A Loba no altar de areia: O triunfo (e os deslizes) de Shakira em Copacabana

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Música: Dizem que o Rio de Janeiro é o purgatório da beleza e do caos, mas no último sábado, a Praia de Copacabana se transformou oficialmente em uma imensa alcateia a céu aberto. Shakira, que já não chora e agora fatura, desembarcou na cidade para provar que, se existe uma entidade capaz de parar o […]

POR Claudio Francioni 3/5/2026| 4 min de leitura

A Loba no altar de areia: O triunfo (e os deslizes) de Shakira em Copacabana

A Loba no altar de areia: O triunfo (e os deslizes) de Shakira em Copacabana. Foto: Riotur

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Música: Dizem que o Rio de Janeiro é o purgatório da beleza e do caos, mas no último sábado, a Praia de Copacabana se transformou oficialmente em uma imensa alcateia a céu aberto. Shakira, que já não chora e agora fatura, desembarcou na cidade para provar que, se existe uma entidade capaz de parar o trânsito da Avenida Atlântica e reunir dois milhões de almas sem esforço, essa é a colombiana.

A expectativa era digna de final de Copa do Mundo. Entre artigos apaixonados no jornal e um marketing digital agressivo, a “Loba” preparou o terreno para o que deveria ser o maior show de sua vida. O público, claro, retribuiu com a paciência de um santo: nem mesmo o atraso de mais de uma hora desanimou os fiéis que se acotovelavam na areia. Havia gente até pouco depois do antigo Meridien, a cerca de 700 metros do palco. Inclusive quem estava mais pra trás ficou um tanto perdido com os telões verticais frequentemente exibindo imagens de nada enquanto o show rolava solto.

Quando “La Fuerte” finalmente explodiu nos alto-falantes, ficou claro que a proposta era uma fritação desenfreada. Shakira surgiu com aquela energia física que faz qualquer mortal se sentir sedentário. É impressionante como, aos 49 anos, ela consegue conduzir uma multidão com um simples movimento de quadril que parece desafiar as leis da física.

O show é praticamente o mesmo da turnê “Las Mujeres Ya No Lloran”, que foi aberta coincidentemente aqui no Engenhão em fevereiro de 2025. O repertório foi um jogo de luz e sombra. Se por um lado a celebração da força latina em “Girl Like Me” e “Las de la Intuición” funcionou como um hino de empoderamento, por outro, a gestão do tempo foi questionável. Ver “Estoy Aquí” — o hit de toda uma geração que viveu os anos 90 — ser reduzida a uma versão express foi quase um crime de lesa-pátria. O público queria o banquete completo, não apenas o couvert.

O espetáculo baixou a guarda em “Acróstico”, quando a figura da pop star deu lugar à de mãe enquanto a imagem de seus filhos brilhava nos telões. Mas a Shakira que o Brasil ama é também a que evoca a memória afetiva. O bloco acústico, resgatando a era Pies Descalzos, trouxe a nostalgia à tona, embora em “Antologia” o clima tenha dado uma esfriada.

As participações especiais foram um capítulo à parte. Chamar Anitta de “rainha” em solo carioca é jogar para a torcida e ganhar de goleada. Já o encontro com a realeza da MPB — Caetano Veloso e Maria Bethânia — foi um momento tão bonito quanto inesperado. Ver Bethânia em um show pop não estava na minha cartela do bingo de 2026. Pra não dizer que não falei dos espinhos, o microfone de Caetano estava baixíssimo e Bethânia perdeu o andamento no meio de “O que é o que é”, mas ver Shakira entoando “Leãozinho” e sambando com a bateria da Unidos da Tijuca ao som de Gonzaguinha foi a prova definitiva de que ela é a mais brasileira das estrangeiras. E, claro, Ivete Sangalo apareceu para garantir que o evento terminasse em micareta.

Apesar da estrutura cênica ser surpreendentemente minimalista para um show desse porte — apostando mais na presença da artista do que em telões mirabolantes —, o encerramento foi o xeque-mate. De “Hips Don’t Lie” ao uivo ensurdecedor de “She Wolf”, Shakira entregou o que o povo queria: o êxtase.

