Publicitários americanos adotam medidas desesperadas para chamar a atenção do público

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Estudo realizado pela McKinsey & Co. prevê que, em 2010, os comerciais de TV terão somente um terço da eficácia que tinham em 1990.

POR Redação SRzd13/08/2006|4 min de leitura

Publicitários americanos adotam medidas desesperadas para chamar a atenção do público
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Estudo divulgado pela revista AdAge mostra que, influenciado em grande parte pelo controle remoto, houve um declínio de 23% do número de comerciais assistidos na TV, e um declínio de 37% no impacto dos comerciais, devido a hiper saturação de mensagens.

De acordo com a pesquisa, nos últimos dez anos, as empresas de publicidade investiram 40% a mais nos comerciais de TV. Por outro lado, o número de pessoas que assistem a telinha nos EUA caiu 50% na última década, ou seja, companhias estão pagando muito mais e tendo um alcance bem menor.

Os publicitários americanos começam a perceber que a TV não é o meio mais eficaz para vender produtos e estão tomando medidas desesperadas para chamar a atenção do público. E se você pensa que a saída é aquele marketing totalmente cara de pau, onde o cowboy fuma um pacote de cigarro ou o atleta se refresca com uma garrafinha de suco artificial, você está muito enganado.

Em setembro, o canal de TV CBS terá seu logotipo (um olho oval, semelhante ao logo da TV Globo) inscrito em ovos nos maiores supermercados do país. Isso mesmo, ovos de galinha com logotipo de TV. O canal já anunciou que fará 35 milhões de ovos-comerciais (“egg-vertisements”), com o intuito de gerar um bafafá para a nova temporada de shows do canal. As propagandas serão codificadas a laser nos ovos de galinha, técnica já utilizada para a inscrição da data de validade do produto.

No mês que vem, propagandas começarão a aparecer na primeira página (tradicionalmente considerada “nobre” e livre de qualquer espécie de patrocínio, digo, propaganda) do jornal americano Wall Street Journal. Outros jornais como o USA Today e o Financial Times já adotaram a estratégia. E mais, até algumas revistas em quadrinho, entre elas Marvel e DC Comics, começarão a fazer marketing dentro de suas histórias.

Outra estratégia adotada por publicitários, e um pouco mais sutil, mas muito mais antitética: a chamada campanha de “buzz marketing”, onde empresas de publicidade pagam centenas de pessoas para fazer uma espécie de propaganda boca a boca fake. Então, da próxima vez em que você for tomar um cafezinho com a colega de trabalho, e ela der um jeitinho de dizer “Hum… este café esta horrível. Bom mesmo e aquele recém lançado café….”, você já pode desconfiar.

O desespero dos publicitários é tanto, que um site de apostas chegou a pagar dez mil dólares para uma mulher de Utah tatuar em sua testa, seu URL (GoldenPalace.com). O mesmo site pagou uma mulher de Connecticut $15,500 para que ela batizasse sua recém-nascida filha “Golden Palace Benedetto “. Inacreditável!

Nada é sagrado na cultura do consumo, onde tudo é válido quando se há a possibilidade de vender um produto. Já é possível entrar em uma igreja e se deparar com uma lojinha de café ou uma lanchonete. Mas não lojinhas que vendem refresco, empadinha e pão de queijo. As megas igrejas dos Estados Unidos são equipadas com Starbucks e McDonalds! E se você é maníaco por futebol ou basquete, também já pode encomendar um caixão oficial de seu time.

A empresa aérea Americana US Airways é a mais nova adepta da estratégia do comercial-inusitado. Não está oferecendo ovos com logotipos a laser aos passageiros, mas resolveu vender o espaço em branco dos tradicionais saquinhos de vômito a quem estiver interessado. Isso mesmo, aqueles saquinho que você torce para não ter que usar!

A empresa America West que uniu-se a US Airways, foi a primeira a vender o espaço das bandeijinhas de comidas para publicidade. Então, o próximo passo é óbvio, para quem já comeu aquelas comidinhas nojentas de avião: o saquinho de enjôo! Mas parece meio difícil de acreditar que uma pessoa, no auge do mal estar, vá prestar atenção no que diz o saquinho. A não ser, é claro, que o produto seja “dramim ” ou ” plasil”. Isso sim seria genial!

Samantha Nogueira é jornalista e correspondente do SRZD nos Estados Unidos.

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