanimou os fiéis que se acotovelavam na areia. Havia gente até pouco depois do antigo Meridien, a cerca de 700 metros do palco. Inclusive quem estava mais pra trás ficou um tanto perdido com os telões verticais frequentemente exibindo imagens de nada enquanto o show rolava solto.
Quando “La Fuerte” finalmente explodiu nos alto-falantes, ficou claro que a proposta era uma fritação desenfreada. Shakira surgiu com aquela energia física que faz qualquer mortal se sentir sedentário. É impressionante como, aos 49 anos, ela consegue conduzir uma multidão com um simples movimento de quadril que parece desafiar as leis da física.
Mais registros de uma noite inesquecível, com nossa loba no Rio!
Foram 2 milhões de pessoas reunidas para aclamar @shakira na Praia de Copacabana💛
Tudo foi possível graças a uma operação integrada da cidade na Capital dos Grandes Eventos. Até 2027! pic.twitter.com/yw5rS0pMxR
O show é praticamente o mesmo da turnê “Las Mujeres Ya No Lloran”, que foi aberta coincidentemente aqui no Engenhão em fevereiro de 2025. O repertório foi um jogo de luz e sombra. Se por um lado a celebração da força latina em “Girl Like Me” e “Las de la Intuición” funcionou como um hino de empoderamento, por outro, a gestão do tempo foi questionável. Ver “Estoy Aquí” — o hit de toda uma geração que viveu os anos 90 — ser reduzida a uma versão express foi quase um crime de lesa-pátria. O público queria o banquete completo, não apenas o couvert.
O espetáculo baixou a guarda em “Acróstico”, quando a figura da pop star deu lugar à de mãe enquanto a imagem de seus filhos brilhava nos telões. Mas a Shakira que o Brasil ama é também a que evoca a memória afetiva. O bloco acústico, resgatando a era Pies Descalzos, trouxe a nostalgia à tona, embora em “Antologia” o clima tenha dado uma esfriada.
As participações especiais foram um capítulo à parte. Chamar Anitta de “rainha” em solo carioca é jogar para a torcida e ganhar de goleada. Já o encontro com a realeza da MPB — Caetano Veloso e Maria Bethânia — foi um momento tão bonito quanto inesperado. Ver Bethânia em um show pop não estava na minha cartela do bingo de 2026. Pra não dizer que não falei dos espinhos, o microfone de Caetano estava baixíssimo e Bethânia perdeu o andamento no meio de “O que é o que é”, mas ver Shakira entoando “Leãozinho” e sambando com a bateria da Unidos da Tijuca ao som de Gonzaguinha foi a prova definitiva de que ela é a mais brasileira das estrangeiras. E, claro, Ivete Sangalo apareceu para garantir que o evento terminasse em micareta.
Apesar da estrutura cênica ser surpreendentemente minimalista para um show desse porte — apostando mais na presença da artista do que em telões mirabolantes —, o encerramento foi o xeque-mate. De “Hips Don’t Lie” ao uivo ensurdecedor de “She Wolf”, Shakira entregou o que o povo queria: o êxtase.
Entre uivos, suor e alguns hits picotados, a colombiana reafirmou seu domínio. Ela não apenas ocupou o “altar da terra”, como o reivindicou para si. Saímos de Copacabana com a areia nos sapatos e a certeza de que, enquanto houver uma loba no palco, a alcateia brasileira estará lá para uivar de volta. Só podiam, da próxima vez, liberar a versão inteira de “Estoy Aquí”. O Rio agradeceria.
Música: Dizem que o Rio de Janeiro é o purgatório da beleza e do caos, mas no último sábado, a Praia de Copacabana se transformou oficialmente em uma imensa alcateia a céu aberto. Shakira, que já não chora e agora fatura, desembarcou na cidade para provar que, se existe uma entidade capaz de parar o trânsito da Avenida Atlântica e reunir dois milhões de almas sem esforço, essa é a colombiana.
A expectativa era digna de final de Copa do Mundo. Entre artigos apaixonados no jornal e um marketing digital agressivo, a “Loba” preparou o terreno para o que deveria ser o maior show de sua vida. O público, claro, retribuiu com a paciência de um santo: nem mesmo o atraso de mais de uma hora desanimou os fiéis que se acotovelavam na areia. Havia gente até pouco depois do antigo Meridien, a cerca de 700 metros do palco. Inclusive quem estava mais pra trás ficou um tanto perdido com os telões verticais frequentemente exibindo imagens de nada enquanto o show rolava solto.
Quando “La Fuerte” finalmente explodiu nos alto-falantes, ficou claro que a proposta era uma fritação desenfreada. Shakira surgiu com aquela energia física que faz qualquer mortal se sentir sedentário. É impressionante como, aos 49 anos, ela consegue conduzir uma multidão com um simples movimento de quadril que parece desafiar as leis da física.
Mais registros de uma noite inesquecível, com nossa loba no Rio!
Foram 2 milhões de pessoas reunidas para aclamar @shakira na Praia de Copacabana💛
Tudo foi possível graças a uma operação integrada da cidade na Capital dos Grandes Eventos. Até 2027! pic.twitter.com/yw5rS0pMxR
O show é praticamente o mesmo da turnê “Las Mujeres Ya No Lloran”, que foi aberta coincidentemente aqui no Engenhão em fevereiro de 2025. O repertório foi um jogo de luz e sombra. Se por um lado a celebração da força latina em “Girl Like Me” e “Las de la Intuición” funcionou como um hino de empoderamento, por outro, a gestão do tempo foi questionável. Ver “Estoy Aquí” — o hit de toda uma geração que viveu os anos 90 — ser reduzida a uma versão express foi quase um crime de lesa-pátria. O público queria o banquete completo, não apenas o couvert.
O espetáculo baixou a guarda em “Acróstico”, quando a figura da pop star deu lugar à de mãe enquanto a imagem de seus filhos brilhava nos telões. Mas a Shakira que o Brasil ama é também a que evoca a memória afetiva. O bloco acústico, resgatando a era Pies Descalzos, trouxe a nostalgia à tona, embora em “Antologia” o clima tenha dado uma esfriada.
As participações especiais foram um capítulo à parte. Chamar Anitta de “rainha” em solo carioca é jogar para a torcida e ganhar de goleada. Já o encontro com a realeza da MPB — Caetano Veloso e Maria Bethânia — foi um momento tão bonito quanto inesperado. Ver Bethânia em um show pop não estava na minha cartela do bingo de 2026. Pra não dizer que não falei dos espinhos, o microfone de Caetano estava baixíssimo e Bethânia perdeu o andamento no meio de “O que é o que é”, mas ver Shakira entoando “Leãozinho” e sambando com a bateria da Unidos da Tijuca ao som de Gonzaguinha foi a prova definitiva de que ela é a mais brasileira das estrangeiras. E, claro, Ivete Sangalo apareceu para garantir que o evento terminasse em micareta.
Apesar da estrutura cênica ser surpreendentemente minimalista para um show desse porte — apostando mais na presença da artista do que em telões mirabolantes —, o encerramento foi o xeque-mate. De “Hips Don’t Lie” ao uivo ensurdecedor de “She Wolf”, Shakira entregou o que o povo queria: o êxtase.
Entre uivos, suor e alguns hits picotados, a colombiana reafirmou seu domínio. Ela não apenas ocupou o “altar da terra”, como o reivindicou para si. Saímos de Copacabana com a areia nos sapatos e a certeza de que, enquanto houver uma loba no palco, a alcateia brasileira estará lá para uivar de volta. Só podiam, da próxima vez, liberar a versão inteira de “Estoy Aquí”. O Rio agradeceria.