Entre uivos, suor e alguns hits picotados, a colombiana reafirmou seu domínio. Ela não apenas ocupou o “altar da terra”, como o reivindicou para si. Saímos de Copacabana com a areia nos sapatos e a certeza de que, enquanto houver uma loba no palco, a alcateia brasileira estará lá para uivar de volta. Só podiam, da próxima vez, liberar a versão inteira de “Estoy Aquí”. O Rio agradeceria.

Rodapé - entretenimento

Música: Dizem que o Rio de Janeiro é o purgatório da beleza e do caos, mas no último sábado, a Praia de Copacabana se transformou oficialmente em uma imensa alcateia a céu aberto. Shakira, que já não chora e agora fatura, desembarcou na cidade para provar que, se existe uma entidade capaz de parar o trânsito da Avenida Atlântica e reunir dois milhões de almas sem esforço, essa é a colombiana.

A expectativa era digna de final de Copa do Mundo. Entre artigos apaixonados no jornal e um marketing digital agressivo, a “Loba” preparou o terreno para o que deveria ser o maior show de sua vida. O público, claro, retribuiu com a paciência de um santo: nem mesmo o atraso de mais de uma hora desanimou os fiéis que se acotovelavam na areia. Havia gente até pouco depois do antigo Meridien, a cerca de 700 metros do palco. Inclusive quem estava mais pra trás ficou um tanto perdido com os telões verticais frequentemente exibindo imagens de nada enquanto o show rolava solto.

Quando “La Fuerte” finalmente explodiu nos alto-falantes, ficou claro que a proposta era uma fritação desenfreada. Shakira surgiu com aquela energia física que faz qualquer mortal se sentir sedentário. É impressionante como, aos 49 anos, ela consegue conduzir uma multidão com um simples movimento de quadril que parece desafiar as leis da física.

O show é praticamente o mesmo da turnê “Las Mujeres Ya No Lloran”, que foi aberta coincidentemente aqui no Engenhão em fevereiro de 2025. O repertório foi um jogo de luz e sombra. Se por um lado a celebração da força latina em “Girl Like Me” e “Las de la Intuición” funcionou como um hino de empoderamento, por outro, a gestão do tempo foi questionável. Ver “Estoy Aquí” — o hit de toda uma geração que viveu os anos 90 — ser reduzida a uma versão express foi quase um crime de lesa-pátria. O público queria o banquete completo, não apenas o couvert.

O espetáculo baixou a guarda em “Acróstico”, quando a figura da pop star deu lugar à de mãe enquanto a imagem de seus filhos brilhava nos telões. Mas a Shakira que o Brasil ama é também a que evoca a memória afetiva. O bloco acústico, resgatando a era Pies Descalzos, trouxe a nostalgia à tona, embora em “Antologia” o clima tenha dado uma esfriada.

As participações especiais foram um capítulo à parte. Chamar Anitta de “rainha” em solo carioca é jogar para a torcida e ganhar de goleada. Já o encontro com a realeza da MPB — Caetano Veloso e Maria Bethânia — foi um momento tão bonito quanto inesperado. Ver Bethânia em um show pop não estava na minha cartela do bingo de 2026. Pra não dizer que não falei dos espinhos, o microfone de Caetano estava baixíssimo e Bethânia perdeu o andamento no meio de “O que é o que é”, mas ver Shakira entoando “Leãozinho” e sambando com a bateria da Unidos da Tijuca ao som de Gonzaguinha foi a prova definitiva de que ela é a mais brasileira das estrangeiras. E, claro, Ivete Sangalo apareceu para garantir que o evento terminasse em micareta.

Apesar da estrutura cênica ser surpreendentemente minimalista para um show desse porte — apostando mais na presença da artista do que em telões mirabolantes —, o encerramento foi o xeque-mate. De “Hips Don’t Lie” ao uivo ensurdecedor de “She Wolf”, Shakira entregou o que o povo queria: o êxtase.

Entre uivos, suor e alguns hits picotados, a colombiana reafirmou seu domínio. Ela não apenas ocupou o “altar da terra”, como o reivindicou para si. Saímos de Copacabana com a areia nos sapatos e a certeza de que, enquanto houver uma loba no palco, a alcateia brasileira estará lá para uivar de volta. Só podiam, da próxima vez, liberar a versão inteira de “Estoy Aquí”. O Rio agradeceria.

Rodapé - entretenimento

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