Tremembé reflete a sociedade: o que revelam as histórias de mulheres que matam?

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Debate delicado. Lançada no último dia 31 no Prime Video, a série Tremembé promete reacender uma questão: como o público enxerga mulheres envolvidas em crimes de grande repercussão. Inspirada na realidade da Penitenciária de Tremembé, conhecida como a “prisão dos famosos”, a obra aborda casos que marcaram o país — como os de Suzane von […]

POR Redação SRzd 2/11/2025| 3 min de leitura

Marina Ruy Barbosa caracterizada como Suzane von Richthofen. Foto: Reprodução de vídeo

Marina Ruy Barbosa caracterizada como Suzane von Richthofen. Foto: Reprodução de vídeo

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Debate delicado. Lançada no último dia 31 no Prime Video, a série Tremembé promete reacender uma questão: como o público enxerga mulheres envolvidas em crimes de grande repercussão. Inspirada na realidade da Penitenciária de Tremembé, conhecida como a “prisão dos famosos”, a obra aborda casos que marcaram o país — como os de Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga e Anna Carolina Jatobá — e convida o espectador a refletir sobre a tênue linha entre crime, fama e punição.

De acordo com a psicóloga jurídica e assistente técnica Patrícia Barazetti, produções como Tremembé são importantes para provocar uma reflexão sobre como a sociedade constrói a imagem da mulher criminosa.

“Quando uma mulher comete um crime grave, o julgamento social ultrapassa o campo jurídico e invade o moral. Ela é analisada a partir de seus papéis afetivos — mãe, esposa, filha — e não pela complexidade da sua subjetividade”, explica Barazetti.

Apesar de representarem apenas cerca de 5% da população prisional brasileira, as mulheres estão frequentemente associadas a crimes de forte impacto público.

“A violência não pertence a um gênero específico. Ela surge de histórias de vínculos frágeis, desorganização emocional e carências afetivas. Entender essas dinâmicas não é justificar, mas analisar tecnicamente os fatos sem perder o rigor da prova”, acrescenta a psicóloga.

+ Trailer Oficial:

Entre o drama e a crítica social

Tremembé adota uma narrativa que mistura drama, ironia e crítica social, o que, segundo a especialista, exige sensibilidade.

“O maior risco é a glamourização do crime — quando a autora se torna uma figura fascinante e a gravidade dos atos se dilui na ficção. Mas, quando conduzida com ética, a obra pode provocar reflexão e ampliar o entendimento sobre as causas emocionais e sociais da violência”, destaca.

Ao ambientar a história em uma penitenciária marcada por réus famosos, a série também lança luz sobre o comportamento do público diante desses casos.

“Tremembé virou um símbolo do espetáculo da punição. Muitas vezes, a sociedade julga a personagem midiática e não a pessoa real. O nome pesa mais que o ato — e esse é um dos dilemas da Justiça contemporânea”, pontua a profissional.

Retratar sem estereotipar

Para evitar visões simplistas ou moralistas sobre a mulher criminosa, a psicóloga elenca três aspectos fundamentais:

Reconhecer a agência feminina — mostrar que há escolhas e decisões conscientes;

Contextualizar a vulnerabilidade, sem tratar o crime como consequência inevitável;

Aplicar o mesmo rigor crítico usado para autores homens.

“A narrativa ganha profundidade quando mostra a mulher como um ser complexo, com uma história de afetos e desorganizações emocionais. Não é sobre justificar, mas sobre compreender”, afirma.

Da curiosidade à consciência

Para Barazetti, o grande mérito de Tremembé está em transformar o olhar do espectador.

“O desafio é sair da curiosidade e chegar à consciência. Quando a narrativa une sensibilidade psicológica e rigor jurídico, ela contribui para entender por que a violência acontece — e como a sociedade participa dela. Compreender é o primeiro passo para prevenir”, conclui.

+ assista ao vídeo:

Rodapé - entretenimento

Debate delicado. Lançada no último dia 31 no Prime Video, a série Tremembé promete reacender uma questão: como o público enxerga mulheres envolvidas em crimes de grande repercussão. Inspirada na realidade da Penitenciária de Tremembé, conhecida como a “prisão dos famosos”, a obra aborda casos que marcaram o país — como os de Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga e Anna Carolina Jatobá — e convida o espectador a refletir sobre a tênue linha entre crime, fama e punição.

De acordo com a psicóloga jurídica e assistente técnica Patrícia Barazetti, produções como Tremembé são importantes para provocar uma reflexão sobre como a sociedade constrói a imagem da mulher criminosa.

“Quando uma mulher comete um crime grave, o julgamento social ultrapassa o campo jurídico e invade o moral. Ela é analisada a partir de seus papéis afetivos — mãe, esposa, filha — e não pela complexidade da sua subjetividade”, explica Barazetti.

Apesar de representarem apenas cerca de 5% da população prisional brasileira, as mulheres estão frequentemente associadas a crimes de forte impacto público.

“A violência não pertence a um gênero específico. Ela surge de histórias de vínculos frágeis, desorganização emocional e carências afetivas. Entender essas dinâmicas não é justificar, mas analisar tecnicamente os fatos sem perder o rigor da prova”, acrescenta a psicóloga.

+ Trailer Oficial:

Entre o drama e a crítica social

Tremembé adota uma narrativa que mistura drama, ironia e crítica social, o que, segundo a especialista, exige sensibilidade.

“O maior risco é a glamourização do crime — quando a autora se torna uma figura fascinante e a gravidade dos atos se dilui na ficção. Mas, quando conduzida com ética, a obra pode provocar reflexão e ampliar o entendimento sobre as causas emocionais e sociais da violência”, destaca.

Ao ambientar a história em uma penitenciária marcada por réus famosos, a série também lança luz sobre o comportamento do público diante desses casos.

“Tremembé virou um símbolo do espetáculo da punição. Muitas vezes, a sociedade julga a personagem midiática e não a pessoa real. O nome pesa mais que o ato — e esse é um dos dilemas da Justiça contemporânea”, pontua a profissional.

Retratar sem estereotipar

Para evitar visões simplistas ou moralistas sobre a mulher criminosa, a psicóloga elenca três aspectos fundamentais:

Reconhecer a agência feminina — mostrar que há escolhas e decisões conscientes;

Contextualizar a vulnerabilidade, sem tratar o crime como consequência inevitável;

Aplicar o mesmo rigor crítico usado para autores homens.

“A narrativa ganha profundidade quando mostra a mulher como um ser complexo, com uma história de afetos e desorganizações emocionais. Não é sobre justificar, mas sobre compreender”, afirma.

Da curiosidade à consciência

Para Barazetti, o grande mérito de Tremembé está em transformar o olhar do espectador.

“O desafio é sair da curiosidade e chegar à consciência. Quando a narrativa une sensibilidade psicológica e rigor jurídico, ela contribui para entender por que a violência acontece — e como a sociedade participa dela. Compreender é o primeiro passo para prevenir”, conclui.

+ assista ao vídeo:

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